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Carta de Dom Antônio Possamai


Diocese de Ji-Paraná

Ji-Paraná, 01 de agosto de 2006.
Caros irmãos e Caras Irmãs na fé e caminhada da Igreja,

Hoje chego até vocês para um assunto que precisa ser esclarecido. Mesmo que minha carta seja um pouco longa, escute-a até o final, pois é através das comunidades e pequenos meios de comunicação que temos espaço para falar, pois a grande mídia somente escuta um lado e aumenta muitas coisas.

Como já é de conhecimento de muitos, a Diocese de Ji-Paraná, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, o Projeto Padre Ezequiel, o Fórum Transparência Ji-Paraná, a Cáritas Diocesana e o Conselho de Leigos confeccionaram e divulgaram um cartaz com a fotografia de 23 parlamentares do legislativo de Rondônia envolvidos em corrupção, propinas e outras falcatruas. Também consta a foto do Governador Ivo Cassol pelo fato de que ele está sendo processado no Superior Tribunal de Justiça (STJ)  como provaremos a seguir:  Inquérito 450, registrado no STJ com o n° 2004/0129980, investigado por envolvimento na extração ilegal de Diamantes e contrabando, na reserva Roosevelt; Ação Penal n° 401, registrado no STJ com o n° 2004/0071386 sob a acusação de fraude em licitação, desvio de dinheiro público e formação de quadrilha ou bando, sem falar na petição do Ministério Público Federal, n° 2528 de 2004, que foi arquivada, mas que investigava sobre a informação do Governador que disse que iria mandar invadir as 48 unidades de conservação do Estado, inclusive as reservas federais e que o STJ anexou tal ação ao Inquérito 450, que tramita no mesmo Tribunal. Todos estes fatos, tanto dos parlamentares, como do chefe do executivo, foram amplamente divulgados pela imprensa estadual e nacional.

O governador sentindo-se ofendido, no dia 24 de agosto, ajuizou uma ação junto ao Tribunal Regional Eleitoral acusando somente o Bispo Dom Antonio, como pessoa física, de praticar os crimes de Difamação e Injúria. Nesta ação solicitou a retirada dos cartazes, bem como condenar o bispo pelos crimes de Difamação e Injúria.

Como para algumas situações a justiça é rápida, no dia 25 de agosto a Juíza Sandra Maria Nascimento de Souza, despachou determinando que o bispo recolhesse todos os cartazes, sob pena de multa de (cinco mil reais)  R$ 5.000,00 por dia.

No mesmo final de semana a assessoria jurídica da diocese tomou os procedimentos jurídicos cabíveis e apresentou contestação dia 28 de agosto. O ministério Público Eleitoral já se pronunciou no processo, pedindo a improcedência da ação, bem como a cassação da liminar. Ocorre que desde 28 de agosto até a presente data (tarde de  01/09) não houve nenhuma outra manifestação da juíza. Em síntese: o processo paralisou.

Ainda no dia 28 articulou-se uma reunião com os que assinaram o cartaz e em seguida uma coletiva com a imprensa de Ji-Paraná para esclarecer os fatos. Para surpresa de todos nessa mesma tarde, em plena coletiva com a imprensa, pelas 15 horas, o Governador, acompanhado por um grupos de seguranças e "assessores", sem ter agendado a visita, adentrou na sala onde o bispo estava reunido com a comissão responsável pelo cartaz e com representantes da imprensa. Numa atitude, no mínimo desrespeitosa e arrogante interpelou o bispo tachando-o de responsável único por tal cartaz. Com sua arrogância ofendeu os membros da comissão, proclamou repetidamente seu comportamento ético, elencou os méritos por ter denunciado a corrupção existente na Assembléia Legislativa e outros méritos pessoais.

O bispo exigiu dele um espaço para também falar e mostrou que de fato ele não é tão inocente como se proclama, que tem uma vida anterior que o desabona.
        
Ao se retirar ameaçou processar também as demais entidades que subscreveram o cartaz a menos que sua fotografia fosse retirada do mesmo, o que não foi aceito.
        
Ao longo desta semana ele foi publicando através de jornais e da internet sua versão, falsa, mentirosa e repleta de calúnias contra nossa Igreja Católica e contra os demais que construíram o cartaz . Está ameaçando publicar, através de panfletagem, divulgando em todo o estado "os pecados" da Igreja. Serão os de sempre, que vocês bem conhecem. E como uma pessoa destas não tem moral, pode-se esperar o pior. Estejamos preparados.

Para completar a listas de ameaças, na manhã de sexta feira (01/09) chegou na cúria diocesana uma carta com declarada ameaça de morte. Eis uma parte da carta "Os próximos dias serão decisivos. Se quer virar um santo é só continuar agindo assim. O pior pode acontecer, com você e outros irmãos que o acompanham nesta trajetória suicida. Lembre-se, que por muito menos, alguns religiosos foram assassinados". E assim vai a carta ameaçadora.

Não estamos acusando ninguém pela autoria da carta. Estamos apenas divulgando o que estamos recebendo e repudiando este tipo de comportamento, pois "carta anônima é a arma dos covardes".
        
Diante dessas ameaças, faço-lhes esta carta, provida de mais detalhes. Peço-lhes que no próximo sábado e domingo, dias 02 e 03 de setembro, em todas as missas seja lida e comentada.
 
Se possível seja feito cópia e enviada  também a outras comunidades. Seja também lida nos programas de rádio. Na hora da calúnia é dever de quem a ama sair em defesa da nossa Igreja e da verdade. Omitir-se e ficar em silêncio numa hora de tanta injustiça e corrupção é renegar nossa missão de profetas do Reino de Deus. Lembrem-se que as vítimas de tanta corrupção são sempre os mais pobres.
        
A Presidência nacional da CNBB enviou uma mensagem de solidariedade. Nela confirmou nosso papel diante da política. Entre outras coisas afirma o que sempre fizemos nesta diocese: "Sua posição em favor da "ética na política" e contra a corrupção tem todo o apoio da CNBB e está de acordo com o Documento "Orientações para as eleições de 2006" da CNBB. A posição firme da Igreja, através de muitas iniciativas, está despertando preocupações naqueles que têm a temer. Isso é bom. A sociedade começa a fazer melhor seu papel no processo político"(30 de agosto de 2006).

         Agradeço todo seu apoio Que Deus a todos abençoe.
 
                                               D. Antonio Possamai

 

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