Quinta-feira, 23 de abril de 2026 - 10h47

DENÚNCIA
Cerca de 50
trabalhadores da empresa Amazonbio, do Grupo BBF, responsável pelas Unidades
Termoelétricas (UTEs) que atendem os distritos do Baixo Madeira, denunciam
graves irregularidades trabalhistas desde o fim de 2025. Segundo a categoria,
há atrasos salariais, pagamentos incorretos e pendências de quinzenas.
DESTRAÍDO
Na largada da
pré-campanha ao Senado, Bruno Scheid (PL) escolheu um tema sensível e popular:
o pedágio na BR-364, classificado por ele como “extorsão”. O tom duro dialoga
com a insatisfação generalizada da população, mas pode esconder uma contradição
incômoda dentro do próprio grupo político que o abriga. Afinal, a implantação
do pedágio não surgiu do nada - avançou nos trâmites federais sob o olhar, no
mínimo distraído, da bancada de Rondônia em Brasília.
DISCURSOS
Quando o problema
ainda era projeto, silêncio. Nenhum alerta consistente ao setor produtivo,
nenhuma mobilização relevante, nenhuma reação proporcional ao impacto que agora
todos dizem combater. O tema caminhou nos gabinetes, amadureceu nos órgãos
federais e só ganhou indignação pública quando já estava praticamente
consolidado. A partir daí, iniciou-se um previsível festival de discursos
tardios.
CASQUINHA
Agora, com o desgaste instalado, o pedágio virou bandeira eleitoral.
Cada parlamentar tenta tirar sua “casquinha”, enquanto convenientemente omite a
própria omissão. No entorno de Scheid, há nomes que acompanharam - ou deveriam
ter acompanhado - toda a tramitação e nada fizeram. Esses atores dificilmente
escaparão da cobrança durante a campanha, porque o eleitor começa a perceber o
abismo entre discurso e prática.
DANOS
O caso expõe um padrão recorrente: a política reage ao problema pronto,
mas raramente o antecipa. O senador Confúcio Moura, por exemplo, sentiu o peso
da repercussão negativa após tratar o tema com sarcasmo nas redes sociais.
Recuou e passou a falar em revisão das tarifas, mas, até aqui, sem efeitos
concretos. O gesto soa mais como contenção de danos do que como solução
efetiva.
DESCONECTADOS
Já o senador Jaime
Bagattoli, também do PL, adotou uma postura ainda mais discreta. Depois de
alguns discursos protocolares, o tema praticamente desapareceu de sua agenda
pública, reforçando a percepção de falta de protagonismo. Enquanto isso, outros
parlamentares insistem em discursos genéricos - muitos voltados a pautas
nacionais -, mas poucos conectadas às demandas de Rondônia.
COERÊNCIA
No fim das contas, o
pedágio da BR-364 se transforma em símbolo de algo maior: a distância entre
representação política e responsabilidade prática. Não há narrativa que apague
o fato de que o processo ocorreu sob a vigilância - ou a ausência dela - de
quem hoje tenta capitalizar eleitoralmente o descontentamento popular. O
eleitor, cada vez mais atento, tende a cobrar não apenas posicionamentos, mas
coerência. Bruno Sheid vai a campanha pela primeira vez com o epíteto de Zero
Cinco, não o subestimem, ele pode deixar concorrente com a touca na mão.
TOM
A pré-campanha ao
governo de Rondônia começou em tom de aparente leveza, mas com recados claros
nas entrelinhas. O ex-prefeito de Cacoal, Fúria, recorreu às redes sociais para
ironizar um vídeo antigo em que aparece ao lado de Jair Bolsonaro, recebendo incentivo
político. A tentativa de remoção judicial do conteúdo por senador Marcos
Rogério acabou surtindo efeito contrário: virou combustível para mais
provocações e ampliou a exposição do episódio.
ALFINETANDO
No mesmo tabuleiro,
Hildon Chaves adotou uma linha mais sutil, porém igualmente incisiva. Em
entrevista, elogiou a gestão de Fúria, mas tratou de enquadrá-lo como “novo
demais”, destacando a suposta falta de experiência para governar o Estado. A
crítica, travestida de conselho, escancara a disputa por espaço entre nomes que
tentam se apresentar como alternativas viáveis.
PREVISÍVEL
Já Expedito Neto do
PT mantém uma estratégia previsível: a defesa enfática do governo Luiz
Inácio Lula da Silva e de suas ações no estado. Em tom agressivo, não
perde oportunidade de alfinetar adversários, especialmente os ligados ao PL,
reforçando a polarização nacional no cenário local. Quem o conhece sabe que na
campanha vai distribuir caneladas para todos os concorrentes.
RETÓRICA
Por sua vez, Samuel
Costa, agora no PSB após transitar pela Rede, segue com discurso ideológico
mais marcado, insistindo na narrativa de confronto entre classes. A retórica de
“nós contra eles” permanece como eixo central, mirando o eleitorado de esquerda
e tentando consolidar identidade em meio à fragmentação do campo progressista.
A maioria da esquerda rondoniense não lhe suporta.
NARRATIVAS
O início da corrida
eleitoral, ainda que embalado por ironias e indiretas, revela um cenário de
disputa intensa, onde cada gesto - até mesmo um vídeo antigo - pode se
transformar em arma política. Por trás do humor, o que se desenha é uma batalha
estratégica por narrativa, protagonismo e memória do eleitor. Nas mídias
digitais o tom da campanha está definida. E é lá que o pau vai cantar.
LIXO
Mais uma troca no
comando da coleta de lixo em Porto Velho escancara a desorganização
administrativa em um serviço essencial. Após a retirada da Marquise - empresa
que, sem grandes sobressaltos, mantinha a limpeza urbana - por determinação do
Tribunal de Contas do Estado, que apontou falhas na licitação, o município
entrou em um ciclo de instabilidade. Desde então, as empresas convocadas em
caráter emergencial acumulam problemas, enquanto a solução definitiva segue
travada no Judiciário.
TAPEAÇÃO
A cada nova
substituição, aumenta a insegurança sobre a continuidade e a qualidade do
serviço, e a população paga a conta. O processo original, vencido pela própria
Marquise, permanece sub judice, andando a passos lentos, enquanto contratos
provisórios tentam tapar o sol com a peneira. Agora, a terceira colocada assume
sem conhecer as peculiaridades de uma capital que inclui distritos e
comunidades ribeirinhas, o que exige logística complexa e experiência
comprovada. Uma comissão de fiscalização da edilidade visitou a empresa e, a princípio,
não encontrou anormalidades. Mas a preciso aguardar a coleta.
IMPROVISOS
O risco é claro e já
conhecido: o retorno de cenas de lixo acumulado nas ruas e calçadas, como
ocorreu em episódios recentes. Sem planejamento sólido e com decisões empurradas
pela via judicial, a gestão municipal segue refém de soluções improvisadas.
Enquanto isso, áreas centrais como a Sete de Setembro já dão sinais de
abandono, reforçando a percepção de que o problema está longe de ser resolvido.
Um setor vital a saúde pública que funcionava a contente e que virou um
problema insolúvel por falta sensibilidade das autoridades e os improvisos
idiotas.
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