Quinta-feira, 18 de novembro de 2010 - 19h16
Débora Zampier
Agência Brasil, Brasília – A Procuradoria Regional Eleitoral de Rondônia (PRE-RO) entrou com um pedido de investigação judicial eleitoral contra o senador eleito Ivo Cassol (PP-RO) e mais sete pessoas pela prática de crime eleitoral. Cassol é acusado de usar um evento religioso para promover sua candidatura nas eleições deste ano.
Segundo a PRE-RO, houve abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante um show evangélico da Igreja Mundial do Poder de Deus, no município Rolim de Moura, no dia 18 de setembro. O apóstolo Valdomiro Santiago solicitou às mais de 10 mil pessoas presentes no evento que votassem naqueles candidatos, dizendo que eles eram “obra de Deus” e seus amigos.
Além de Cassol, foram citados na ação seus suplentes Reditário Cassol e Odacir Soares; o atual governador João Aparecido Cahulla (PPS) (que foi derrotado na disputa da reeleição), e seu candidato a vice-governador Tiziu Jidalias; o candidato a deputado federal Joarez Jardim (PP) e o candidato a deputado estadual Ari Saraiva (PSDC).
Segundo o procurador regional eleitoral Heitor Soares, houve uma “explícita e autêntica propaganda eleitoral feita pelo líder religioso”. No começo do período eleitoral, a procuradoria emitiu uma recomendação para que todos os segmentos religiosos não fizessem propaganda eleitoral para candidatos. Entretanto, a igreja desobedeceu e fez o evento, que foi transmitido pela televisão e pela internet.
A Promotoria Eleitoral da cidade acompanhou o evento e constatou que houve “desvio de finalidade religiosa para promover os candidatos”. Com isso, os promotores pediram à Justiça Eleitoral que determinasse o encerramento imediato do show e a apreensão dos equipamentos de som, mas o juiz não foi localizado e o evento prosseguiu.
Além do showmício, o apóstolo Valdomiro Santiago participou de um programa eleitoral do governador João Aparecido Cahulla, veiculado em 21 de outubro, onde aparece pedindo apoio ao candidato. Motivo que levou a PRE-RO a pedir aplicação de multa de R$ 200 mil ao religioso.
Nas eleições deste ano, Cassol chegou a ter o registro negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia por ter uma condenação judicial colegiada por abuso do poder político e econômico e por compra de votos nas eleições de 2006. Entretanto, o registro foi liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas vésperas das eleições.
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