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Paralisação nos quartéis poderá ser retomada a qualquer momento



Negociações com o governo decepcionam  e unem militares, bombeiros e servidores civis

A primeira rodada de negociações entre o governo do Estado e a comissão de negociação do movimento das mulheres dos Policiais e Bombeiros Militares foi marcada pela decepção e revolta dos servidores militares e civis.

Inicialmente, de forma desrespeitosa, a negociação foi adiada várias vezes, primeiro do dia 21 para o dia 22, em seguida para o dia 23 às 10 horas, e depois para as 14 horas desta quarta-feira (23/07). Quando, finalmente a "negociação" começou, durou menos de uma hora.

Durante a "negociação", a comissão do governo, composta majoritariamente por coronéis da PM e do corpo de bombeiros, impediu  a participação de representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e das entidades sindicais que apoiaram o movimento desde as primeiras horas em que ele foi deflagrado.

Os coronéis, a mando do governador Cassol, apenas comunicaram a decisão unilateral do governo, de aumentar os salários dos militares em apenas 15%, a partir de setembro.

Entre as reivindicações, as mais importantes são o realinhamento salarial de 30% mais os 10% que poderão ser concedidos aos demais servidores, e a redução imediata do desconto da margem consignadora, de 70% para 30% de limite máximo de desconto de empréstimos, cumprindo legislação a federal. Os policiais civis, por exemplo, tiveram realinhamento diferenciado e ainda receberam todos os reajustes concedidos aos demais servidores.

Outras reivindicações especificas igualmente importantes para a categoria, como a situação dramática dos bombeiros, sequer foram mencionadas pelos coronéis. Com o baixo efetivo de menos de 500 bombeiros, quando a Lei fixa o contingente em 1.280, eles estão submetidos a jornadas de trabalho desumanas de mais de 240 horas mensais, sem direito a finais de semana ou feriados.

Além disso, na Capital, tiveram a carga de exercícios físicos triplicada recentemente pelo novo comandante do 1º Grupamento dos Bombeiros, que tem fama de ser de "linha dura". O novo comandante veio transferido de Ji-Paraná, onde, segundo informações, obrigaria os bombeiros a atravessarem a nado o Rio Machado, como parte dos exercícios físicos rotineiros.

No encontro com as mulheres, os coronéis, a mando do governador, simplesmente ignoraram a situação de abandono das instalações físicas das unidades militares e de bombeiros.

O 1º Batalhão da Capital é uma verdadeira vergonha, caindo aos pedaços;  o 5º Batalhão está sofrendo uma ação de despejo por falta de pagamento de aluguéis; e o Batalhão de Alta Floresta funciona precariamente em um barraco de madeira.

O desrespeito é tanto, que os coronéis sequer demonstraram qualquer preocupação do governo com a segurança e com a vida dos militares. A corporação necessita de mais equipamentos como coletes à prova de balas, que além de serem insuficientes, obrigando o policial, na troca de turno, a vestir o mesmo que já estava sendo usado, muitos destes coletes estariam com prazos de validades vencido, colocando em risco a vida dos militares.

Os militares e bombeiros estão insatisfeitos, também, com a condução que vem sendo dada pela Associação que deveria representar as esposas dos PM's e Bombeiros (ASSESFAM), cuja diretoria tem tomado posições ambíguas, ora se aproxima do governo e dos dois deputados ligados aos militares, que segundo matéria do rondoniagora.com estariam claramente do lado do governo; ora busca o apoio dos demais sindicatos, que garantiram toda a infra-estrutura do último movimento, como carros de som, tendas, alimentação, transporte, água, assessoria de imprensa e jurídica.

Segundo informações, na véspera da "negociação" desta quarta-feira, a presidente e a vice da Assesfan teriam almoçado com o Chefe de Gabinete do governador, o que não foi visto como um procedimento correto.

Sem um resultado satisfatório e sem que o governo demonstre flexibilidade, o movimento de paralisação dos quartéis poderá ser retomado a qualquer momento, desta vez com a adesão dos servidores civis, que querem os 10% de perdas salariais do governo Cassol.

Fonte: Adércio Dias

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