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Robson Oliveira

Marcos Rocha deixou claro que pretende liderar o PSD no estado, e eleger o maior número de candidatos


Marcos Rocha deixou claro que pretende liderar o PSD no estado, e eleger o maior número de candidatos - Gente de Opinião

JUSTIÇA
A decisão da Justiça Federal que condena a Funai e a Santo Antônio Energia a cumprir integralmente as medidas compensatórias previstas no Plano Básico Ambiental – Componente Indígena (PBA-CI) não representa ativismo judicial, mas cumprimento rigoroso da lei. Grandes empreendimentos não podem operar à margem das condicionantes que viabilizaram seu licenciamento. Quando há falhas e atrasos na execução dessas obrigações, rompe-se não apenas um cronograma administrativo, mas o pacto institucional firmado com os povos indígenas impactados. Em Rondônia, onde os efeitos sociais e ambientais de obras estruturantes são permanentes, garantir diagnóstico, reavaliação de impactos e proteção a povos isolados é medida civilizatória. Desenvolvimento não pode significar atropelo de direitos originários.

HOSTILIDADE
Em nosso estado, defender povos indígenas, reservas ambientais e políticas de proteção socioambiental tornou-se, para muitos, um ato de resistência. Segmentos políticos influentes — especialmente ligados ao agro mais radicalizado — tratam qualquer política de preservação como obstáculo ao crescimento econômico. Povos originários são frequentemente relegados à condição de entraves ideológicos, quando são titulares de direitos constitucionais expressos. A polarização política agravou o ambiente, tornando hostil o espaço público para quem defende comunidades vulneráveis e o meio ambiente. Decisões judiciais firmes funcionam, nesse cenário, como contenção institucional contra a erosão de garantias fundamentais. A coluna conhece político que vive sob ameaça e proibido inclusive de visitar município com receio de levar uma bala.

FACHADA
Embora a esquerda não apresente força eleitoral consistente para vencer o governo estadual, os candidatos da direita travarão uma disputa retoricamente polarizada. A estratégia será colar no adversário vínculos históricos com a esquerda e fabricar rótulos ideológicos convenientes. A maioria dos postulantes construiu trajetória ancorada em agendas conservadoras. A retórica tende a mobilizar paixões, mas dificilmente revelará diferenças programáticas profundas.

ALGORITMOS
A manipulação de narrativas ganhará força com o uso intensivo das redes sociais. Recortes de falas serão amplificados para rotular adversários. Enquanto o debate permanecer restrito a essas disputas simbólicas, problemas estruturais — diversificação econômica, infraestrutura, sustentabilidade fiscal, educação, saúde e inovação — ficarão à margem. Crescem sinais de campanhas personalistas, centradas na imagem e não na apresentação de soluções concretas.

IMPROVÁVEL
Com a aproximação do fim de março e início de abril, o cenário eleitoral tende a sofrer reconfigurações importantes. Desistências estratégicas, novas candidaturas e rearranjos partidários devem embaralhar o jogo. Rondônia tem histórico de definições tardias. O quadro é fluido e ainda comporta surpresas.

ABERTA
Não há favoritismo consolidado. A tradição eleitoral rondoniense é de campanhas intensas, disputadas voto a voto, muitas vezes decididas nas curvas finais. Previsões definitivas, neste momento, são arriscadas.

SURPRESAS
Marcos Rogério (PL), Adailton Fúria (PSD) e Hildon Chaves (Republicanos) aparecem mais bem posicionados, nessa ordem. Delegado Flori (Podemos) trabalha para consolidar viabilidade competitiva. Até aqui, não surge outro nome com força suficiente para alterar substancialmente o cenário. A disputa promete ser dura, com peso maior para trajetória administrativa, capacidade de gestão e posicionamento político claro — embora apoios sejam sempre relevantes.

ARTICULAÇÃO
A entrevista do governador Marcos Rocha ao podcast Resenha Política atraiu audiência expressiva, especialmente quando afirmou, de forma peremptória, que está fora das eleições de 2026. A declaração reduz especulações e reorganiza o tabuleiro. Ao mesmo tempo, Rocha deixou claro que pretende liderar o PSD no estado, com a meta ambiciosa de eleger o maior número possível de deputados estaduais e federais. Reafirmou ainda apoio à pré-candidatura de Adailton Fúria ao governo, sinalizando que, mesmo fora da disputa majoritária, continuará influente no processo eleitoral por meio da articulação partidária.

CARNAVAL
Nesta quinta-feira, o Resenha Política recebe Ciça Andrade, presidente da tradicional Banda do Vai Quem Quer. A expectativa é de um Carnaval grandioso, com promessa de arrastar mais de duzentas mil pessoas no sábado carnavalesco pelas ruas da capital. Cultura popular e política, aliás, muitas vezes se cruzam na dinâmica local. E fica o aviso aos ouvintes: na terça-feira de Carnaval o podcast não estará no ar, em razão das festividades. Retornamos na programação seguinte, após a folia.

SIMBIOSE
A homenagem ao presidente Lula por uma escola de samba do Grupo Especial no Carnaval do Rio de Janeiro, em um ano eleitoral e marcado por forte polarização, revela-se um movimento politicamente sensível e estrategicamente questionável. A trajetória do presidente possui, sem dúvida, densidade histórica e elementos narrativos capazes de sustentar um enredo consistente. O problema não está no personagem em si, mas no contexto. Ao levar para a avenida uma figura política em pleno ambiente de disputa ideológica acirrada, a escola corre o risco de judicializar simbolicamente uma festa que é patrimônio cultural e vitrine mundial do Brasil. Carnaval é expressão artística e popular — e a arte é livre —, mas a simbiose direta com a política partidária, em momento tão tensionado, tende a ampliar antagonismos. O resultado previsível é a transferência da polarização para a Sapucaí, com aplausos e vaias dividindo arquibancadas e desviando o foco daquilo que deveria ser central: o espetáculo, a cultura e a celebração coletiva.

INVESTIGAÇÃO
Gigante privada do saneamento, controlada pela holding Montese (famílias Toledo e Vettorazzo), a Aegea expandiu sua presença pelo país na última década acumulando concessões de água e esgoto, sobretudo em municípios médios e pequenos. Essa expansão, no entanto, foi atingida por acordos de colaboração e leniência firmados após executivos admitirem, em delação homologada pelo STJ em 2025, o pagamento de propinas entre 2010 e 2018 para obtenção ou manutenção de contratos. O acordo prevê pagamento de R$ 439 milhões e envolve fatos ainda sob sigilo judicial.

RADAR
Entre os estados mencionados nos anexos da delação — cujo conteúdo permanece sob sigilo — constariam referências a supostas propinas direcionadas a agentes políticos em municípios de Rondônia onde a empresa mantém contratos para expansão dos serviços de água e esgoto. Há investigações em andamento. Como os termos ainda não vieram a público oficialmente, trata-se de apontamentos sob apuração, mas que já colocam o ambiente político local em estado de atenção.

ABALO
Até o momento, nenhum nome da política rondoniense veio a público. Ainda assim, a empresa elenca Rondônia entre os estados em que supostamente teria ocorrido pagamento de vantagens indevidas, segundo os termos da delação homologada e mantida sob sigilo. Caso as investigações confirmem que agentes públicos receberam benefícios ilícitos para viabilizar a instalação ou manutenção das concessões, o estado poderá assistir a um novo escândalo de grandes proporções. O impacto não seria apenas jurídico, mas também eleitoral e institucional, especialmente em um ambiente político sensível a denúncias envolvendo contratos públicos de grande porte. Por ora, prevalece a presunção de inocência — mas o potencial de desgaste é evidente.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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