Sexta-feira, 28 de março de 2008 - 22h57
Um contingente de pelo menos 45 delegados e agentes da Polícia Federal (PF) vai ser deslocado para reforçar os postos do órgão nas fronteiras e na Amazônia, onde ficarão por pelo menos dois anos. A novidade é que esses delegados e agentes vão receber um incentivo no salário e condições de infra-estrutura para que permaneçam o máximo de tempo possível nessas regiões e ajudem a formar equipes experientes de combate aos crimes ambientais, narcotráfico e contrabando. A direção da PF pediu um abono de 20% sobre o salário, mas a porcentagem ainda vai ser definida pela equipe econômica.
A medida, já em fase de implementação, faz parte de um plano estratégico que será anunciado hoje. Intitulado A Polícia Federal de 2022, o plano, por enquanto, tem muito de intenção e algumas poucas medidas concretas. Ontem, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, negou-se a dizer quanto vai custar o que seria a nova PF e admitiu que a parte financeira do plano ainda não foi discutida com a equipe econômica - hoje, a instituição trabalha com orçamento de R$ 3,4 bilhões, valor igual ao do ano passado.
"O reforço da PF nas fronteiras e Amazônia é uma política de Estado. E a manutenção dos seus delegados e agentes não pode ser vista como um castigo, um sacrifício. Eles têm de ser incentivados e ter orgulho pelo desempenho dessa tarefa", disse Corrêa. No início do mês, o ministro da Justiça, Tarso Genro, já havia anunciado que a PF, por causa das movimentações da narcoguerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e de outros grupos criminosos, abrirá em maio base de operações na confluência dos rios Solimões e Icá.
Para melhorar a infra-estrutura de acomodação nessas regiões isoladas, a PF está negociando com o Ibama o uso da madeira apreendida nas operações policiais para construir chalés aos delegados e agentes.
A exemplo da experiência bem-sucedida implantada na superintendência de São Paulo, os carros da instituição vão ser abastecidos com cartões magnéticos, o que permite controlar o consumo e o gasto total.
De concreto, também, há o aumento de adidos da PF junto às embaixadas brasileiras em países com grande demanda de intercâmbio de inteligência policial. Hoje, a PF tem adidos nas representações da Argentina, Paraguai, Colômbia e França. O envio de adidos para as embaixadas da Bolívia, Uruguai e Suriname também já está em fase de seleção e encaminhamento administrativo.
Em matéria de reaparelhamento, a PF vai cumprir a meta de ter "uma arma por policial". Já foram compradas 7 mil pistolas Glock, que serão distribuídas a todos os servidores, independentemente do departamento em que estejam lotados. Também já foi feita a aquisição de 6,5 milhões de projéteis, o que permite treinamento contínuo do contingente policial.
Fonte: Estado de S. Paulo
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