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Vinício Carrilho

Não fiquei bonzinho - nem na casa da vovó


Não fiquei bonzinho - nem na casa da vovó  - Gente de Opinião

Quando você cuida da sua gata na pandemia, e a gatinha de 4 patas exige ser a dona da casa você aprende algumas coisas.

A primeira e muito óbvia diz que os humanos não sabem nada, além de destruir tudo - especialmente sua confiança e amizade.

O segundo aprendizado manda você desapegar do que não é seu (você pertence ao gato e não o contrário).

Depois desse turno, as pessoas vão perguntar se você ficou bonzinho ou malzinho.

Não fiquei nem uma coisa, nem outra.

Se puder, sem me envolver, faço o bem.

Aliás, não sou bonzinho.

Curioso, têm alunos que dizem que fiquei bonzinho.

Não fiquei bonzinho, nem malzinho. Talvez mais cínico.

Hoje não cuido mais de ninguém, só de mim. Literalmente.

Antes falava três vezes, não faça porcaria, hoje não falo nenhuma.

Tive situações em que depositei interesse ou esperança, hoje aquelas pessoas estão desprovidas de qualquer simpatia.

Não quero mal, nunca irei querer mal, só não quero nada além disso.

Ou seja, se depender de mim, que se virem.

Viraram página da história.

Não são bem, nem mal, são só história (que é tão boa, quanto é má história).

Tenho só um recado, sempre de manhã, e é pra mim.

Por isso fiquei bonzinho, não incomodo ninguém.

Da ironia social para o cinismo, cheguei como todo mundo no Mito da Cordialidade

É a história em que você parece bonzinho, mas que na real não dá a mínima para os malas e os seus males.

Tenho um contrato, vou lá, levo uma aula básica, cumpro o papel.

Mais do que isso é aula grátis, e não tem mais almoço grátis.

Isso vale em todo lugar.

Neste caso, fico mudo ou recomendo um advogado, amigo de longa data.

Agora olha que bacana, virei povo brasileiro, depois de muito esforço e cinismo. Do Mito da Cordialidade tu vieste, a ele tu voltarás (a diferença é que sei o isso significa).

Invista em crianças, em projetos nos quais você seja uma parte ativa, em relações sexuais - efetivamente sociais e não só às voltas do poder e dos carguinhos.

A última lição que aprendi com a gatinha é não investir em pessoas (a não ser crianças), porque "essas pessoas" vão te fazer reviver a historinha do sapo e do escorpião.

Tem outra expressão pra isso tudo (fod...), mas não posso usar qui.

Fiquei bonzinho, só que pra mim. O resto perdeu a viagem.

(Hoje, ao invés de perder tempo com gente ruim, faço um texto publicável)

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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