Sábado, 27 de maio de 2023 - 13h59

Por que temos apologia
institucional à escravidão, declarações senatoriais de racismo, ataque frontal
e destruição do meio ambiente, do IBAMA, da FUNAI, ameaças explícitas aos povos
tradicionais, indígenas?
Porque, em 2023, vemos
desfilar o nível parasitário, as características golpistas, a essência
destruidora da dignidade humana, sob a regência da forma atual do Estado
Burguês no Brasil.
Porque estamos
mergulhados num abjeto estágio antimoderno, fascista, disruptivo da dignidade
humana.
Porque as condições
estruturais do nosso atual capitalismo de barbárie não são sutis, são racistas,
expoentes da mentalidade escravista. Além de sermos dominados pelo rentismo;
porém, como pós-modernidade racista e escravista.
Há um eterno retorno ao
miolo da nossa Modernidade Tardia, sempre nos arrastando para o limbo da
história.
No Brasil, o Estado
Democrático de Direito é uma ofensa à nação colonizada, incapaz de subverter a
lógica de exceção centenária.
No Brasil, o Estado
Democrático de Direito é a antítese burguesa, por mais irônico que pareça. Como
se fosse o rescaldo cínico da história da Revolução Burguesa que não se
concretizou: o 15 de novembro é cria de golpe militar.
Porque estamos presos
ao círculo vicioso que mantém, alimenta com "rendimentos", uma
autocracia burguesa (com espírito social de casta), e que ainda se defende com
a forma-Estado plutocrática e insinuante à oclocracia: o próprio regime de
governo do lumpem-proletariado, do Homo sacer que nega a epistemologia do Homo
sapiens.
Não é à toa que os
únicos punidos pelo 8 de janeiro são os "pobres de direita": famosos
nas crônicas políticas e policiais.
Estamos nesse nível
porque os pobres de direita são punidos duas vezes: primeiro conhecem, desde a
gestação, a pior excrescência oriunda da
clivagem e desigualdade social, depois, ao pobre de direita, é
apresentado o pior "rigor da lei do mais forte".
Enfim, porque o
"pior rigor da lei do mais forte" é proveniente dos donos do poder e
da Bolsa de Valores. Rigor legal, mas, sobretudo, seletivo, e que está pronto
para camuflar as benesses e os privilégios das ditas autoridades maculadas de
injustiça.
Porque o Judiciário,
aplicador da lei, não se aplica à justiça, uma vez que os privilégios das leis
privadas lhe parecem suficientes.
No Brasil, a justiça é
impopular, realmente é uma ofensa social, nunca foi oferenda popular. Aliás, só
a injustiça é popular.
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