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A QUESTÃO DO LEITE - Rondônia produz dois milhões de litros diariamente




O Estado de Rondônia conta com uma produção diária de quase 2 milhões de litros de leite, envolvendo milhares de pequenos produtores - que tem investido muito para melhorar a qualidade do produto -, a redução do preço pago pelos laticínios tem ocasionado enormes prejuízos a cadeia produtiva e ao próprio comércio das cidades, que já se ressentem nas suas vendas. 

Nosso estado já tem uma das maiores bacias leiteiras do país e atende com suas exportações os grandes mercados consumidores dos estados do centro-sul. O leite e seus derivados, assim como a agronegócio em geral, têm elevado o PIB nos últimos anos e a recente queda nos preços gerou uma gritaria que ecoa de Nova Mamoré á Rolim de Moura. 

Sob acusações de formação de cartéis os laticínios se defendem. Na Assembléia Legislativa, em defesa dos produtores, foi requerida uma Comissão Parlamentar de Inquérito -CPI para investigar o que está ocorrendo, com base em denuncias da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado de Rondônia- Fetagro. Seus dirigentes acusam as empresas de realizarem reuniões secretas para formar cartel e ditar preços no estado. As acusações chegam até a sonegação de impostos. 

A grita dos produtores rondonienses tem razão de ser. Para início de tudo, os laticínios recebem, nas contas da entidade que representa o segmento produtivo, até 85 por cento de subsídios, de um outro lado constatou-se a mais drástica redução no pagamento por litro em Rondônia: R$ 0,15 por litro. Sobram razões para os protestos: os fornecedores nunca sabem o preço real que vão receber pelo produto, sendo surpreendidos a cada semana pelas alterações nas regras do jogo. 

Do lado patronal, respondendo pelos interesses dos laticínios, a entidade alega que as acusações dos produtores carecem de fundamento. Vão mais longe ainda: alegam que quando pagam preços maiores ninguém reclama e, o que está ocorrendo decorre da função das leis de mercado. No tocante a acusação de reuniões secretas, a entidade representativa esclarece que são encontros cotidianos e transparentes, que visam à discussão da realidade do mercado, monitorado diariamente também nos grandes centros. Não conseguem explicar, no entanto, o preço único firmado pelos empresários do ramo, o que caracteriza claramente a cartelização. 

Ao meio de toda confusão começam as discussões a Assembléia Legislativa abre sua CPI na próxima terça-feira visando investigar o que está ocorrendo. 

Fonte: Carlos Sperança/Gentedeopinião

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