Terça-feira, 13 de janeiro de 2026 - 15h55

ANIVERSÁRIO
Nos últimos anos, por razões demais para serem listadas sem enfado,
tenho evitado convites de políticos para festas, convescotes e celebrações onde
a hipocrisia costuma brindar antes do bolo. Domingo, contudo, abri uma exceção
e compareci ao aniversário do prefeito da capital, Léo Moraes (Podemos).
PACIFICADOR
Ao chegar ao clube social da OAB-RO, local da comemoração, deparei-me
com uma multidão que sacrificou o fim de semana em família para homenagear o
aniversariante. Havia de tudo: deputados federais e estaduais, prefeitos,
vereadores. Esquerda e direita dividindo o mesmo espaço, sem gritos, sem
xingamentos, sem o histrionismo que infesta as redes sociais e os grupos de
WhatsApp. Um fenômeno sociológico raro. Léo Moraes demonstrou, com a própria
festa, que ainda é possível divergir politicamente sem se comportar como
selvagem.
RESPEITO
Todas as mídias nacionais que avaliam a popularidade dos prefeitos das
capitais anunciam índices de aprovação superiores a noventa por cento, obtidos
pela alquimia estatística de somar “ótimo”, “bom” e até “regular”, o
aniversário ofereceu uma medida mais concreta: Léo é, de fato, respeitado pela
maioria da classe política. A popularidade é real.
FUTURO
No discurso improvisado, reconheceu o peso da responsabilidade que
carrega, admitiu erros e afirmou tentar corrigi-los com rapidez. Ao final,
traído pela empolgação, não resistiu a enviar recados a desafetos bem conhecidos.
Nada que comprometesse a noite. A festa foi boa, animada, e o prefeito inicia
seu segundo ano de gestão com os dois pés fincados no futuro e de bem com o
eleitor.
ALTERNATIVA
Infelizmente para o estado, e felizmente para Porto Velho, Léo Moraes
não sinalizou disposição para torrar seu capital eleitoral numa aventura
estadual, renunciando ao cargo para disputar o governo. Do ponto de vista
eleitoral, seria uma alternativa real à polarização previsível entre Marcos
Rogério (PL) e Adaílton Fúria (PSD).
CENÁRIO
Com Léo no páreo, o tabuleiro estadual poderia ser redesenhado,
obrigando caciques acomodados a refazer cálculos que hoje tratam a polarização
como destino manifesto. Mas o prefeito não piscou até agora em direção ao
Palácio Rio Madeira, tampouco sondou discretamente amigos comuns. Ainda assim,
a especulação serve ao menos para animar um cenário modorrento.
REJEITADO
Não está claro onde pretende chegar o ex-deputado federal Expedito Neto
(PSD) ao plantar notas na mídia sugerindo que o PT o deseja como candidato a
governador. A coluna apurou, junto a um dirigente petista respeitado, que foi o
próprio Neto quem pediu audiência à Executiva Estadual, pedido prontamente
atendido, já que ele se declara eleitor de Lula. Mas não há nada de concreto
sobre candidatura a governador.
PERFIL
A eventual candidatura de Expedito Neto, porém, não empolga a militância
petista. Quem conhece as entranhas do PT sabe que a legenda costuma rifar
quadros históricos desalinhados com a tendência majoritária. Imagine, então,
abraçar um político conhecido por arroubos verbais, pouca tolerância a
divergências e nenhuma familiaridade com o funcionamento interno do partido. O
temperamento que ostenta, confrontado com o do petismo, é nitroglicerina pura.
CONSTRANGIMENTO
Este escriba também ouviu outros dois expoentes petistas. O Diretório
Regional não leva a postulação a sério e evitará polemizar publicamente apenas
porque o interessado declara voto em Lula. As movimentações de Neto
constrangem, na verdade, o pai, Expedito Júnior, presidente do PSD, que
trabalha com afinco pela candidatura de Adaílton Fúria. Quem conhece o PT e
conhece Neto sabe que essa relação nasce com prazo de validade vencida.
INCOMODADO
A coluna conversou também com Expedito Júnior, presidente do PSD. Foi
direto: o filho é maior de idade, tem CPF próprio e age por conta própria.
Lamentou, porém, que a flertada pública com o PT gere desgaste político e
dissabores familiares. Garantiu que o PSD segue firme com Adaílton Fúria e que
os movimentos do filho incomodam, mas não interferem na estratégia do partido.
PRESIDÊNCIA
Expedito Júnior adiantou ainda que o PSD deve indicar candidato próprio
à Presidência da República, com nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho
Júnior. Quem for o ungido nacionalmente será também o presidenciável de
Adaílton Fúria em Rondônia. Lula, definitivamente, não está nos planos do PSD
local.
PEDIGREE
A adesão inusitada do ex-parlamentar aos quadros da esquerda faz sangrar
a candidatura direitista de Fúria não apenas pelo gesto em si, mas pelo
simbolismo. Trata-se de alguém que presidiu o PSD até dias atrás e, detalhe
nada irrelevante, é filho de quem é. Em política, pedigree pesa. Às vezes, mais
do que ideias.
ÓDIO
Não é segredo para ninguém que o PT rondoniense mantém uma relação quase
uterina com o empresário da Cascavel, Acir Gurgacz (PDT). Este, por sua vez,
cultiva um ódio mortal por Expedito Júnior e não aceitará, em hipótese alguma,
que a frente de esquerda seja representada justamente pelo rebento do desafeto
a quem atribui, com fervor quase religioso, a responsabilidade por todos os
infortúnios penais que passou a enfrentar a partir de 2018.
PEDÁGIO
Todos desejam que a BR-364 seja uma via expressa capaz de suportar um
volume de tráfego muito maior do que aquele de quarenta anos atrás, quando foi
inaugurada. É evidente que não há recursos disponíveis para investimentos
volumosos em infraestrutura, especialmente em uma rodovia cravada entre rios e floresta,
como é a velha 364 que corta Rondônia ao meio. A restauração da 364, com a
cobrança de pedágio, era algo inevitável para que a iniciativa privada pudesse
aportar os recursos de que o Tesouro Nacional não dispõe. Até aí, nada contra.
A privatização, com a adoção do pedágio, era a única opção viável no cenário
atual.
PROMESSA
O que está ocorrendo em Rondônia, contudo, é bem diferente do que se viu
na privatização de rodovias em outros estados. A Nova 364 passou a cobrar
pedágio antes de realizar as obras de duplicação e restauração. Isso significa
que os recursos pagos nas praças de pedágio é que deverão formar o caixa
necessário para a execução das obras. Em bom português, começamos a pagar por
uma via expressa segura, com duplicação e restauração, sem que nada disso tenha
sido entregue. O consórcio recebe antecipadamente, sustentado apenas pela
promessa de executar os serviços no futuro.
AÇÃO
A cobrança e os valores do pedágio são tão vergonhosos que provocaram
reação dos rondonienses e causaram desgaste nos membros da bancada federal,
omissa no processo e incompetente na ação. O que se vê são políticos medíocres
se esquivando de responsabilidades e culpando terceiros como estratégia para
enganar o eleitor. Como estamos em ano eleitoral, é hora de cobrar vergonha na
cara e mandar essa bancada para casa. É a única ação que resta ao contribuinte
enganado.
FICA
Como previsto por esta coluna ainda em novembro passado, o governador Marcos
Rocha declarou publicamente, pela primeira vez, no programa de TV do jornalista
Everton Leoni, que deverá permanecer no governo, recuando da pré-candidatura ao
Senado Federal. A previsão estava assentada em premissas e observações sólidas,
construídas ao longo do tempo, a partir das quais fomos formando opiniões e
percepções consistentes.
MILAGRE
Mesmo reconhecendo que não pretende entregar o governo a quem o traiu, Marcos
Rocha deixou uma pequena fresta para um futuro incerto ao admitir que poderá
voltar a cogitar uma candidatura ao Senado se for da “vontade de Deus”. Para
decifrar o milagre — ser candidato e, ao mesmo tempo, não entregar o governo a
quem o traiu — só restam duas hipóteses: algum contratempo jurídico que impeça
o vice de assumir a titularidade ou, quem sabe, um castigo dos céus. Há quem
acredite em milagres. O governador é um exemplo.
ACABOU
A decisão de Marcos Rocha não prejudica apenas os planos iniciais da esposa e
do irmão, que pretendiam disputar, respectivamente, as vagas de deputada
federal e deputado estadual. Ela praticamente sepulta a pré-candidatura do
vice-governador Sérgio Gonçalves. Sem a máquina na mão, Sérgio — que nunca foi
um líder político — não tem nada a oferecer aos partidos nem aos candidatos
numa disputa cara e competitiva. O sonho de o vice-governador chegar ao comando
do Palácio acabou ontem. Em poucos dias, os que ainda orbitam ao seu redor
devem começar a evitá-lo e seguir em busca de candidaturas sólidas e viáveis.
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