Porto Velho (RO) terça-feira, 3 de agosto de 2021
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Petrobras pode cancelar venda de refinarias se Bolívia não pagar até 11 de junho


Ramona Ordoñez, Agência O Globo LA PAZ - A Petrobras informou nesta terça-feira que a compra de suas duas refinarias por parte da Bolívia será cancelada se o país não concretizar o negócio até o dia 11 de junho, embora a empresa não acredite que se chegue a essa situação. A advertência foi feita pelo presidente da Petrobras na Bolívia, José Fernando de Freitas, durante entrevista coletiva convocada para explicar a situação da venda das refinarias. O evento aconteceu na sede boliviana da Petrobras, na cidade de Santa Cruz de la Sierra. Quanto à possibilidade de a Bolívia não realizar o primeiro pagamento em 11 de junho, Freitas disse que, nesse caso, "cai a proposta da Petrobras", já que esse é o prazo fixado para concluir a transferência. A proposta consiste em vender as duas refinarias, uma na cidade de Cochabamba e outra em Santa Cruz, por US$ 112 milhões que devem ser quitados em duas parcelas - a primeira em 11 de junho e a segunda, 60 dias depois. No entanto, Freitas disse que não vê motivos para o negócio não ser concluído porque o Governo da Bolívia já fez um compromisso e anúncios à população a esse respeito. O presidente Evo Morales considerou o acordo para a compra das refinarias mais um passo no processo da nacionalização petrolífera, decretada no dia 1º de maio de 2006. - É a palavra do governo (da Bolívia), não há por que não acreditar nela - insistiu o executivo. Freitas esclareceu que a empresa tem toda a documentação pronta para concretizar o negócio, inclusive antes da data limite. O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, disse na semana passada que a Bolívia usará os 30 dias do prazo para assinar o acordo porque deve revisar com muita cautela os detalhes da transferência. Freitas também disse que o acordo define que a empresa receberá pagamento em dinheiro pelas refinarias, e não em gás. Mas ele ponderou que uma solicitação nesse sentido por parte do Governo Morales deve ser analisada. - Não tem justificativa para o negócio não ser logo fechado. Nós queremos vender - e eles querem e já aceitaram comprar. E quanto mais rápido isso se der, melhor para todos - disse Freitas, ao deixar claro que a estatal brasileira quer receber o valor em dinheiro. - Caso haja uma solicitação do governo boliviano ou seja proposta alguma forma de pagamento que possa ser feita em gás, vamos avaliar. Há complexidades para esse pagamento em gás natural. Não é algo muito simples de se fazer e repito que o que está estabelecido é que o pagamento será em dinheiro - acrescentou. Segundo o executivo, durante as negociações, a Petrobras baixou suas pretensões de US$ 153 para US$ 112 milhões, embora Morales tenha afirmado que o custo caiu várias vezes, de 200 para 153, depois para 135 e, finalmente, fechou em US$ 112 milhões. As duas refinarias da Petrobras têm, ao todo, 338 empregados, dos quais quatro são da Petrobras (três brasileiros e um argentino). Os demais são mão-de-obra local. A Petrobras acertou com a YPFB a manutenção dos empregos e dos salários e benefícios nos próximos dois anos.

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