Porto Velho (RO) quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
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Política - Nacional

Ribeirinhos e indígenas da tríplice fronteira querem melhores condições de vida



Amanda Mota
Agência Brasil


Manaus - Para discutir alternativas que viabilizem a melhoria das condições de vida das populações indígenas e ribeirinhas que vivem na fronteira do Brasil, Peru e Colômbia, representantes de movimentos sociais dos três países se reuniram em Tabatinga (AM). Eles participaram do seminário Realidade Socioambiental nas Fronteiras - encerrado ontem (19).

De acordo com Edina Pitarelli, uma das integrantes da comissão organizadora do seminário, mais de 30 instituições, incluindo representantes de movimentos indígenas, sociais, entidades governamentais e não-governamentais, participaram do evento. Ela destacou que uma das propostas foi oferecer aos moradores da região um espaço para que possam falar sobre a realidade da área que habitam e garantir apoio dos governos dos três países. Pitarelli informou que o resultado será um documento com as principais reivindicações desses povos.

A expectativa é encaminhar as propostas às autoridades dos governos brasileiro, peruano e colombiano. Debates sobre a exploração dos recursos naturais, problemas que afetam povos indígenas e comunidades ribeirinhas, políticas governamentais e migração desses povos do interior para os municípios centrais fizeram parte da programação.

"Existem muitas questões relacionadas à rotina desses povos que merecem atenção, como a migração de ribeirinhos, a territorialidade e o meio ambiente. É preciso trazer à tona essas questões e buscar a articulação dos três governos envolvidos [Brasil, Colômbia e Peru] para o desenvolvimento de um trabalho conjunto", declarou Edina Pitarelli.

A região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia está localizada a cerca de 1.150 quilômetros de Manaus. Do lado brasileiro, a área é considerada uma das mais pobres do Norte. Segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são altas as taxas de analfabetismo na área (superiores a 30%) e complicadas as possibilidades de atendimento no setor de saúde, sobretudo para os que vivem em comunidades fora das sedes dos municípios. Em muitos locais, faltam água e energia elétrica.

De acordo com o representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Norte, Hidenário Mochiizawa, as principais questões apresentadas pelos participantes do seminário estão relacionadas às condições socioeconômicas dos povos indígenas e ribeirinhos. Por parte dos indígenas, disse, existem reclamações sobre tudo que está relacionado a trabalho e à exploração de recursos naturais. Por parte dos ribeirinhos, acrescenta, o apelo é para que as autoridades lhes dêem mais escolas, professores e assistência em saúde, com médicos e postos ou hospitais.

"Os indígenas têm reclamado da diminuição dos recursos naturais. Dizem que, atualmente, há menos peixes e frutos do que há anos atrás e querem ajuda para que possam viver sem ser prejudicados pelas mudanças relacionadas à exploração dos recursos naturais. Eles também pedem a demarcação de suas terras para viver de acordo com a cultura indígena, sem serem afetados pelo trabalho dos brancos", declarou.

"Quanto aos ribeirinhos, existe uma preocupação ligada à educação, à saúde e à formação para as atividades na floresta. Eles gostariam de continuar vivendo onde nasceram, mas se dizem obrigados a migrar para as cidades em busca de melhores condições de vida", acescentou o representante do Cimi.

 "Reunimos em Tabatinga povos que vivem muito sozinhos e longe das políticas públicas. Eles precisam de apoio para ter uma vida mais digna. Esse é oprincipal desafio para os governos dos três países: pensar nas melhorias das condições socioeconômicas desses povos, levando em consideração sua cultura e seu ambiente natural", finalizou Mochiizawa.


 

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