Porto Velho (RO) sexta-feira, 10 de julho de 2020
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Política - Nacional

Nunca ouvi falar que diretores da Alstom estivessem no Senado, disse Raupp



Alstom fez reunião no gabinete de Raupp

Assessor parlamentar teria participado de encontro; senador diz não saber

Um dos relatórios da Polícia Federal sobre a Operação Castores informa que o assessor parlamentar José Roberto Paquier e representantes da Alstom — empresa fabricante de turbinas elétricas — e da Eletronorte se reuniram pelo menos uma vez no gabinete do líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), ao longo de 2006. Dirigentes da Alstom estão sendo acusados de pagar propina a políticos e funcionários públicos para facilitar a liberação de pagamento de dívidas de estatais, ou para reduzir valores de multas aplicadas por descumprimento de contratos com o setor público.

Segundo a polícia, a reunião ocorreu no momento em que a Alstom tentava se livrar de multa de R$ 46 milhões aplicada por suposta entrega de turbinas com defeito à hidrelétrica de Tucuruí.

Paquier, até então um dos principais assessores de Raupp, e mais cinco pessoas foram presos em 23 de maio de 2006 na primeira fase da Operação Castores.

Entre os documentos apreendidos na casa de Paquier, em Brasília, no dia da prisão dos investigados, está uma folha de agenda com os nomes de Valdir Raupp e diretor de Projetos da Eletronorte, Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Funcionários de alto escalão da Eletronorte estão na lista Na lista constam ainda os nomes do ex-presidente da Eletronorte Carlos Nascimento e de outros altos funcionários da estatal, como o diretor de Gestão Corporativa, Hércio José Ramos Brandão, supostos afilhados políticos de Raupp, e o engenheiro Winter Coelho. Os nomes deles estão ao lado de cifras entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. No verso da folha, aparece indicações de contratos da Alstom e da construtora Norberto Odebrecht. A polícia suspeita de que a lista seria uma referência a pagamentos de propina.

As investigações ainda estão em andamento.

As suspeitas foram reforçadas depois dos interrogatórios dos acusados. Um dos dirigentes da Alstom admitiu em depoimento à PF que a empresa pagava "comissões" a intermediários de seus negócios com estatais no Uruguai. As ordens de pagamento partiam da matriz da empresa, na Suíça, e o dinheiro era depositado, segundo a polícia, numa conta no Uruguai.

Uma das contas estava em nome da Aranza, empresa do engenheiro Luiz Geraldo Tourinho.

Pelas investigações da polícia, o engenheiro recebia 5% do valor das operações.

— O dinheiro nunca vinha para o Brasil. O pagamento da propina era feito no Uruguai mesmo — disse ao GLOBO um dos investigadores do caso.

Entre os documentos apreendidos na Operação Castores estão dois registros de suposto pagamento de propina a partir da conta da Aranza. São dois comprovantes de depósito, um de US$ 550 mil e outro de 220 mil euros. Na época das descobertas, a PF pediu informações a autoridades suíças sobre as atividades da Alstom, mas até hoje não recebeu resposta. Procurado pelo GLOBO, o senador Valdir Raupp disse que desconhece qualquer reunião de Paquier com representantes da Alstom em seu gabinete.

— Nunca ouvi falar que teve reunião de dirigentes da Alstom em meu gabinete.

Nunca ouvi falar que diretores da Alstom estivessem no Senado — disse Raupp.

O senador afirmou ainda que demitiu José Roberto Paquier logo depois que soube da prisão do ex-assessor e que nada sabe sobre a lista de suposto pagamento de propina. Raupp acrescentou que só indicou para a Eletronorte Hércio Brandão. Os demais citados na lista de Paquier seriam indicações de outros políticos.

Fonte: O Globo

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