Porto Velho (RO) terça-feira, 15 de outubro de 2019
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Uma vez sanguessuga, SEMPRE sanguessuga



Dois anos depois de serem denunciados à Justiça, os principais acusados da máfia das ambulâncias continuam em liberdade. Só alguns tiveram seus bens bloqueados. Um deles já ocupa cargo de primeiro escalão na administração pública de Rondônia. E conversam entre si “futilidades” sobre os processos a que respondem e as eleições.

O empresário Luiz Antônio Vedoin cursa direito numa faculdade de Cuiabá. Seu pai, Darci José, e a irmã, Alessandra, trabalham em empresas da família. O ex-deputado Lino Rossi (PP-MT) voltou a criticar políticos em seu programa de rádio e prepara uma nova volta à televisão. O ex-deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) virou assessor em Brasília, casou de novo e agora é o sub-chefe da Casa Civil do governo de Rondônia.

A Operação Sanguessuga revelou que a empresa Planam, dirigida pela família Vedoin, comandava um esquema de venda superfaturada de ambulâncias, com recursos do Ministério da Saúde, para prefeituras e ONGs do Brasil inteiro. Para viabilizar a fraude, eles contavam com a ajuda de emendas de parlamentares amigos. Em troca, pagaram R$ 9,46 milhões em propinas a deputados e assessores.

Lino Rossi, que apresentou o “esquema” aos congressistas, recebeu 117 pagamentos que totalizaram R$ 3,037 milhões, segundo relatório da CPI dos Sanguessugas. Nilton Capixaba, com R$ 631 mil em 47 pagamentos, foi o segundo maior beneficiado com as propinas, de acordo com a comissão de investigação.

Como resultado, Luiz Antônio, Darci, Rossi e Capixaba e a Planam respondem, isoladamente ou em conjunto, a 15 processos e 39 inquéritos policiais só na Justiça Federal de Mato Grosso e de Rondônia. Basicamente, são ações penais e de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público. Há também execuções fiscais movidas pelo governo para cobrar impostos.

As acusações são de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, crime contra a administração pública, fraude em licitações, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Há ainda sete procedimentos administrativos no Ministério Público Federal.

O “Capi”

Longe dos holofotes, Nilton Capixaba nunca deixou os cargos públicos. Depois do escândalo de 2006, o presidente estadual do PTB viu minguar sua pretensão de se tornar o senador mais votado por Rondônia. Tentou renovar o mandato na Câmara. Mas, com apenas 14 mil votos, só conseguiu a suplência para deputado federal.

Mesmo assim, foi apadrinhado pelo governador Ivo Cassol (sem partido). Tornou-se servidor da representação do governo estadual em Brasília a partir de 1º de fevereiro de 2007. “Trabalhava na área de ministérios”, conta Capixaba. No Congresso, ele circulava com o broche de parlamentar e era chamado de “Capi” por alguns parlamentares rondonienses.

O ex-deputado participou da negociação para liberar emendas suas para Rondônia, como obras no Hospital Regional de Cacoal (RO), com R$ 4,3 milhões em recursos do Ministério da Saúde.
- Há 15 dias, Capixaba foi alçado ao posto de subchefe da Casa Civil do Governo do Estado de Rondônia.

- Os comentários ficam para os (meus parcos) leitores. Se é que os há.


Fonte: antonio roque ferreira
roquevha@hotmail.com

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