Porto Velho (RO) segunda-feira, 14 de outubro de 2019
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Política

Ao deixar prisão, filho de Cassol diz que nunca fez negócios com Scopel


 

FERNANDA ZANDONADI
fzandonadi@redegazeta.com.br
Redação Gazeta Rádios e Internet

Libertado da carceragem da Polícia Federal, em Vila Velha, na noite desta sexta-feira (11), Ivo Júnior Cassol, filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol, afirmou que só viu o empresário Adriano Mariano Scopel em três ocasiões e nunca fez negócios com ele. Ele qualificou o tempo em que ficou detido como abuso de autoridade e uma 'volta ao tempo das cavernas'.

Gente de Opinião“Isso foi uma injustiça, foi um abuso de autoridade, não tenho nada a ver com esse pessoal. Nós estamos voltando ao tempo das cavernas, um filho de governador não pode ser amigo de empresário. Não conhecia as pessoas, se são empresários sérios ou não, simplesmente foi uma amizade que eu tive com eles. Vi o Adriano Scopel três vezes, uma em Rondônia quando eu conheci ele, uma em São Paulo, na Fórmula 1, que eu tinha meus convites, mas fui participar com ele no camarote por gentileza, porque ele queria o filho do governador lá, me convidou e eu fui”, disse.

O rapaz, que conversou com a imprensa após deixar a carceragem da Polícia Federal, diz ainda que é inocente e a prisão foi uma forma de dar mais notoriedade ao caso. “Para a mídia, só pode ser para isso. Porque se não tivesse o filho do governador envolvido nisso daí, não tivesse sido preso, humilhado, eu acho que não teria dado tanto Ibope quanto deu”, frisou.

O advogado de defesa, Alcir Alves, que acompanhou Ivo Júnior Cassol e o sobrinho do governador de Rondônia, Alessandro Cassol Zabot, na saída do prédio da polícia, falou que o governador está tranquilo em relação ao filho e ao sobrinho e que houve manobras para tentar envolvê-lo no caso.

“Em relação ao governador de Rondônia, embora parte da mídia e alguns adversários quisessem envolvê-lo nessa história, ele não tem nada a ver com isso, está tranquilo quanto a esse fato”, destacou.

Curiosidade

Gente de OpiniãoIvo e Alessandro deixaram a sede da Polícia Federal em carros alugados pela família Cassol. Segundo fontes, os veículos seriam escoltados por policiais capixabas à paisana, ao que Ivo afirmou que “a Casa Militar oferece segurança para toda família do governador”, sem diferenciar o estado. Segundo a assessoria de imprensa do governo do Estado do Espírito Santo, a Casa Militar acompanha o caso da Operação Titanic por conta da repercussão e que os veículos foram alugados em uma locadora da Grande Vitória.

Além de Ivo e Alessandro Cassol, outras cinco pessoas foram libertadas nesta sexta-feira. Pedro Scopel, pai de Adriano Scopel, Alberto Oliveira da Silva, Fernando Silva do Couto e Rogério Moreira, filho do Conselheiro do Tribunal de Contas Mário Alves Moreira, tiveram a prorrogação de prisão negada e foram liberados no começo da noite.

Durante a tarde desta sexta, Ronaldo Benevídio dos Santos, que também estava detido desde segunda-feira, foi outro beneficiado com fim da prisão, ganhou a liberdade e deixou a carceragem da Polícia Federal, em Vila Velha.

Ainda sobre a prorrogação das prisões temporárias, a 1º Vara Federal Crimininal de Vitória deferiu decisão para Aguilar de Jesus Bourguignon, Edcarlos Tiburcio, Max Pimentel de Almeida Marçal, Rodolfo Bergo Legnaioli e Alessandro Stockl.

Quem fica e quem sai

Apesar do Ministério Público Federal ter pedido a prorrogação das prisões temporárias de Ivo e Alessandro Cassol e de outras dez pessoas detidas na Operação Titanic, o juiz da 1º Vara Federal Criminal de Vitória surpreendeu e só deferiu uma prisão preventiva: a de Adriano Scopel. Também permanece detido por prisão preventiva, o ex-suplente de senador Mário Calixto Filho.

Embora o MPF tivesse pedido a prorrogação da prisão temporária de Alberto Oliveira da Silva, Alessandro Stockl, Fernando Silva do Couto, Alessandro Cassol Zabot e Ivo Júnior Cassol, por entender que eles ainda poderiam contribuir com as investigações, a Justiça Federal negou o pedido em relação a Alberto Oliveira da Silva, Fernando Silva do Couto, Alessandro Cassol Zabot e Ivo Júnior Cassol. E, desses, só manteve Alessandro Stockl na prisão temporária. A prorrogação da prisão temporária foi deferida para Aguilar de Jesus Bourguignon, Edcarlos Tiburcio, Max Pimentel de Almeida Marçal, Rodolfo Bergo Legnaioli e Alessandro Stockl.

Portanto, dos 23 presos ao longo da semana, só oito vão permanecer detidos: Mário Calixto Filho e Adriano Scopel em prisão preventiva; Aguilar de Jesus Bouriguignon, Edcarlos Tiburcio, Max Pimentel de Almeida Marçal, Rodolfo Bergo Legnaioli e Alessandro Stockl em prisão temporária prorrogada; e Charles Henrique Porto Santos, preso na quarta-feira e cujo prazo da prisão temporária expira no domingo.

A operação

A Operação Titanic desbaratou a quadrilha por atuação na importação subfaturada de automóveis e mercadorias de alto luxo. No total, 21 pessoas foram denunciadas pelo órgão por participação no esquema. Entre eles estão empresários, contadores, corretores de câmbio e servidores públicos federais. A pena para quem pratica o crime de formação de quadrilha é de até três anos de prisão. Só no último ano, a sonegação fiscal praticada pela organização criminosa resultou em um prejuízo aos cofres públicos de pelo menos R$ 7 milhões.

Para o MPF, os denunciados se associaram numa quadrilha para cometer uma série de crimes, entre os quais estão corrupção de servidores públicos, contabilidade fictícia, inserção de informações falsas em contratos de câmbio com vistas a promover evasão de divisas, descaminho, lavagem de bens e capitais, tráfico de influência e falsidade ideológica.

Embora o grupo só tenha sido denunciado até agora por formação de quadrilha, todos demais crimes serão objeto de outras denúncias que ainda serão oferecidas à Justiça. A denúncia foi protocolada nesta quinta-feira (10), na 1º Vara Federal Criminal de Vitória.

O esquema

Capitaneada pelo empresário capixaba Adriano Mariano Scopel, proprietário da empresa Tag Importação e Exportação de Veículos Ltda., uma das maiores importadoras de veículos de alto luxo do país, a quadrilha utilizava o Terminal Portuário de Peiú, um dos mais importantes da Região Metropolitana de Vitória, como pátio de negócios. O detentor da exploração da concessão do terminal de Peiú é o pai de Adriano, o empresário Pedro Scopel, sócio do filho na Tag Importação e Exportação.

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