Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026 - 10h24

MANIPULAÇÃO
As mídias
digitais revolucionaram os meios convencionais pelos quais o cidadão acessa
informações, oferecendo em tempo real uma gama quase infinita de notícias. O
problema é que, com elas, surgiu também uma “nova verdade”, hoje conhecida como
fake news. O que no passado era apenas uma “barrigada”, no jargão jornalístico,
transformou-se em versões falsas reproduzidas de forma acintosa, rápida e
viral, a ponto de a mentira assumir contornos de verdade.
Um
exemplo clássico em Rondônia é a falsa narrativa de que uma lei aprovada pela
Assembleia Legislativa teria sido feita para atender especificamente a
Energisa. Se isso fosse verdade, seria flagrantemente inconstitucional, pois
não se pode legislar para atender interesses individuais, sejam de pessoas
físicas ou jurídicas.
REFIS
O que o
Governo de Rondônia fez — assim como fazem estados e municípios em todo o país
— foi encaminhar um Projeto de Lei ao Poder Legislativo criando um programa de
refinanciamento de débitos tributários. O objetivo é permitir que empresas,
grandes ou pequenas, quitem pendências fiscais sem o acréscimo de juros
punitivos.
Isso não
configura renúncia fiscal, como afirmam desinformados de ocasião. Trata-se de
um instrumento jurídico legal, utilizado há décadas, para incrementar a
arrecadação e evitar a falência de empresas. Muitos empresários e cidadãos
comuns já recorreram ao Refis para regularizar dívidas e manter seus negócios.
Ainda assim, há quem critique o mecanismo quando ele alcança empresas maiores,
como se o benefício pudesse ser exclusivo. Eis a má-fé travestida de crítica
moral.
ENERGISA
Antes que
se diga que esta coluna faz defesa da Energisa ou que exista algum vínculo de
patrocínio, é preciso esclarecer: o refinanciamento de créditos tributários é
prática consolidada no sistema tributário nacional. Estados e municípios o
utilizam para regularizar passivos, preservar atividades econômicas e garantir
arrecadação futura.
Sem esse
instrumento, muitas empresas quebrariam e jamais quitariam seus débitos,
causando prejuízo ainda maior ao erário.
FAKE
Embora
todas as grandes empresas devedoras sejam alcançadas pelo Refis, apenas a
companhia de energia virou a “Geni” das narrativas distorcidas. É falso afirmar
que a lei anistia dívidas. O que se exclui são juros extorsivos, que inviabilizam
negócios e empregos.
O Tesouro
estadual arrecadará milhões com o Refis, ao contrário do que propagam as fake
news. Parte expressiva desse montante será repassada aos municípios. Porto
Velho, por exemplo, deverá receber cerca de cinquenta milhões de reais. Não por
acaso, a Associação dos Prefeitos foi uma das principais defensoras da
proposta. Curiosamente, os prefeitos não foram alvo das críticas, o que revela
o verdadeiro objetivo da desinformação: desgastar o governo e o parlamento.
CRÍTICA
É função
do jornalismo informar e criticar governos e empresas que não se comportam de
forma ética. Um país livre é aquele que garante o direito à informação sem
censura ou amarras. Mas é também dever ético apurar corretamente os fatos,
evitando manipulações que transformem mentira em verdade.
Por isso,
os Tribunais Eleitorais têm se mostrado vigilantes neste ano eleitoral. Uma
fake news, uma vez lançada, produz estragos muitas vezes irreversíveis.
INSANIDADE
O país
está tão conflagrado pela polarização entre lulistas e antilulistas que até
políticas públicas elementares viram disputa ideológica. O programa “Gás do
Povo”, destinado a fornecer botijões de gás a famílias humildes, foi atacado
como se fosse heresia política.
Só um
parlamentar desprovido de sensibilidade social vota contra um projeto de
alcance social tão evidente. A polarização atrai, além de fanáticos, gente
incapaz de qualquer gesto mínimo de generosidade.
POLARIZAÇÃO
Os
números obtidos por Jair Bolsonaro na última eleição presidencial reaparecem,
com variações mínimas, nas pesquisas atuais envolvendo seu campo político. Isso
demonstra que a polarização permanece sólida e tende a se repetir. Lula, por
sua vez, enfrenta um antilulismo consolidado, que explica a manutenção do
embate binário. O centro político segue fragmentado e incapaz, até agora, de
romper essa lógica.
PROBABILIDADE
Pesquisas
indicam favoritismo de Lula em diversos cenários, mas também revelam fadiga do
eleitorado. O presidente é um líder histórico, porém carrega limitações naturais
de um político em final de carreira. Seu capital simbólico permanece relevante,
sobretudo no exterior, mas internamente enfrenta resistência crescente. A
eleição tende a ser decidida menos pela paixão e mais pelo medo de
aprofundamento da polarização.
MEDÍOCRE
Independentemente
das preferências ideológicas, Flávio Bolsonaro nunca se destacou como
parlamentar. Sua trajetória na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi
marcada pelo escândalo da rachadinha, cuja investigação foi anulada por
questões processuais que ainda causam perplexidade. Ainda assim, demonstra
musculatura eleitoral suficiente para enfrentar Lula, para surpresa de petistas
e céticos. A disputa será definida pelo eleitor de centro, atento aos riscos da
radicalização.
VITÓRIA
Lula segue
competitivo, mas seu brilho político já não é o mesmo do passado. Gafes
recorrentes e dificuldades em improvisar revelam um líder que carrega cacoetes
de outra era. Por isso, sua campanha tende a ser cada vez mais controlada.
Ainda assim, permanece como o nome progressista brasileiro mais respeitado
internacionalmente.
DIREITA
Em
Rondônia, três candidatos da direita despontam como principais concorrentes ao
governo. A disputa entre eles passa pela tentativa de se apresentar como o mais
conservador, especialmente nos debates. Caso a polarização nacional contamine o
cenário estadual, o apoio explícito de lideranças bolsonaristas poderá pesar.
Marcos Rogério tende a ser beneficiado, embora ainda não seja claro se isso
será suficiente para garantir a vitória.
RONDÔNIA
No
segundo turno, a influência do cenário nacional pode ser decisiva. Em Rondônia,
o petismo é demonizado por parcelas expressivas do eleitorado, tanto pobre
quanto rico. Isso cria um ambiente adverso para qualquer candidatura
identificada com a esquerda. Vencer exigirá diálogo com o centro e habilidade
para neutralizar o discurso ideológico radicalizado.
CASSOL
É risível
o debate nas redes sobre o suposto apoio de Ivo Cassol após uma foto
protocolar. Todos desejam sua adesão, e a gritaria parte justamente de quem
almejava o mesmo gesto.
Convém,
contudo, não superestimar esse apoio. Cassol gosta de ser bajulado, mas não
tolera ver outro na cadeira de governador. Seu respaldo costuma ser protocolar,
fotográfico e sem convicção. Amor a Rondônia nunca foi seu traço dominante.
Ingênuo é quem cai em suas esparrelas.
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