Quinta-feira, 16 de abril de 2026 - 11h20

INTROSPECÇÃO
Hoje, esta coluna -
que tem como primazia a análise do cenário estadual - abre uma brecha, ainda
que modesta, para refletir sobre o que assistimos, quase inertes: o
aprofundamento da crise de credibilidade que assola as instituições e alcança
seus próprios membros. Trata-se de um exercício de introspecção que exigiu do
redator paciência redobrada, a fim de não ser traído pela indignação diante do
que presencia. Houve também o cuidado de não resvalar na interpretação fácil de
conivência ou moderação do caos. Caminha-se sobre uma linha tênue, capaz de
despertar a ira dos extremismos de um lado e de provocar o senso comum de
outro. Ainda assim, é tarefa indeclinável do bom jornalismo não se furtar ao
enfrentamento do precipício. Porque silenciar, nesses tempos, é também uma
forma de consentir.
INSTITUIÇÕES
É sempre um sinal
inquietante - quase um sintoma de erosão civilizatória - quando o tecido social
passa a desconfiar das instituições que, por vocação, deveriam lhe servir de
alicerce. As instituições não são meros arranjos burocráticos: são, na
essência, instrumentos de mediação que permitem à sociedade substituir a força
pela norma, o arbítrio pelo direito. Como já advertia Montesquieu, “não há
liberdade se o poder de julgar não estiver separado dos demais poderes”. E, por
conseguinte, não há ordem quando esse poder deixa de inspirar confiança.
STF
Nesse contexto, o
atual descrédito que recai sobre o Supremo Tribunal Federal não pode ser
tratado como mera flutuação de opinião pública. Justo ou não - e essa distinção,
por si só, já exigiria exame detido - o fenômeno revela um descompasso entre a
Corte e o espírito do tempo, uma fratura entre a expectativa social e a entrega
institucional.
ISENÇÃO
A Justiça, que
deveria ser percebida como isenta, técnica e equânime, passa a ser vista sob o
prisma da suspeição. E, como ensina o velho brocardo jurídico, “justiça
tardia ou desacreditada não é justiça”. A crítica geral não está apenas em
direção a Suprema Corte, afeta ao sistema judicial como um todo. É nele que
desagua o descrédito.
IRONIA
A perda de
credibilidade, nesse cenário, não é um detalhe periférico: é uma mutilação da
própria razão de ser da instituição. Afinal, “a autoridade do direito
repousa menos na força de suas decisões do que na confiança que inspira”,
como ecoa o pensamento de Hans Kelsen. Paradoxalmente, trata-se da mesma Corte
que, em momentos críticos recente, ergueu-se como muralha contra investidas que
ameaçavam o Estado Democrático de Direito, repelindo, sem hesitação, impulsos
de ruptura institucional. Eis a ironia trágica: aquela que foi barreira contra
o abismo agora vê sua legitimidade ser questionada à beira dele.
AUTOFAGIA
Convém recordar que
instituições são maiores que os homens que as ocupam. Estes são transitórios;
aquelas, perenes - ou deveriam ser. O problema emerge quando a conduta de seus
membros, ou de parte deles, contribui para o desgaste contínuo da confiança
pública, num processo quase autofágico que conduz à negação de sua própria
autoridade. Como advertia Rui Barbosa, “a pior ditadura é a do Poder
Judiciário”, não no sentido de sua existência, mas na hipótese de sua
deformação.
AUTOCONTENÇÃO
O compromisso com as
instituições, portanto, não é monopólio de seus integrantes. É um dever
compartilhado com a sociedade e, sobretudo, com a classe política, que não
raras vezes contribui para a desmoralização que depois denuncia. Talvez seja
chegada a hora de discutir, com sobriedade e sem paixões sectárias, a forma de
composição da Suprema Corte. Reformas institucionais não são, por si, heresias;
ao contrário, podem ser atos de preservação.
VENENO
Entretanto, há
perigos no horizonte. Iniciativas como o impeachment de ministros - ainda que
previstas na ordem constitucional e com elementos robustos - carregam o risco
de abrir precedentes temerários, sobretudo em um ambiente parlamentar que
também não está imune a vícios e desvios. A história ensina que remédios
institucionais mal administrados podem agravar a enfermidade que pretendem
curar.
EXEMPLO
Outros modelos
internacionais existem, e deles se pode extrair inspiração. Afinal, “o
direito comparado é a experiência alheia convertida em prudência própria”.
Importa, contudo, discernir: copia-se o que aperfeiçoa, não o que degrada.
MODERAÇÃO
A crise, como se vê,
é difusa e transversal. Não há pureza absoluta nesse cenário - apenas graus
distintos de responsabilidade. E é precisamente por isso que se exige a atuação
dos que ainda preservam algum compromisso com a moderação, com a racionalidade
e com o interesse público. Sem extremismos, sem retóricas inflamadas, sem a
obscenidade política que degrada o debate.
CAOS
Porque, no fim, as
instituições são o último anteparo contra a barbárie. E quando até elas
vacilam, resta à sociedade decidir se as reconstrói - ou se assiste, inerte, à
sua lenta dissolução.
APLAUSOS
Há momentos em que a
política abandona qualquer pretensão de grandeza institucional e se rende, sem
pudor, ao teatro - não o teatro nobre das ideias, mas a encenação vulgar
destinada a arrancar aplausos fáceis de uma plateia já exausta. O indiciamento
dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli no âmbito de
uma CPI concebida para investigar o crime organizado inscreve-se, com tintas
carregadas, nesse registro de distorção institucional. Embora o trio ande
eventualmente ultrapassando o limite legal das funções.
LIMITES
Não se ignora que os
três magistrados figuram entre os mais expostos ao escrutínio público, alvos
constantes de críticas e suspeições - algumas legítimas, outras nem tanto -,
especialmente diante de episódios nebulosos que orbitam o chamado escândalo do
Banco Master. Ainda assim, há um limite que separa a investigação séria da
manipulação oportunista. E esse limite foi ostensivamente ultrapassado quando
uma comissão parlamentar, criada com finalidade específica, desviou-se de seu
objeto para alcançar alvos que, por mais controversos que sejam, não guardam
pertinência direta com o escopo originário dos trabalhos.
ESPETÁCULO
Mais grave: o gesto
foi consumado sem que se garantisse aos indiciados o direito elementar ao
contraditório - princípio que, como ensinava Francesco Carnelutti, constitui a
“alma do processo justo”. Quando se acusa sem ouvir, não se faz justiça;
encena-se um veredito. E quando o processo se transforma em espetáculo, o
direito cede lugar à conveniência.
VINGANÇA
O papel desempenhado
pelo relator, o senador Alessandro Vieira, revela contornos ainda mais
inquietantes. Forjado na tradição policial, jamais parece ter abandonado a
postura inquisitorial, agora transposta para o ambiente político. Ao invés de
se conduzir como legislador, operou como acusador movido por ressentimento -
uma figura que lembra mais os velhos tribunais de exceção do que os cânones
republicanos. Ao instrumentalizar a CPI para fins que extrapolam sua
finalidade, distorceu normas, violentou procedimentos e, sobretudo, comprometeu
a própria credibilidade do Parlamento.
REVANCHE
Há, nesse episódio,
um traço inequívoco de retaliação. Não se trata de zelo institucional, mas de
revanche travestida de fiscalização. E como já advertia Norberto Bobbio, “o
poder sem limites tende a degenerar em abuso”. Aqui, o abuso não está apenas no
alvo, mas na forma.
OCULTAÇÃO
O contraste torna-se
ainda mais gritante quando se observa o silêncio eloquente do relatório final
em relação aos verdadeiros protagonistas do crime organizado. Nenhum capo de
facções como o Comando Vermelho, PCC e nenhuma engrenagem visível das
estruturas criminosas, sequer um aceno mais contundente aos vínculos promíscuos
entre política e ilegalidade.
OMISSÃO
Tampouco foram
mencionados parlamentares cuja proximidade com tais práticas é, no mínimo,
objeto de suspeição pública. O que se viu foi o oposto: omissões seletivas,
blindagens convenientes e uma curiosa miopia investigativa.
PALANQUE
Nesse cenário, a CPI
- que deveria ser instrumento de depuração republicana - converteu-se em peça
de propaganda eleitoral. Um palanque improvisado onde se trocam provas por
narrativas, rigor por aplausos, e responsabilidade por dividendos políticos.
Como ensina o velho axioma jurídico, “os fins não justificam os meios” -
e menos ainda quando os meios são flagrantemente ilegítimos.
INTRUMENTALIZAÇÃO
O resultado é
devastador: não apenas se agrava a crise de confiança nas instituições, mas
também se reforça a percepção de que tudo - absolutamente tudo - pode ser instrumentalizado.
O Judiciário, o Legislativo, os mecanismos de controle: nada escapa à lógica da
disputa rasteira.
VALA
E assim, nessa
miscelânea de excessos, todos acabam arrastados para a mesma vala comum da
desmoralização. O cidadão, já saturado de dissonâncias e farsas, assiste a esse
espetáculo com crescente desalento. Não há mais surpresa, apenas cansaço. E
talvez esse seja o dado mais perigoso de todos: quando a indignação cede lugar
à indiferença, a própria ideia de República começa a se esvair.
AMEAÇA
Porque não será pela
via do arbítrio, ainda que disfarçado de justiça, que se reconstruirá a
confiança pública. Ao contrário: cada abuso cometido em nome de uma
suposta correção apenas aprofunda a fratura que ameaça engolir as
instituições. E, no limite, como já se disse, quando todos perdem, ninguém
vence - exceto o descrédito.
PODCAST
O ex-secretário de
Estado de Finanças, Luís Fernando, pré-candidato ao Senado pelo PSD, é o
entrevistado desta quinta-feira no podcast Resenha Política. Novato
na política e sem recorrer às artimanhas dos adversários, ele fala sobre suas
posições para o Congresso Nacional.
APRENDIZ
Ciente de que a
campanha será árdua, especialmente para quem não vem do meio político,
demonstra otimismo ao se apresentar ao eleitor como uma alternativa nova ao
Senado Federal. Apesar de ser reconhecido como um excelente técnico da
burocracia estadual, Luís afirma que está em processo de adaptação à dinâmica
política e entusiasmado com a possibilidade de disputar a vaga que, a
princípio, seria destinada ao governador Marcos Rocha, responsável por sua
indicação.
ATALHO
O prefeito da capital
Léo Moraes e o senador Marcos Rogério anunciaram, para breve, o início das
obras de ligação entre a BR-324 e o porto de Porto Velho. Trata-se de uma
intervenção estratégica para a mobilidade urbana da cidade. A proposta é
retirar do centro o intenso fluxo de carretas que, diariamente, sobretudo no
período da safra de grãos, provoca congestionamentos e transtornos. Além disso,
o tráfego pesado tem sido responsável por inúmeros acidentes ao longo das vias
urbanas. O anúncio, portanto, é digno de comemoração por parte da população.
Ontem, em Brasília, os dois estiveram nos órgãos federais responsáveis para
acertar os detalhes da obra.
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