Porto Velho (RO) segunda-feira, 10 de agosto de 2020
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Política - Nacional

'Quanto vai custar o primeiro lugar na lista?', indaga analista


Hilda Badenes (Agência O Globo) RIO - O sistema de voto em lista - uma das propostas que pode ser aprovada no pacote de reforma política - apresenta algumas vantagens, mas abre espaço para a corrupção interna dos partidos, uma vez que deixará nas mãos dos caciques partidários a escolha dos nomes da lista. O alerta é feito pelo cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Social (IBPS). - Os presidentes dos partidos e os membros de diretórios eleitorais vão controlar as indicações para a lista. O eleitor perde a liberdade de escolher seu candidato. Isso pode fazer com que a corrupção eleitoral se desloque das ruas para dentro do partido. Quanto vai custar o primeiro lugar na lista? - indaga. Monteiro explica, no entanto, que o voto fechado pode melhorar a qualidade da representação na Câmara, à medida que o peso do poder econômico na campanha - que presumirá o financiamento público - será muito menor. - A diferença de renda, de capital político, deixa de existir. O partido ganha mais condições de preparar uma chapa melhor. Há pessoas de excelente nível, mas que não têm voto e que podem dar uma boa contribuição. Assim, pode melhorar a qualidade da representação, ao colocar pessoas mais bem preparadas na disputa - avalia. Para que o voto em lista não seja instrumento de corrupção das oligarquias partidárias, Monteiro sugere que sejam tomadas algumas precauções. Segundo ele, é preciso ter garantido por lei a eqüidade entre os filiados na disputa e critérios mais objetivos para definir os lugares na lista. - Uma outra proposta seria ter um mecanismo em que o eleitor pudesse alterar a posição dos candidatos na lista - sugere. Na opinião do analista, o eleitorado terá dificuldade de assimilar o novo sistema - que pode ser aprovado no pacote de reforma política. Além disso, ele lembra que o voto em lista é bem sucedido em sistemas partidários fortes, o que não é o caso do brasileiro. - Há 100 anos, estamos acostumados a votar em nomes de candidatos. Nosso sistema partidário não é forte. Nossos partidos são marcas fantasia, sem identidade ideológica nenhuma - analisa.

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