Terça-feira, 24 de março de 2026 - 10h19

O
Observatório da Indústria de Rondônia divulgou o Relatório da Balança Comercial
referente ao primeiro bimestre de 2026. De acordo com o levantamento, as
exportações somaram US$ 444,4 milhões, enquanto as importações alcançaram US$
511,1 milhões, registrando déficit comercial de US$ 66,7 milhões no período.
Se
comparado ao mesmo período de 2025, as importações cresceram de forma
expressiva, saltando de US$ 292,1 milhões para US$ 511,1 milhões, um avanço de
75%, sinalizando aumento da demanda por insumos e bens intermediários. Já as
exportações também registraram crescimento, passando de US$ 354,7 milhões para
US$ 444,4 milhões, alta de 25%. Nesse contexto, o saldo negativo não é
interpretado como um problema estrutural, mas como reflexo de um ciclo
produtivo integrado.
“Neste
início de ano, Rondônia importa adubos e fertilizantes para preparar o solo,
visando à exportação das safras nos meses seguintes”, afirmou o gerente do
Observatório, Igo Ribeiro.
Esse
movimento parece indicar um cenário de expansão econômica acompanhado de maior
dependência externa, o que, na prática, reforça a necessidade de avançar na
agenda de competitividade e adensamento da cadeia produtiva local. A análise
mostra que o déficit foi impulsionado, principalmente, pelo aumento nas
importações de insumos essenciais para a produção local e pela chamada
importação escritural.
Os adubos
e fertilizantes químicos lideram a pauta, com US$ 78,6 milhões, o equivalente a
15,4% do total importado. Além dos fertilizantes, também se sobressaem os
investimentos em produtos industriais estratégicos, como laminados de ferro e
aço, que somaram US$ 97,7, bem como geradores elétricos e suas partes, que
totalizaram US$ 23 milhões.
Parte
dessas importações é classificada como “importação escritural”, mecanismo
previsto na Lei Estadual nº 1.473/2005. Nesse modelo, empresas com sede ou
filial em Rondônia realizam a compra de produtos no exterior, mas a mercadoria
não ingressa fisicamente no estado. O desembaraço aduaneiro ocorre em portos de
outras regiões, como Santos, Paranaguá ou Rio Grande, enquanto o ICMS é
recolhido em Rondônia.
Segundo o
superintendente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO),
Gilberto Baptista, esse formato permite maior flexibilidade logística às
empresas. “Qualquer importador que tenha base em Rondônia pode desembaraçar o
produto em qualquer porto brasileiro e utilizá-lo diretamente naquela região.
Por isso, esses itens não chegam fisicamente ao estado nem concorrem com a
produção local, como ocorre no caso dos lácteos”, explicou.
No campo
das exportações, a carne segue como principal produto da pauta rondoniense,
representando 57% do total exportado, o equivalente a US$ 247,4 milhões. Na
sequência aparecem a soja, com 28,4%, e o milho, com 5,5%.
O
relatório também evidencia a forte relação comercial com a China, principal
parceira de Rondônia. O país asiático responde por 35,9% das exportações
estaduais e por 53,8% das importações, revelando uma dependência estrutural em
que atua, simultaneamente, como maior compradora de commodities e principal
fornecedora de insumos produtivos.
Além da
China, mercados como Estados Unidos, Espanha e México figuram entre os destinos
das exportações rondonienses. Já países como Argentina, Turcomenistão e Irã se
destacam como fornecedores.
O estudo
resulta de um monitoramento mensal do comércio exterior realizado pelo
Observatório da Indústria, com o objetivo de mapear fluxos comerciais,
identificar oportunidades de diversificação e transformar dados em inteligência
de mercado, a fim de apoiar a tomada de decisão de empresários e gestores públicos,
ampliando a capacidade de planejamento e fortalecendo a inserção de Rondônia no
cenário econômico global.
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