Porto Velho (RO) terça-feira, 17 de setembro de 2019
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Rios voadores em Porto Velho


Quinta expedição perseguirá "rio voador"

A expedição faz parte do projeto Brasil das Águas e acompanhará, pela primeira vez, o caminho percorrido pelos Rios Voadores no Brasil. Porto Velho é uma das cidades que está no roteiro da quinta etapa do projeto.

O projeto Rios Voadores - extensão do projeto Brasil das Águas e patrocinado pela Petrobras desde 2003 - está a todo o vapor. Na segunda-feira (04/02), o piloto ambientalista Gérard Moss, acompanhado por Tiago Iatesta, partiu de Brasília para mais um vôo de coleta de amostras de umidade, a quinta desde o início do projeto, em junho de 2007. Assim como nas outras expedições, o destino é a Amazônia e arredores. A diferença é que agora o caminho do vôo acompanhará, pela primeira vez, a trajetória de uma corrente de ar especifica, ou seja, um "rio voador".

O piloto e seu acompanhante já sobrevoaram o estado de Tocantins, Belém, Santarém, Amazonas, no município de Manicoré, e agora rumam em direção aos céus de Porto Velho. Eles chegarão à cidade hoje (dia 7), às 14h (horário de Brasília), no aeroporto da cidade. Tudo indica que os próximos destinos da expedição devem ser as cidades de Vilhena, Cuiabá, Pantanal, Londrina. "Será um vôo diferente. Não dá para saber exatamente o percurso, pois as massas de ar podem mudar de trajetória de uma hora para outra", explica Gérard Moss.

Para saber o percurso que deve seguir, o piloto conta com conselhos detalhados de meteorologistas da CPTEC/INPE, situado em Cachoeira Paulista (SP). Os experts dispõem de um computador de 16 processadores, com 32 Gb de memória e 64 Gflops de performance de pico, que faz uma previsão numérica de tempo em área limitada. A máquina é baseada no modelo BRAMS, que foi criado pela CPTEC/INPE em agosto de 2005. Sendo assim, é possível definir o deslocamento das massas de ar em 48h e segui-las.

As outras expedições do projeto, realizadas no ano passado alcançaram cidades espalhadas em toda a Amazônia brasileira, desde Belém e Santarém (PA), até Manaus e Tefé (AM), São Luís (MA), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) (Leia mais sobre cada campanha no box abaixo). Além das expedições, a equipe do projeto também realiza periodicamente vôos num hidroavião para coletar amostras de superfície (rios, lagos, córregos e represas).

Conheça o projeto Rios Voadores

De acordo com o cientista brasileiro Enéas Salati, coordenador científico do projeto, 44% do vapor d'água que penetra na região amazônica é responsável por grande parte das chuvas no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste. Os chamados "Rios Voadores" são as correntes de ar que carregam umidade do Norte ao Sul do Brasil.

Estimativas divulgadas recentemente pelo INPE informam que entre agosto e dezembro de 2007, o desmatamento da região somou 3.235 km2, podendo ter chegado a ordem de 7.000 km2. Essa crescente devastação das florestas e queimadas vem preocupando especialistas ambientais, pois podem afetar o regime de chuvas da própria Amazônia e de outras regiões brasileiras para onde a umidade é transportada.

O objetivo é aprofundar os estudos sobre o transporte de vapor d'água da bacia Amazônica para outras regiões, especialmente do território brasileiro, procurando responder como o desmatamento da Amazônia afetará o clima no resto do país, de que forma essa degradação afetará as chuvas das regiões de maior produção de energia hidroelétrica (onde se concentra o maior PIB do país) e como essa umidade chega do norte ao sul do Brasil.

Para coletar as amostras, o avião dispõe de um equipamento capaz de captar o ar ambiente. Assim que é coletado, esse ar é direcionado a um tubo de vidro que é resfriado para condensar a umidade numa gotinha de água no tubo. A análise posterior dessa água procura definir a procedência dessa massa de ar e estabelecer a proporção das gotas de água coletadas, que tem origem do mar, dos rios ou da evaporação feita pelas árvores.

Segundo Salati, a importância de se estudar os rios voadores vem da grande quantidade de vapor d'água transportado por esses "rios", que pode chegar a volumes maior que a vazão de todos os rios do Centro-Oeste e ter a mesma ordem de grandeza da vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s). Um resultado das mudanças climáticas pode variar desde possíveis alagamentos até o início de um processo de desertificação do estado de São Paulo.

O piloto Gérard Moss, idealizador do projeto, planeja fazer uma viagem por mês até a conclusão do projeto, no final do ano. As análises estão sendo feitas pela equipe do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) sob a responsabilidade do Prof. Dr. Reynaldo Luiz Victoria. Os primeiros resultados da expedição devem sair no decorrer de 2008.

O projeto é uma extensão do Brasil das Águas. Desde 2003, tem como patrocinador master, a Petrobras, dentro do Programa Petrobras Ambiental. Para mais informações acesse o site: www.riosvoadores.com.br. 

Fonte: Frederico Schlottfeldt

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