Quinta-feira, 9 de abril de 2026 - 09h30

NOMINATA
Embora historicamente
relegado a um papel periférico no quadro político de Rondônia, o Partido Novo
ensaia, nesta quadra eleitoral, uma movimentação que merece registro atento.
Longe de ostentar musculatura eleitoral consolidada no estado, a legenda conseguiu,
ainda assim, articular uma nominata para deputado estadual que, se não chega a
ser robusta em densidade numérica, revela-se qualitativamente instigante.
ÊXITOS
Entre os nomes postos
à prova das urnas, despontam o deputado estadual Luiz do Hospital e o vereador
ariquemense Lucas Follador, ambos com trajetórias recentes que indicam razoável
capacidade de diálogo com parcelas do eleitorado e, sobretudo, com potencial
competitivo em um cenário fragmentado. Não são candidaturas de mero
preenchimento de chapa; ao contrário, carregam consigo expectativas plausíveis
de êxito, ancoradas em visibilidade política e atuação institucional.
ANALÓGICO
Ressurge ainda Edson
Martins, ex-deputado estadual que, após longo período de ostracismo imposto
pelas amarras da inelegibilidade, retorna ao jogo político. Reabilitado
juridicamente, tenta agora reconstruir sua conexão com o eleitorado. Contudo, o
tempo - implacável na política - parece cobrar seu preço: o vigor eleitoral de
outrora já não se manifesta com a mesma intensidade, e a travessia rumo a um
novo mandato exigirá esforço redobrado e uma capacidade de reinvenção que nem
sempre acompanha trajetórias interrompidas. Não será uma tarefa fácil para quem
fazia política de forma analógica. O tempo mudou. Mas é experiente nas urnas.
REALIDADE
Já a vice-prefeita da
capital, Magna dos Anjos, figura como a incógnita mais eloquente da nominata.
Sua decisão de se afastar da órbita política que a alçou ao posto atual e
investir em um projeto de afirmação individual será testada com rigor nas
urnas. Há, nos bastidores, a percepção de que sua ascensão não decorreu de uma
liderança consolidada ou de densidade eleitoral própria, mas de circunstâncias
políticas específicas que a favoreceram naquele momento em razão das escolhas
do prefeito Léo Moraes. Ao tentar trilhar caminho autônomo, arrisca-se a
confrontar uma realidade menos generosa do que supõe. Não é a primeira no posto
que ocupa a dar com os burros n’agua. A ex-vice de Roberto Sobrino é
ilustrativo.
VOLATILIDADE
Nesse mosaico de
candidaturas, a nominata do Novo revela mais que uma simples aposta eleitoral:
expõe tensões entre capital político herdado e protagonismo efetivo, entre
passado e presente, entre expectativa e viabilidade concreta. Se há nomes com
horizonte promissor, como Luiz do Hospital e Lucas Follador, também há
trajetórias que precisarão provar, mais uma vez, sua resiliência diante de um
eleitorado cada vez mais volátil e exigente. O Novo sempre foi um partido
nanico e sem representação política forte em Rondônia; agora, se firma para
eleger alguém.
CONVENÇÕES
Passada a janela
partidária - esse breve período em que a fidelidade vira artigo descartável - o
jogo muda de fase. Agora, não há mais fuga possível: quem ficou, ficou. E quem
pretende disputar, precisa rezar na cartilha da legenda até o dia das
convenções. Até lá, candidatura é miragem. Só existe, de fato, depois do
carimbo partidário.
CAPITANIAS
O problema é que, encerrada a temporada oficial de trocas, inaugura-se a fase
mais previsível da política brasileira: a das especulações infladas e das
promessas que começam a vencer como cheque pré-datado. Dirigentes partidários,
esses novos donatários de capitanias eleitorais, venderam mais vagas do que o
cardápio comporta. Resultado: alguém inevitavelmente ficará sem cadeira - e
dificilmente sairá em silêncio.
PANELINHA
Sem a possibilidade
de mudança de partido, o critério passa a ser outro, mais doméstico e menos
republicano. As listas proporcionais começam a ganhar a forma de um clube
fechado. Deputado federal e estadual? Só entra quem for da panela, quem tiver
senha ou quem aceitar o papel de figurante numa nominata já previamente
hierarquizada. O discurso de renovação, tão útil na pré-temporada, começa a ser
arquivado junto com as promessas de campanha.
DEGOLA
Nas majoritárias, o cenário não é mais elegante. Partidos menores,
especialmente, viram terreno fértil para movimentos bruscos. Nos bastidores, já
se fala abertamente em “degola” de pré-candidatos que chegaram com promessa de
legenda, estrutura e algum lastro financeiro. A conta não fecha - e quando não
fecha, alguém paga. Geralmente, o mais irrelevante.
VOCAÇÃO
O enredo é conhecido, mas nem por isso menos ruidoso. Até as convenções, o que
se verá é uma sucessão de puxadas de tapete, ajustes de última hora e compromissos
sendo reescritos com a naturalidade de quem nunca os assumiu. A política, nesse
intervalo, deixa de ser arte da articulação e assume sem disfarces sua vocação
para o improviso.
DESCARTE
Até lá, convém cautela com anúncios e euforias. No papel, há pré-candidatos. Na
prática, há sobreviventes em disputa. E, como de costume, será um Deus nos
acuda - com roteiro já conhecido, mas sempre capaz de surpreender na crueldade
dos detalhes. As convenções estão chegando e muita gente vai sendo descartado.
Na política, a palavra dada, invariavelmente, não vale nada.
ROBUSTOS
Como o cenário para
as eleições estaduais começa a ganhar contornos mais definidos, o PL, PSD e a
federação PP/União Brasil despontando como forças estruturadas e competitivas.
Essas legendas montaram nominatas densas para deputado estadual e também
robustas para a disputa federal, ancoradas em nomes já testados nas urnas e com
histórico eleitoral relevante. Em tese, trata-se de um ativo importante, capaz
de ampliar o potencial de votos e consolidar bancadas expressivas.
SACRIFÍCIO
Entretanto, o que é
virtude coletiva pode se transformar em dilema individual: a elevada
competitividade interna tende a sacrificar candidatos bem votados que, mesmo
com desempenho expressivo, podem ficar fora das vagas. A disputa, portanto,
será marcada por uma cogestão intensa de interesses e estratégias, onde nem
todos os protagonistas alcançarão êxito.
NANICOS
Paralelamente, dois
ou três partidos de menor expressão eleitoral na última disputa devem atingir o
quociente eleitoral, beneficiando-se da fragmentação do voto. No plano federal,
o cenário é mais restrito, mas não impenetrável. Com as novas regras de
distribuição de vagas decorrentes do cálculo eleitoral recentemente validado
pelo STF, abre-se uma fresta para que legendas menos competitivas também
conquistem espaço na bancada federal. Mas aí não é somente o cálculo que pesa:
é o percentual de votos que o candidato pode auferir individualmente.
IMPULSO
Esta coluna já havia
classificado a pré-candidatura do Delegado Camargo (Podemos) como uma incógnita
no cenário eleitoral, mas jamais descartou sua capacidade de ganhar densidade
ao longo da campanha. Havia, inclusive, a expectativa de que o movimento
natural da disputa, somado a um eventual apoio do prefeito da capital, Léo
Moraes - hoje um dos gestores mais bem avaliados do estado -, pudesse
impulsionar o projeto.
ARREFECEU
No entanto, nas
últimas semanas, o que se observa é um visível arrefecimento, tanto no ambiente
partidário quanto na postura do próprio pré-candidato. Após o fechamento da
janela partidária e a consolidação das nominatas, o cenário parece ter imposto
novos limites à viabilidade da candidatura.
SINAIS
Pode até ser uma
leitura precipitada ou fruto de uma observação ainda incompleta dos bastidores,
mas quem conhece o ritmo e as engrenagens de uma campanha eleitoral percebe
sinais claros quando um projeto perde tração. E, ao que tudo indica, a
pré-candidatura do Delegado Camargo dá mostras de ter minguado antes mesmo de
apresentar a vitalidade que este escriba, outrora, supunha possível.
ACINTE
Em Guajará-Mirim,
onde a administração municipal precisa de ajuda estadual e federal para honrar
compromissos básicos, manutenção urbana e políticas públicas minimamente
eficientes, a prefeitura decidiu brindar a população com um espetáculo de luxo:
a contratação da Bonde do Arrocha por quase meio milhão de reais.
PROVOCAÇÃO
A pergunta que ecoa -
e não encontra resposta - é simples: que prioridade é essa? Em um município
carente, com demandas urgentes e históricas negligências administrativas,
transformar o aniversário da cidade em um evento custoso soa menos como
celebração e mais como provocação.
DESCONEXÃO
A farra com dinheiro
público, ainda que embalada por música e aplausos, expõe uma desconexão
gritante entre quem governa e quem enfrenta diariamente a precariedade dos
serviços públicos.
EMENDA
Parte dos recursos utilizados vieram de emenda parlamentar, a situação se
agrava. É imperativo a posição de quem destinou, com qual finalidade e se há
ciência do destino dado ao dinheiro. Pelo que está sendo tornado público a
emenda seria supostamente da lavra do deputado estadual Alan Queiroz. O uso de
emendas para a área cultural é plausível, mas para sair correndo atrás de um
“Bonde do Arrocha” não justifica um gasto tão perdulário. Parlamentar
experiente, Alan Queiroz deveria destinar recursos para a saúde e não para
animar aniversário. Ele começou a percorrer os municípios pedindo votos e é uma
boa oportunidade para esquadrinhar suas emendas.
FLERTE
Em tempos em que
ex-prefeitos do município acumulam passagens pela Justiça por suspeitas de
irregularidades, repetir práticas questionáveis não é apenas imprudência - é um
flerte perigoso com a reincidência administrativa.
ESCÁRNIO
O atual prefeito,
Fábio Netinho, parece ignorar o histórico recente dos antecessores e
insiste na mesma toada que já levou outros ao descrédito e à barra dos
tribunais. Mais do que nunca, o caso exige atenção rigorosa dos órgãos de
controle. Porque, ao que tudo indica, não se trata apenas de um show caro, mas
de um roteiro conhecido - onde o contribuinte paga a conta e a transparência
fica fora do palco. Será o aniversário do escárnio.
BOI
A contratação já
tomou contornos nacionais, mas no município o escândalo é a roupa curta que a
timoneira do vocal do bonde usa. Oxalá que Netinho crie juízo e tome outro
bonde bem mais barato. E o deputado estadual Alan Queiroz destine suas emendas
individuais para que a área da cultura de Guajará-Mirim possa realizar este ano
uma linda e maravilhosa festa do Boi Bumbá e que é uma tradição cultural
naquela faixa de fronteira.
DEMISSÕES
O Chefe do Executivo
Estadual resolveu passar a lâmina nos cargos comissionados que orbitavam a
vice-governadoria - corte seletivo, como convém. A maioria dessas funções
sempre serviu mais à engenharia política do que à eficiência administrativa, e
ninguém ali desconhecia a realidade. Convém registrar: não se trata de uma
limpeza total; ainda restam quadros fiéis ao vice Sérgio Gonçalves.
COICE
O gesto, embora pouco
usual em tempos de convivência eleitoral, costuma aparecer quando a relação
institucional azeda nos bastidores. Do ponto de vista legal, nada a contestar -
cargos de confiança seguem a lógica de quem confia. Mas na política, como se
vê, a liturgia é outra: primeiro a queda, depois o coice.
TRAIÇÃO
Não é a primeira vez
em Rondônia que a relação entre governador e vice são cortadas em razão de
supostas traições, Ivo Cassol, quando governador, fez o mesmo com a
vice-governadora Odaísa Fernandes. E não será a última.
PODCAST
Hoje, já disponível no YouTube, veja a entrevista reveladora da
ex-deputada federal Jaqueline Cassol que, além de confirmar pré-candidatura a
deputada federal, revela os problemas emocionais que passou com uma suposta
acusação de ser mandante de assassinato de uma funcionária (forjada para
desgastá-la politicamente) e um abuso que teria sido vítima ainda quando
criança. Confira.
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