Porto Velho (RO) sábado, 18 de agosto de 2018
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Política - Nacional

Setor aéreo segue em crise, com ministro em situação delicada


Isabel Braga, Luiza Damé e Cristiane Jungblut - Agência O GloboBRASÍLIA - A pane no sistema de comunicação que atingiu a área do Cindacta 1 na terça, tornou a quarta-feira mais um dia de caos, com passageiros dormindo nos aeroportos e organizando protestos. A promessa de que a situação estaria normalizada não se cumpriu e a crise operacional ampliou a crise política no setor, deixando praticamente insustentável a permanência do ministro da Defesa, Waldir Pires, no governo, e extremamente delicada a situação do Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, que também pode ser afastado do cargo.Há 60 dias, o governo federal tenta para resolver os problemas da aviação civil, e a insatisfação entre os militares da Aeronáutica e o Ministério da Defesa, comandado por um civil, é crescente. (Leia mais no Globo Digital: Pane no governo: Crise política na aviação expõe falta de comando e deixa ministro em situação delicada).A crise evidenciou ainda a falta de ações coordenadas da Anac e da Infraero. Segundo integrantes do governo, Lula determinou que a ministra Dilma Rousseff voltasse a centralizar as discussões do setor aéreo. Antes de embarcar para a Itália, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse que o governo não vai enfrentar a crise com uma "pressa neurótica ou temperamental".A crise foi assunto no Congresso. Foram criadas na Cãmara e no Senado comissões para acompanhar o tema e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-PA), e o senador Siba Machado (PT-AC) ligaram para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para informá-la das cobranças no Congresso. Jucá contou que o Executivo deverá anunciar, nas próximas horas, um conjunto de medidas.O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que se reuniu na manhã desta quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adiantou que não serão adotadas medidas com pressa para resolver o problema nos aeroportos porque a prioridade é a segurança dos passageiros. Segundo ele, o presidente está tomando todas as medidas políticas com a área técnica.- O importante é não ter pressa neurótica, temperamental, para enfrentar crise. É preservar o limite científico e técnico de segurança dos passageiros. O governo tem de escolher entre dois valores: a vida dos passageiros e o desgaste político. É preferivel sofrer o desgaste político - avaliou Tarso.Tarso não quis falar sobre mudanças no comando do Ministério da Defesa e da Força Aérea Brasileira (FAB) e ainda brincou quando perguntado sobre a possibilidade de substituir Waldir Pires:- Eu jogo sempre no ataque.Já o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), foi incisivo no pronunciamento feito no plenário. Ele pediu que o ministro da Defesa, Waldir Pires, seja destituído do cargo. Segundo Maia, a crise instalada na aviação brasileira mostra que o governo perdeu o controle da situação e que Pires não tem mais condições de gerenciar o problema.- Mesmo com todo respeito que tenho por sua trajetória política, o ministro Waldir Pires não requer mais condições de se manter à frente do ministério da Defesa. A crise instalada no setor aéreo mostra que o governo perdeu o controle e é preciso que o presidente venha dar explicações à sociedade. O governo precisará trocar o ministro, já que crise chegou a um ponto insustentável - disse Maia.O líder do PFL comentou que no vôo que veio do Rio para Brasília pôde vivenciar o drama que outros passageiros estão vivendo nos últimos dias: os controladores de vôo mudam as ordens repassadas aos pilotos a toda hora, num sinal de desrespeito aos passsageiros: - A atitude dos controladores é equivocada e no mínimo desrespeita os passageiros. E isso virou rotina. No Senado, a oposição transformou o plenário em palco de críticas ao governo. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), também pediu a cabeça do ministro da Defesa:- Senhor presidente da República: respeite os 58 milhões que votaram no senhor. Vá trabalhar, deixe de discursar e assuma a sua responsabilidade. Demita quem tem que ser demitido e coloque quem entenda do assunto no lugar.Presidente da Câmara defende Waldir Pires O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, saiu em defesa de Waldir Pires:- O ministro Waldir Pires é um homem de longa experiência política, é um homem honrado e está à altura de enfrentar esse desafio - disse Aldo.O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, ficou irritado com perguntas sobre a permanência do ministro no cargo:- Que pergunta para mim?! Não precisava fazer isso. Somos empossados pelo presidente da República e não temos prazo para ficar. Nós estamos em algum lugar, não somos. Sempre o presidente é que dispõe das nossas funções. Essa é a verdade.Segundo o presidente da Câmara, porém, o governo precisa adotar medidas drásticas para resolver o casos que instalou no controle de tráfego aéreo no Brasil. - Afeta não só a vida dos passageiros, mas também das instituições, como a nossa, que desde cedo me ligam dizendo que estão com problema para embarcar - afirmou.Nesta quarta, tanto a Câmara quanto o Senado aprovaram a criação de uma comissão externa para acompanhar e apresentar sugestões para a crise na aviação. O presidente da Câmara evitou apresentar culpados para o problema e afirmou que é precipitado defender a desmilitarização do controle aéreo no país.Tarso Genro, por sua vez, fez uma crítica às companhias aéreas. Segundo ele, as empresas não estão preparadas para atender os passageiros em momentos de crise:- A constatação é que as companhias aéreas não estão suficientemente preparadas para acolher passageiros em momentos de crise. Com isso, o governo não se exime da responsabilidade, mas outra lição que tiramos é que a iniciativa privada está despreparada.Segundo o ministro, até o momento, o governo não trabalha com a versão de sabotagem nos equipamentos de comunicação do Cindacta 1, mas, com a informação de pane no sistema, o que vem ocasionando cancelamentos de vôos desde a terça-feira.

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