Quinta-feira, 24 de dezembro de 2009 - 06h29
Afora a verdadeira corrida comercial do Natal, ele ainda mantém resquícios da sua essência: é, embora cada vez menos, uma época de um pouco de solidariedade, de pensamentos menos egoístas, de preocupações que a correria da vida disputada palmo a palmo, nos dias de hoje, não consegue sufocar de todo. É claro que nas últimas décadas, o Natal se transformou muito. As confraternizações familiares já não são mais as mesmas, porque as famílias mudaram muito e, em muitos casos, já não há famílias. Os presentes simbólicos foram substituídos por produtos cada vez mais caros. Não receber um computador, ou um celular, ou uma roupa de grife, para alguns abastados, é como ser esquecido, como viver na amargura. Isso, é claro, no meio da minoria rica. Porque a maioria pobre não tem tempo para essas bobagens e já agradece aos céus se tiver um prato de comida para o Natal, uma noite sem o pânico da tempestade que pode inundar seu bairro ou seu casebre, uma roupa simples, o cartão do Bolsa Família ou, supra sumo das benesses, um presentinho qualquer para dar aos filhos. Muitos filhos.
O Brasil vai mudando e o nosso Natal também. Ainda temos um verdadeiro abismo social, embora os discursos políticos tentem dizer o contrário. Mas é Natal. E o que nos resta desse espírito fraterno, precisamos usar para coisas boas, para sonhar com um mundo melhor, para tentarmos trocar o presente sofisticado pela mão estendida a quem precisa. Se não temos bons exemplos de cima, pelo menos nós, simples mortais, ainda podemos manter vivo o espírito natalino, embora seja cada vez mais difícil. Então, para quem ainda acredita que é possível ser feliz sem ser egoísta e valorizar mais as pessoas do que as coisas, se deseja um Feliz Natal. Os outros não vão entender... CLIQUE E LEIA MAIS NA COLUNA "PRIMEIRA MÃO" DO JORNALISTA DE OPINIÃO SERGIO PIRES.
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