Terça-feira, 13 de maio de 2008 - 16h55
O ministro da Justiça, Tarso Genro, se comprometeu hoje em abrir inquérito para investigar as ações da Liga Camponesa Pobre (LCP) em Rondônia, acusada por organismos de segurança de uso do terror e guerrilha, resultante em 22 assassinatos, numa suposta luta pela terra, conforme reportagem denúncia da revista Isto É. O compromisso foi firmado ao término de uma audiência com os deputados federais Ernandes Amorim (PTB), Moreira Mendes (PPS), e Geovani Queiroz (PDT-PA),
Amorim e Mendes devem se encontrar ainda essa semana com o governador Ivo Cassol (sem partido), para levar em mãos ao ministro dossiê e investigações feitas sobre a LCP, por organismos de segurança no Estado.
O convite para a audiência, de acordo com Amorim, partiu do próprio ministro, já que os parlamentares membros da Comissão da Agricultura da Câmara do qual ele e Mendes fazem parte - haviam ameaçados uma convocação, pelo fato do não comparecimento de Genro a audiência, no final do mês passado, para discutir a atuação da LCP em Rondônia.
Naquela audiência, segundo Amorim, ficou comprovado a ação terrorista da Liga na região com assassinatos, intimidação a Justiça, distribuição de informações mentirosas à Imprensa como um suposto massacre de trabalhadores sem terra, num total de 15 mortos pela ação da Polícia Militar -. Após várias varreduras dos órgãos de segurança pública, nada se comprovou. O governo tenta o velho bordão de não saber de nada, mas mostramos ao ministro que esse fato é conhecido pelo Exército, Abin (Agência Brasileira de Inteligência), e Polícia Federal. O ministro nos pediu para levá-lo tudo que se tem sobre o caso para abrir o inquérito e se comprometeu em usar todo aparelho do Estado para reprimir essas ações criminosas em nossa região e reinstalar a paz no campo, disse Amorim. Ele também criticou, na audiência, a atuação do Incra e Ibama, que opera em Rondônia com pessoas ligadas a movimentos como a LCP.
Atuação da Funai
O deputado disse ainda que cobrou do ministro da Justiça, o retorno da administração da Funai para Porto Velho, transferida politicamente, segundo ele, para Ji-Paraná, o que teria provocado o abandono ao Deus-dará de 70 profissionais gabaritados antropólogos, engenheiros -, e aos povos indígenas como Karitiana, Karipuna, e os Tenhari, no sul do Amazonas, jurisdicionados a Rondônia. É uma situação lastimável. Os índios sem nenhum tipo de assistência, os funcionários abandonados à sorte. Reclamei a direção nacional da Funai mas não deram ouvidos. Por essa razão cobrei direto do ministro que também se comprometeu de ver essa questão. Vamos aguardar as providências, disse o parlamentar.
Fonte: Yodon Guedes
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