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Foco do sistema público de saúde deve ser medicina preventiva, diz médica


 
Paula Laboissière
Agência Brasil
 

Brasília - O brasileiro ainda não está bem informado quando o assunto é saúde, de acordo com a diretora científica da Associação Médica de Brasília, Glória Maria Andrade. Durante a 9ª Feira de Saúde de Brasília, ela alertou que o sistema de saúde brasileiro “ainda é falho” e que o desafio é substituir a medicina que cura pela medicina preventiva.

“A medicina curativa teve seu papel no século passado, mas prevenir é muito melhor que curar. Falta educação. A população tem que se sentir responsável”, disse. Segundo Glória Maria, o objetivo da feira é levar à população informações educativas e preventivas sobre a saúde com foco na qualidade de vida.

“A saúde é um bem de todos, um direito do cidadão. Está na Constituição e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde é muito mais do que o físico, é o bem-estar social também”, completou.

Gilmara do Amaral é aluna do 2º semestre de medicina e participa do evento como instrutora. Para ela, essa é a oportunidade de vivenciar a prática, orientando as pessoas. “Uma feira como essa ajuda porque a pessoa pergunta muito, vai a todos os stands, quer fazer todos os exames.”

A colega de classe Kamila Kaline também trabalha no local como instrutora. Ela relatou que a maioria das pessoas que chega à feira quer uma solução rápida e de qualidade para um problema de sáude específico. “Muitas vezes, o que falta é a atenção primária, a busca de informação pelo paciente para prevenir a doença. Falta interesse da população para a própria saúde.”

Felipe Queiroz, de 12 anos, já havia pedido ao pai para fazer um curso de primeiros socorros. Ao chegar à feira, viu a oportunidade oferecida por uma equipe médica com stand montado no local. “Aprendi que, quando uma pessoa está mal, você tem que colocar a mão no peito e bombear ar para ela pegar o ritmo de novo”, contou o estudante. “É importante porque, às vezes, pode acontecer alguma coisa com alguém de casa ou da família.”

Já Alice Almeida tem 76 anos, mas não deixou de participar dos serviços oferecidos no evento. Durante um passeio com o marido, ela aproveitou para medir a pressão. O resultado: 13 por 8, normal, segundo a equipe responsável pela aferiação. Mas Alice admite que tem pressão alta. A aposentada contou que toma remédio para controle de pressão há três anos, mas que, em alguns momentos, esquece de tomar o medicamento. “Agora mesmo, esqueci por dois dias mas, a partir de agora, vou deixar o remédio em cima da mesa do jantar que é para não esquecer mais.”

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