Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de setembro de 2019
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Gente de Opinião

Política - Nacional

Povos isolados e fronteiras são temas de encontro no Acre


Políticas e ações relacionadas aos povos isolados, a situação dos povos que foram divididos pelas fronteiras entre Brasil, Bolívia e Peru e os projetos de infra-estrutura que impactam povos da região amazônica são os principais temas do II Encontro Trinacional de Povos Indígenas da fronteira Brasil, Bolívia e Peru, que começou dia 17 e segue até 20 de julho, em Rio Branco, Acre.
Uma das preocupações centrais, no tema das fronteiras, é que os Estados nacionais respeitem as relações entre os povos que vivem nos locais onde hoje existem fronteiras entre países.  É o que afirma o antropólogo Jacó Piccoli, da Universidade Federal do Acre (UFAC).  ”Uma das ações necessárias é a facilitação do transito dos indígenas, que enfrentam problemas ao serem submetidos ao controle de fronteira sem que sejam levadas em conta suas características próprias”, afirma o pesquisador, um dos organizadores do encontro.  Diversos povos que foram separados pelas fronteiras continuam em contato.
Ainda segundo Piccoli, outro ponto central é a defesa das terras destas populações, para que posam exercer suas formas de vida livres de ameaças.  E algumas das ameaças atuais partem dos próprios Estados: projetos de hidrelétricas, estradas, pecuária, mineração, extração madeireira, prospecção de petróleo e gás e turismo em terras indígenas estão entre os problemas enfrentados pelas comunidades.
Uma passeata até a Assembléia legislativa do Acre, para a entrega das propostas do encontro aos deputados, será realizada nesta sexta-feira, 20, às 10h30.
O encontro é organizado pela Organização dos Povos Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (OPIn), Federação Nativa de Madre de Díos (FENAMAD), do Peru, e Central Indígena de Pueblos Originários de la Amazonia de Pando (CIPOAP), da Bolívia.

Sucuri'y - Os Guaranis voltam a viver em suas terras e fazem planos

“Estamos tranqüilos.  Vamos trabalhar em nossa terra.  Vamos fazer lavoura, criar galinha, criar peixe e porco e cuidar da natureza”, disse com muito orgulho o velho Turíbio.  Ao passar pelos barracos e andar no meio da lavoura, Wilson,cacique da comunidade Sucuryí, fala dos planos da comunidade para organizar as famílias para a produção, cuidar da terra e reflorestar.
Em 26 de junho, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Justiça e do Ministério Publico Federal de Dourados estiveram na área para dar a posse da Terra Indígena Sucuri’y, de 535 hectaters, para a comunidade Kaiowá-Guarani.  O grupo viveu confinado em 64 hectares por 10 anos, enquanto viu sua terra invadida pelas lavouras de fazendeiros.

Longa história de resistência
A expulsão dos guarani desta terra começou em 1947.  A terra foi destinada, pelo governo estadual, para um instituto de pesquisa e depois ocupada por fazendeiros.  Os índios permaneceram espalhados na região, inclusive na periferia da cidade de Maracaju.  Desde 1984, a comunidade realizou retomadas para voltar a viver em suas terras, mas foram sempre expulsos pelos fazendeiros e seus jagunços.  Em uma das retomadas, em 1997, buscou-se uma solução negociada e os Guarani ficariam em um espaço de 64 hectares, enquanto os fazendeiros cultivariam o restante da terra.
A terra foi demarcada em 1996, homologada, e até registrada em 2004.  Mas uma disputa judicial impedia os Guarani de viverem ali.  Finalmente, no dia 10 de janeiro de 2007, um juiz da 1a.  Instância, em Dourados, deu a decisão favorável aos Guarani.  Determinou que em 90 dias os fazendeiros se retirassem da área.  Depois de recursos dos fazendeiros e dos indígenas, no dia 5 de junho o Tribunal Regional Federal da 3a.  Região reconheceu o direito dos Kaiowá à Terra Indígena Sucuri’y

 Fonte: CIMI - Conselho Indigenista Missionário

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