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Rondônia, a incrível terra dos cassolboys


A rigor, não é exatamente uma surpresa, a submissão dos deputados estaduais, da imprensa, da maior parte da oposição, das entidades representativas, dos índios, dos madeireiros, dos invasores de terras etc ao governador de plantão. Assim tem sido desde os idos do nascimento do estado e já teve quem comparasse o falecido governador Jorge Teixeira à Jesus Cristo nos áureos tempos do garimpo, em meados da década de 80. 

Sabe-se que por aqui o mafioso delata, o traficante cheira, a prostituta se apaixona. Recentemente os cornos criaram asas: esturram contra a classe política indignados, denunciando discriminação. Acreditam e se acham merecedores de moção de aplauso e de homenagens na Câmara de Vereadores de Porto Velho... 

O que faz Rondônia se dobrar de joelhos aos governadores de plantão e depois ao término de seus mandatos apedrejá-los? Não tenham dúvidas, que o atual governador Ivo Cassol, que como um hábil encantador de serpentes, domestica a classe política e paga a imprensa (quase 90 por cento dos órgãos de comunicação rondoniense é formada por alinhados da causa dos cassolboy...) para ser elogiado, depois que deixar o cargo também será maltratado por aqueles que lhe eram devotos. 

A hipocrisia é grande. Governadores como Ângelo Angelim, Jerônimo Santana, Oswaldo Piana, Valdir Raupp e José Bianco também tiveram seus momentos de glória ao assumirem o Palácio Presidente Vargas, para depois, ao término de suas administrações serem apedrejados. 

É um antigo hábito rondoniense: devoção ao governante de plantão, pedradas na despedida. Deputados que rendiam homenagens ao atual, viram a casaca para o novo governante que toma posse. Aquela imprensa tão dócil, como ovelha, se transforma numa autêntica loba. Aqueles empresários alinhados já estarão louvando o nosso amo. 

Por conta de uma omissão generalizada, os corruptos tomaram conta do estado no início da década e boa parte só foi banida por conta de um confronto de interesses, uma briga de poder entre o governador Ivo Cassol e um bando de deputados envolvidos nos casos das propinas, dos funcionários laranjas e de uma montoeira de maracutaias. Vem daí a força de Cassol, era a peleja do bem contra o mal.

Só louvaminhas

Mas mesmo com uma área de saúde em frangalhos, com a segurança pública em colapso, com o meio ambiente desrespeitado por madeireiros saúvas e saqueadores, nossos representantes políticos e a imprensa não vêem defeitos na atual administração. Tecem louvaminhas em coro: Ave Cassol! Salve Cassol! 

Não que Ivo não tenha seus méritos. Sua trajetória política impõe respeito, o único a se reeleger, o único a ganhar eleição em primeiro turno. O primeiro a pagar o funcionalismo rigorosamente em dia durante quatro anos seguidos, o melhor no trato a malha viária do estado, etc. 

Mas com uma oposição derrotada e alquebrada, Ivo nada de braçadas, mesmo merecendo umas ovadas na cara por suas omissões na saúde, na segurança pública e na educação. Mas isso, enquanto estiver no poder, dificilmente vai ocorrer, porque coragem para tanto a oposição não tem, a classe política não tem moral para isso e, raros jornalistas ousam cobrar suas responsabilidades nesta terra de cassolboys. 

Considero que só cobrar os governadores depois dos mandatos é covardia. A classe política poderia fazer mais, a oposição poderia fiscalizar mais, a imprensa poderia ser mais honesta e menos condescendente com acontece por aqui. Ivo já está abusando do absolutismo: sufoca os sindicatos, tornou a Assembléia Legislativa um quintal seu, penaliza os servidores, se omite na fiscalização dos recursos naturais, faz vistas grossas as invasões aos parques nacionais. Como não é cobrado por ninguém, pinta e borda, faz todo mundo de gato e sapato. Até quando? 

Fonte: Carlos Sperança - Gentedeopinião

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