Terça-feira, 27 de janeiro de 2026 - 09h05

ENTREVISTA
O prefeito de Vilhena e pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo Podemos,
Delegado Flori, concedeu sua primeira entrevista ao podcast Resenha
Política. Falou das principais propostas de governo e apresentou um balanço
amplo das ações implementadas no município do Cone Sul, desempenho que lhe
rendeu uma das melhores avaliações entre os atuais prefeitos
rondonienses.
VITRINE
Como manda o figurino, iniciou com uma imersão na trajetória profissional até o
ingresso na política. Apresentou-se como alternativa à polarização já desenhada
entre o senador Marcos Rogério (PL) e o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria
(PSD), enfatizando sobretudo as ações na saúde municipal, vitrine
administrativa que alavancou sua popularidade regional.
PROLIXIA
Flori não exala o carisma intuitivo de Fúria, tampouco demonstra a desenvoltura
retórica de Marcos Rogério ao explicar projetos e intenções. Ainda assim, mesmo
derrapando na prolixidade, Flori revela segurança ao tratar temas complexos da
administração pública e destemor ao criticar o que chama, sem rodeios, de
máfias entranhadas no serviço público. Reconhece a dureza da disputa e aposta
que as políticas bem-sucedidas de Vilhena podem ser replicadas no restante do
Estado, ainda que o discurso, por vezes, soe mais ambicioso do que exequível.
MÁFIAS
O momento mais tenso da entrevista, disponível no podcast Resenha
Política em nosso canal no YouTube, ocorre quando o prefeito afirma
ter enfrentado três “máfias” para reorganizar a saúde municipal: a “máfia de
branco”, em referência aos médicos; a “máfia do sindicato dos ladrões”, sem
especificar qual entidade; e o preconceito ideológico contra a Parceria
Público-Privada na administração pública.
PERFIL
Foi por meio de uma PPP que Flori transferiu a gestão da saúde municipal a uma
Organização Social sem fins lucrativos. Segundo ele, a única saída para
melhorar os serviços públicos, inclusive em escala estadual. A declaração
inflama o debate e revela um personagem confortável no confronto. Em uma
eleição estadual, esse perfil não passa despercebido. A beligerância acima do
tom não combina com o figurino governamental. O candidato precisa ser
repaginado antes de queimar na largada.
PROTOCOLAR
É verdade que o prefeito de Porto Velho e presidente estadual do Podemos, Léo
Moraes, tem feito declarações públicas destacando as qualidades administrativas
de Flori Cordeiro e registrando sua pretensão de disputar o governo. Fê-lo como
dirigente partidário e também por elegância pessoal, já que o prefeito de
Vilhena estava presente no evento realizado na capital. Foi um apoio protocolar
sem caráter homologatório como os avexados interpretaram.
SINAIS
Nada mais trivial do que registrar a presença de um correligionário ilustre que
manifesta desejo de disputar o Executivo estadual. Daí a transformar gestos
protocolares em apoio fechado existe uma avenida larga. Mas, na política, os
apressados enxergam sinais onde só há formalidade. Ao que parece, óculos é uma
mercadoria escassa em nosso meio.
VOANDO
Diferente do apoio protocolar a Flori, Léo Moraes tem explicitado apoio à
pré-candidatura do Delegado Camargo ao Senado Federal. Trata-se de um projeto
que exige menor exposição e menos desgaste do que uma candidatura ao governo, e
o ungido já demonstra musculatura eleitoral relevante. Nenhum outro postulante
as vagas recebeu uma manifestação tão direta quanto Camargo.
CORINGA
Embora ambas sejam disputas majoritárias, os interesses são distintos. Além
disso, Camargo oferece uma saída estratégica confortável caso Léo seja
compelido a rever seus próprios planos à medida que as convenções se aproximem.
A capilaridade demonstrada é tamanha que, se o projeto migrar para a Câmara
Federal, as chances de êxito seriam consideráveis. Sempre sob as asas do
prefeito da capital e da nominata do Podemos.
DESABAFO
Foi pertinente o desabafo do senador Confúcio Moura (MDB) nas redes sociais ao
defender sua posição sobre a implantação do famigerado pedágio na BR-364. Em
tom didático, pontuou cronologicamente o processo que resultou na concessão e
nas tarifas previstas em contrato. Bem diferente das perorações que professam
os desafetos.
MORTES
Confúcio jamais se esquivou de apontar o principal argumento em defesa da
concessão: salvar vidas. Durante anos, a BR-364 figurou semanalmente nas
estatísticas de acidentes fatais, a ponto de ganhar o macabro epíteto de
“Rodovia da Morte”. O discurso humanitário sustenta sua narrativa, ainda que
não silencie as críticas. Erra ao não criticar e lutar por uma revisão das
tarifas que estão sendo cobradas de forma extorsiva e desavergonhada. Nesta
questão faz cara de paisagem.
REAÇÃO
A indignação do senador nas mídias digitais responde, com dureza, aos colegas
de bancada que se omitiram durante todo o debate da concessão e, agora, diante
da reação popular, tentam lavar as mãos e empurrar a responsabilidade. Embora
Moura também tenha parcela de culpa por não criar obstáculos ou discutir a
prefixação das tarifas, seu desabafo expõe a hipocrisia coletiva. A reação é
compreensível e, em certa medida, justa.
PEDÁGIO
O que escandaliza a população não é a concessão em si, mas o valor cobrado por
quilômetro rodado na BR-364. Rondônia passou a figurar no topo de um ranking
indigesto: o das rodovias com tarifas mais caras do país na relação
preço/distância, mesmo sem entregar, até aqui, a infraestrutura prometida.
COMPARAÇÕES
Em valores aproximados, enquanto
rodovias concedidas do Sul e Sudeste cobram entre R$ 7 e R$ 12 a cada 100
quilômetros, na BR-364 o custo ultrapassa R$ 20 por 100 km. No Paraná, em
trechos duplicados e bem conservados, paga-se quase metade do valor praticado
em Rondônia. Na BR-163, em Mato Grosso do Sul, referência nacional em
concessão, a tarifa por quilômetro é ainda menor.
INVERSÃO
A comparação desmonta o discurso
oficial. Lá, cobra-se menos onde há pista duplicada, sinalização adequada e
histórico de investimentos. Aqui, cobra-se mais numa rodovia que ainda promete
melhorias. A lógica foi invertida: primeiro se cobra caro, depois se explica.
MODELO
A concessionária tem invoca
o “custo invisível” da estrada precária. O custo é muito visível no bolso de
caminhoneiros, produtores rurais e usuários comuns, que pagam como se
trafegassem numa rodovia de primeiro mundo, quando ainda enfrentam gargalos de
décadas. O pedágio virou símbolo de um modelo mal digerido politicamente:
tarifas elevadas, bancada federal silenciosa no momento decisivo e gritaria
tardia quando o contrato virou fato consumado. Com eleição nas portas, estancar
a sangria é o que interessa aos parlamentares do ócio.
ANOMALIA
Um detalhe tem passado
despercebido por parte da mídia e de muitos atores políticos: a concessão da
BR-364, no trecho que vai de Porto Velho a Vilhena, se estende apenas até o
trevo de acesso a Colorado do Oeste. Na prática, isso significa que o segmento
da rodovia que corta o perímetro urbano de Vilhena fica fora das obrigações da
concessionária no que diz respeito à conservação e às obras de melhoria. Ainda
assim, todo motorista vilhenense que trafega em direção ao trevo paga a tarifa
integral, a mesma cobrada de quem utiliza o trecho completo da rodovia. Sem que
haja uma contrapartida aos munícipes. Nem esta anomalia contratual Jaime
Bagatolli é capaz de corrigir, mesmo tendo domicílio eleitoral em Vilhena.
CÁLCULO
Tarimbado e calejado por disputas eleitorais, Confúcio Moura sabe ler números,
interpretar pesquisas sérias e decifrar cenários. Um deles revela o desgaste
causado pela criação de reservas ecológicas no apagar das luzes de seu governo.
Medida correta sob a ótica ambiental, mas politicamente custosa.
MESTRE
Agora, tenta se afastar da pecha de ambientalista radical para colar seu
discurso em um eleitorado de esquerda e centro, fatia relevante em uma eleição
senatorial de turno único e altamente fragmentada. É uma aposta arriscada, mas
calculada. Nunca se deve subestimar os movimentos deste velho emedebista, ainda
que continue sangrando.
DIÁLOGOS
No sábado passado, em Porto Velho, Marcos Rogério reuniu-se com Hildon Chaves
para tratar das eleições estaduais. Ambos são pré-candidatos ao governo. A
conversa foi amena, sem acordos firmados, mas com nova rodada já agendada.
Na sexta-feira, Maurício Carvalho recebeu em sua residência os principais líderes
do União Brasil para estruturar as nominatas proporcionais. Embora se declare
pré-candidato ao governo, candidatura que nem ele parece levar muito a sério, o
tema sequer foi mencionado na reunião. O restou claro na reunião é que o
governador Marcos Rocha não faz mais parte dos planos do União Brasil. Sequer
foi convidado para o regabofe.
FILIAÇÃO
No PSD, aguarda-se um encontro entre Gilberto Kassab e o governador Marcos
Rocha. A conversa pode ocorrer ainda esta semana, dependendo apenas das
agendas, já que Rocha se encontra em São Paulo. O governador desmentiu semana
passada que tenha se filiado a legenda, mas nunca negou os convites recebidos.
Com o caneco seco de um partido para chamar de seu, o PSD pode muito bem suprir
a aridez partidária.
RAIO
Embora a caminhada do deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL) tenha
alcançado visibilidade, o ato acabou ofuscado por um episódio tão inusitado
quanto simbólico: a queda de um raio sobre a multidão reunida em Brasília para
recepcioná-lo. Mais estrondoso que o próprio evento, o fenômeno natural acabou
chamando mais atenção do que o objetivo central da mobilização, que era
pressionar o Supremo Tribunal Federal pela libertação do ex-presidente Jair
Bolsonaro. O raio também fez mais barulho que as vozes assustadas dos cerca de
dezoito mil bolsonaristas — inclusive caravanas vindas de Rondônia — que foram
à capital para protestar e ovacionar Nikolas.
CASQUINHA
Em um encontro de extremados, com discurso radicalizado e barulho amplificado
até pelo clima, não poderiam faltar políticos de Rondônia. Marcaram presença o
deputado federal Coronel Crisóstomo, o senador Jaime Bagattoli, a vereadora
Sofia Andrade e até o estridente — e pouco relevante no cenário estadual —
pastor Muniz, que, além das explicações políticas, ainda terá de se justificar
aos seus padrinhos pela ausência temporária na confortável sinecura da capital.
Em Rondônia houve quem exigiu que o quarteto caminhasse de Vilhena a Porto
Velho para revogar as tarifas dos pedágios. Mas o que queriam era tirar uma
casquinha para viralizar na internet. O raio queimou até esta côdea.
NUVEM
Hildon Chaves (PSDB), ex-prefeito
da capital, encerrou o ano de 2026 praticamente fora da disputa padra
governador por um erro estratégico de piscar com uma vaga na Câmara Federal.
Isolado por tratar parceiros políticos com empáfia o ex-prefeito não soube
esperar a nuvem política que se formou entre Marcos Rogério e Adailton Fúria e
praticamente jogou a toalha recuando da candidatura ao Governo para uma de
deputado federal. Mas a política é como nuvem, conforme Magalhães Pinto, as
nuvens da disputa em Rondônia neste ano de 2026 pode ressuscitar a
pré-candidatura natimorta de Hildon Chaves.
CENÁRIO
Com a entrada de Flori Cordeiro
na disputa, ao se apresentar como terceira via a polarização entre Marcos e
Fúria, pulveriza-se, em tese, os votos do interior e Hildon passa a ter uma
chance de olho em uma vaga ao segundo turno diante deste novo cenário. Aliás,
foi num mesmo formato eleitoral que em 2018 o desconhecido Dr Hildon conseguiu
vencer uma eleição improvável na capital. É um cara que os ventos sempre sopra
ao seu favor e consegue crescer numa campanha. É um novo cenário que estava
fora do radar até então. Especialmente se evoluir as conversas para que
ingresse no União Brasil para ser o candidato a governador.
NUVEM
Hildon Chaves (PSDB), ex-prefeito da capital, encerrou o ano de 2026
praticamente fora da disputa pelo Governo de Rondônia após cometer um erro
estratégico elementar: sinalizar interesse por uma vaga na Câmara Federal. Ao
flertar com a proporcional, transmitiu insegurança ao eleitor e aos aliados,
além de aprofundar seu isolamento político ao tratar potenciais parceiros com
empáfia — vício recorrente em quem confunde liderança com soberba.
RESSUCITADO
Sem paciência para aguardar a nuvem política que se formou entre Marcos Rogério
e Adailton Fúria, Hildon antecipou a retirada e praticamente jogou a toalha ao
recuar da pré-candidatura ao Governo para buscar abrigo numa disputa de menor
risco. Contudo, como ensinava Magalhães Pinto, política é como nuvem: muda de
forma, de direção e de densidade conforme o vento. E as nuvens da sucessão
estadual de 2026 podem, ironicamente, ressuscitar uma pré-candidatura dada como
natimorta.
FRESTA
A entrada de Flori Cordeiro na disputa, ao se apresentar como terceira via na
polarização entre Marcos Rogério e Adailton Fúria, tende a pulverizar os votos
do interior e reconfigurar o tabuleiro eleitoral. Nesse rearranjo, Hildon volta
a enxergar uma fresta para mirar uma vaga no segundo turno.
PROGNÓSTICOS
Não seria novidade. Em 2018, sob um formato eleitoral semelhante, o então
desconhecido Dr. Hildon venceu uma eleição improvável na capital, contrariando
prognósticos e analistas. Trata-se de um político que parece manter uma relação
quase mística com os ventos eleitorais: quando o subestimam, cresce na
campanha. O novo cenário — até então fora do radar — recoloca seu nome no jogo,
especialmente se avançarem as conversas para uma eventual filiação ao União
Brasil, onde poderia surgir como alternativa viável à sucessão estadual.
NUVEM
Na política, quem aprende a ler o
céu pode transformar nuvem dispersa em tempestade eleitoral — sobretudo quando
se trata de alguém aparentemente sortudo como o ex-prefeito Hildon Chaves. Não
foram poucas as vezes em que decretaram o seu fim político, e ele renasceu
feito fênix, contrariando previsões e ironias. Em Rondônia, nada é definitivo.
CENÁRIO
Se não errar o cálculo e tiver coragem para se lançar de vez na disputa
majoritária, bastará recompor pontes políticas com antigos parceiros para que
sua pretensão deixe de ser apenas uma nuvem passageira e se transforme em
verdadeiro dilúvio sobre os adversários. Como gostam de repetir os marketeiros
de plantão: cenários são cenários.
Terça-feira, 27 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Marília Pimentel, Reitora da Unir é a entrevistada de Robson Oliveira
Assista a entrevista completa:

Léo Moraes é o prefeito mais popular da história recente de Porto Velho
DEBILIDADE Ao admitir que o Podemos, isoladamente, não possui musculatura eleitoral para sustentar um projeto competitivo ao Governo de Rondônia, o

Marcos Rocha é politicamente inconstante e deliberadamente lento nas decisões
PROPOSTA A coluna tinha conhecimento das conversações entre o governador Marcos Rocha e Expedito Júnior, presidente regional do PSD, iniciadas no fi
Terça-feira, 27 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)