Porto Velho (RO) quarta-feira, 14 de novembro de 2018
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Ambientalista apóia construção de usinas


A possível construção de duas usinas hidrelétricas no rio Madeira, nas localidades de Santo Antônio e Jirau, no município de Porto Velho, cujas audiências públicas serão realizadas no início de novembro, é o assunto que vem se tornando o alvo principal das atenções da opinião pública.

As usinas estão projetadas para produzir cerca de 6.500 MW. Durante o pico das obras devem ser gerados uma média de 25 mil empregos diretos e outros 40 mil de forma indireta. A energia produzida em Rondônia será compartilhada com o restante do país, através da construção de linhas de transmissão, ligando o parque gerador ao sistema energético nacional, a partir de Cuiabá.

Na opinião do geólogo Rommel da Silva Souza, assessor da Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento do Serviço Geológico do Brasil – SBG (antigo CPRM),  "o Brasil não pode prescindir deste potencial hidro-energético, localizado na bacia do Rio Madeira, pois não podemos transferir um empreendimento destes para outra região do país. Mas podemos transmitir a energia gerada aqui, com a tecnologia que temos disponível no país".

Para Rommel, é errado o argumento que está sendo usado por algumas pessoas contrárias ao projeto, que alegam que a energia será quase toda ela utilizada em outros Estados da União, sem contrapartida para Rondônia. "Eu penso diferente. Nós vamos mandar energia para outros Estados que já nos enviam bens e serviços. Hoje eu uso um veículo que é fabricado em São Paulo, mas que precisa de energia para ser produzido. O aparelho de ar condicionado é fabricado em outro Estado, que também precisa de energia elétrica. Então não tem que ter esse egoísmo. A contrapartida será uma maior atratividade de novos empreendimentos para Rondônia, com esta disponibilidade de energia gerada pelas hidrelétricas do Madeira".

Outro argumento contestado por Rommel é que os ambientalistas são contrários à construção das hidrelétricas, pelos impactos que podem advir do represamento do rio. "Quero dizer que como geólogo  tenho toda uma cultura ambientalista, agora eu não sou contra o progresso, eu não sou contra a qualidade de vida das pessoas, eu sou contra a miséria. Este é o grande problema do estado de Rondônia e do Brasil. E eu não consigo melhorar a qualidade de vida das pessoas se não tiver energia. Eu jamais iria defender estes projetos no Rio Madeira se eles não estivessem embasados no estudo de impactos ambientais".

Rommel prossegue: "Você tem que fazer a defesa do meio ambiente em cima de parâmetros técnicos e científicos. E os estudos técnicos e científicos estão sendo realizados por entidades que não podem ser contestadas. Ninguém pode contestar os estudos do Serviço Geológico, ninguém pode contestar os estudos do Instituto Paraense Emílio Goeldi, ninguém pode contestar os estudos feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o INPA, como ninguém pode contestar os estudos desenvolvidos pela Universidade Federal de Rondônia. Sou favorável ao empreendimento do Rio Madeira, com os estudos de impacto ambiental, que estão sendo feitos e o aprofundamento destes estudos e o monitoramento constante, para, exatamente, minimizar estes impactos. Desta forma sou a favor".

Fonte: José Carlos Sá

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