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MME cria grupo de trabalho para acelerar construção do gasoduto Urucu-Porto Velho


Ministro quer adiantar projeto que está parado no governo desde 2000

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, criou, no início desta semana, um grupo de trabalho no ministério para acelerar a implantação do Gasoduto Urucu-Porto Velho, obra fundamental para garantir o fornecimento de energia à Região Norte e dar sustentabilidade ao projeto de crescimento da economia nacional .

O anúncio foi feito após reunião com o governador de Rondônia, Ivo Cassol, e representantes da bancada do estado no Congresso. “Estamos acertando detalhes com as empresas privadas e do governo que estão envolvidas no projeto”, afirmou Rondeau durante o encontro.

A criação desse grupo foi encarregada pelo ministro ao seu chefe de gabinete, José Coimbra, que indicará os integrantes de diversas áreas do ministério até a próxima semana. Reuniões serão feitas nos próximos dias para definir a função dos futuros integrantes do grupo, segundo a assessoria do ministério.

O deputado Moreira Mendes (PPS-RO), presente ao encontro, comemorou a decisão do ministro, mas aproveitou a oportunidade para exigir maior agilidade na autorização da obra. Para o parlamentar, cabe a Rondeau cuidar da resolução dos impasses que atrasam o projeto. “Fiquei entusiasmado com o que o ministro nos colocou, mas quero ficar a par desse grupo de trabalho”, disse o parlamentar que vai se reunir com Coimbra para obter mais informações a respeito do grupo de trabalho.

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO), um dos maiores defensores do empreendimento, afirmou na semana passada, durante audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, que o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli não é simpático ao projeto do gasoduto Urucu-Porto Velho. “Sei que o Gabrielli não gosta muito do projeto, mas nós sabemos que essa é uma obra importante para a região, para Petrobras, Eletrobrás e principalmente para a população”, disse.

“A melhor opção para a Região Amazônica  é aproveitar o gás natural que é uma fonte de energia mais barata e viável”, .

Os deputados Anselmo de Jesus (PT-RO), Eduardo Valverde (PT-RO) e Natan Donadon (PMDB-RO), disseram, por meio de suas assessorias, que participam do movimento de reivindicação junto ao governo para que o gasoduto seja instalado o quanto antes.

Já os deputados Ernandes Amorim (PTB/RO),  Lindomar Garçon (PR/RO), Marinha Raupp (PMDB/RO) e  Mauro Nazif (PSB/RO) não deram retorno às tentativas de contato.

 

VONTADE - Mesmo com o anúncio feito pelo ministro, Cassol insistiu em reclamar dos atrasos no projeto e atribuiu à falta de interesse do governo a demora na construção do gasoduto. “Na verdade, falta vontade a alguns órgãos para fazerem o projeto acontecer”, afirmou o governador sem apontar nomes.

Além disso, Cassol demonstrou preocupação com a decisão do governo federal de tentar resolver a questão energética de Rondônia com a interligação do estado ao sistema nacional de fornecimento de energia elétrica, por meio da construção da linha de transmissão Rondônia-Mato Grosso, o “linhão”, como é mais conhecido.

 “O estado vai perder muito dinheiro. Construir o Gasoduto Urucu-Porto Velho é fundamental para o desenvolvimento do país”, alertou, após cumprir agenda oficial em Brasília onde visitou o Congresso Nacional. 

Ao defender o governo, o ministro Silas negou existirem empecilhos à implantação do gasoduto e reafirmou a boa-vontade do Executivo com a obra lembrando a presença do empreendimento no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro pelo governo federal. 

Ele também garantiu que está pessoalmente envolvido nas articulações para a liberação do início das obras do gasoduto e reafirmou a existência de recursos da ordem de R$ 2,7 milhões para utilização no projeto.

MANIFESTO – No final do ano passado, a sociedade rondoniense resolveu participar diretamente do processo de liberação do Gasoduto Urucu-Porto Velho ao organizar um manifesto em favor do empreendimento. Os principais veículos de comunicação, federações, sindicatos, associações comerciais e de indústria participaram do evento que culminou com a elaboração de um  documento que foi entregue em Brasília a diversas autoridades do governo federal.

No manifesto, a população de Rondônia alegou que possibilidades de aproveitamento do gás natural produzido em Urucu, poderá atrair novos investimentos na indústria, reduzir os impactos ambientais da queima diária de milhões de litros de óleo diesel, criar desenvolvimento e dar sustentabilidade à região.

O documento foi entregue nas mãos de Gilberto Carvalho, chefe do gabinete pessoal do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro de 2006. Desde então, nenhuma resposta oficial do governo foi encaminhada aos subscreventes do documento.

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