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GillettePRESS: Reforma ortográfica


 

 

 

Reforma ortográfica

Com data marcada para entrar em vigor em 2008, a reforma ortográfica pretende fazer com que pouco mais de 210 milhões de pessoas em oito países que falam o português tenham a escrita unificada, conservando as variadas pronúncias. A proposta foi apresentada em 1990, mas era necessário que pelos três países ratificassem os termos da proposta, o que ocorreu somente em 2006. O Congresso brasileiro aprovou as mudanças em 1995.

Diferenças básicas

Existem duas ortografias oficiais da língua portuguesa: a do Brasil e de Portugal. A norma portuguesa é a que serve de referência para o ensino de português em outros países. O vocabulário português contém palavras escritas com consoantes mudas, como Egipto e objecto. Em outras, como indemnizar e facto, as consoantes "a mais" são pronunciadas. Além disso, nas sílabas tônicas seguidas de m e n, o som é aberto. Por exemplo, a palavra econômico (escrita brasileira) é escrita e lida económico em Portugal.

Países que falam

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é composta por oito países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.


Benefícios

Uma vez unificado, o português auxiliará a inserção dos países que falam a língua na comunidade das nações desenvolvidas, pois algumas publicações deixam de circular internacionalmente porque dependem de "versão". Um dos principais problemas que as novas regras vão acarretar, no entanto, será o custo da reimpressão de livros.

Padronização

O português é a quinta língua mais falada no mundo – cerca de 210 milhões de pessoas – e tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento da língua como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU) . A ortografia-padrão facilitará o intercâmbio cultural entre os países que falam português. Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos poderão circular livremente entre os países, sem necessidade de revisão, como já acontece em países que falam espanhol. Além disso, haverá padronização do ensino de português ao redor do mundo.

Regras

É preciso que o projeto com as novas regras seja aprovado pelos oitos países da CPLP e que pelo menos três deles ratifiquem as mudanças em seu território. Assim que as novas regras forem incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição, no qual os materiais didáticos serão adequados às mudanças. 
 

Reformas

Já foram feitos três acordos oficiais, aprovados pelos países falantes: o de 1943, o de 1971 e o que vai vigorar a partir de 2008.

 

Ortografia

A mudança mais importante antes da aprovada em 1990 (e que vai vigorar a partir de 2008) foi a de 1971. Nesse acordo foi estipulada a eliminação do trema nos hiatos átonos, bem como a do acento circunflexo diferencial nas letras "e" e "o" da sílaba tônica das palavras homógrafas, de significados diferentes, mas com a mesma grafia, além da extinção do acento circunflexo e do grave em palavras terminadas com "mente" e "z". Com a reforma, êle passou a ser escrito ele, sómente, somente e bebêzinho, bebezinho.

Húmido

A principal causa da demora é a relutância de alguns países, como Portugal, em ratificar o acordo. Até julho de 2004, era preciso que todos os países membros da CPLP ratificassem as novas normas. Um acordo feito nessa data estabeleceu que bastaria a ratificação por parte de três países. Em 1995, o Brasil efetivou sua ratificação, seguido de Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro. Portugal ainda precisa adaptar sua legislação às novas regras. Enquanto as mudanças afetarão 0,45% das palavras brasileiras, Portugal sofrerá alterações em 1,6% de seu vocabulário. Os portugueses deixarão, por exemplo, de escrever húmido e escreverão úmido, como os brasileiros. 
 

Pronúncia

As mudanças serão apenas na ortografia, permanecem as pronúncias típicas de cada país. 
 

Hífen , ex, vice

O hífen será mantido nos substantivos compostos (arco-íris, guarda-chuva). Mantém-se nas palavras compostas: norte-americano, ano-luz. O sinal cai em compostos nos quais "se perdeu a noção de composição", como paraquedas e paraquedista. Na prefixação, existe hífen sempre antes de h. Se o prefixo termina por vogal e o elemento seguinte começa por r ou s, duplica-se a consoante. Se o prefixo termina por vogal igual à vogal inicial do segundo elemento, existe hífen. Se as vogais finais e iniciais forem diferentes, não haverá hífen. Hiper, inter e super têm hífen antes de outro elemento iniciado por r. Circum e pan têm hífen antes de elemento iniciado por vogal, m, n e h. Ex e vice mantêm o hífen existente hoje.

Acentuação

Paroxítonas terminadas com duas letras "o" não mais terão acento circunflexo. Abençôo, vôo, enjôo passarão a ser escritos da seguinte forma: abençoo, voo, enjoo. O circunflexo também será extinto nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus decorrentes. A grafia correta será creem, deem, leem e veem.

O trema desaparece por completo. As palavras linguiça e frequência estarão gramaticalmente corretas.

Serão eliminados os acentos agudos nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como jibóia e idéia. Além disso, será eliminado o acento diferencial em pára (verbo) de para (preposição). 
 

O que muda

            No Brasil

- Criada a dupla grafia, em alguns casos, para diferenciação. Ex: amámos, em vez de amamos;

- o alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de "k", "w" e "y";  mudam-se as normas para uso do hífen.

- eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas;

• o acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição);

• extinção completa do trema;

• mudanças na utilização do acento circunflexo

            Em Portugal

- O "c" e o "p" não deverão mais ser escritos em palavras nas quais não são pronunciados. Ex: acção passará a ser escrito ação, como no Brasil;

- elimina-se o "h" inicial de algumas palavras, como em "húmido", que passará a ser "úmido";

- serão mantidos o acento agudo no "e" e no "o" tônicos que antecedem "m" ou "n", enquanto no Brasil continua a ser usado o acento circunflexo nessas palavras. Ex: académico (em Portugal) e acadêmico (no Brasil).

 
Fonte:
[email protected]

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