Segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 - 07h59
Lana Cristina
Agência Brasil
Brasília - A licença ambiental para as usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, deve sair ainda este mês, segundo informou o diretor de Licenciamento Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Luiz Felippe Kunz Junior.
Ele destacou que as questões mais importantes do processo de licenciamento dizem respeito à biodiversidade, pelo impacto que causará à migração de peixes ou à vida dos rios que recebem água do Madeira, como é o caso do Amazonas, e ao meio ambiente como um todo.
O Madeira, segundo Kunz Junior, é o terceiro rio no mundo com maior carga de sedimentos e isso é um fator importante. Quando se diminui a velocidade da água, há maior deposição desses sedimentos no fundo. "Essa é uma das questões que estamos avaliando porque interfere, tanto na vida útil da barragem quanto nas questões ambientais".
Desde 2001, as usinas de Santo Antônio e Jirau estão programadas pelo governo. O projeto tem sido tratado como prioridade no plano de expansão energética pelo Governo Federal, tanto que as hidrelétricas fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Juntas, Santo Antônio e Jirau terão cerca de 6,5 mil megawatts de potência, a metade da capacidade de Itaipu. A energia será suficiente para abastecer oito vezes mais o que consome Brasília em horário de pico.
Secretário lembra que aproveitamento energético do Madeira discutido desde os anos 90
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, lembrou que se fala em aproveitamento energético do Rio Madeira desde a década de 90 e o governo Lula assumiu essa possibilidade desde o início.
"Fazemos sempre o planejamento e o acompanhamento do mercado. Em cima disso, temos que fazer a previsão da necessidade de energia", disse Hubner. Segundo ele, as usinas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, não vão atender só a região, já que hoje o sistema adotado é chamado nacional interligado.
"A gente não consegue colocar uma usina onde precisa de mais energia. No Brasil, temos essa malha de transmissão que interliga o centro de consumo com as usinas nos locais que elas estão", explicou.
O projeto do Complexo Rio Madeira prevê a construção de quatro hidrelétricas: Santo Antonio e Jirau, no estado de Rondônia, a primeira a cinco quilômetros da capital Porto Velho e a segunda próxima à Ponta do Abunã, na divisa com o Acre; além de uma usina binacional e outra no território boliviano.
Hubner disse que o consórcio Furnas/Odebrecht já fez o inventário, uma espécie de levantamento sobre a região, no lado boliviano do Madeira. "Ainda vamos discutir essa questão com o governo boliviano. Eles têm interesse e o Brasil também. Tem muito caminho para andar, esses estudos levam ainda cinco anos para andar".
Fonte: Lana Cristina
Repórter da Agência Brasil
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