Porto Velho (RO) sexta-feira, 10 de julho de 2020
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Michel Temer quer


Adauri Antunes Barbosa - Agência O Globo SÃO PAULO - O deputado Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB, disse neste domingo que o aumento de quase 100% dos salários dos deputados e senadores deve ser "reconversado" esta semana em Brasília, já que a medida não recebeu "uma palavra sequer" de apoio. - Este é um assunto para ser reconversado esta semana na Câmara e no Senado. A repercussão foi extremamente negativa, nós todos sabemos disso. Tenho observado pela imprensa que não houve uma palavra sequer de compreensão e de apoio - disse Temer, que participou pela manhã na eleição do novo diretório estadual do partido. O presidente do PMDB, que já foi presidente da Câmara dos Deputados em duas oportunidades, achou "razoável" que a a proposta de reajuste dos parlamentares siga os índices de inflação dos últimos quatro anos. - Seria uma coisa razoável. Acho que seria menos de 30%. Acho que deve haver um reconversação sobre esse assunto porque a repercussão foi muito negativa e isso não é bom nem para o Congresso Nacional e nem para o país. Nós temos que compreender isso e temos que propor uma fórmula que seja adequada. Diante do ceticismo de um repórter, que classificou a possibilidade de a decisão sobre o aumento ser mudada como fato inédito, Michel Temer reafirmou sua posição. - Mas o ineditismo também ocorre. O presidente do PMDB disse ainda que o partido fará uma reunião em Brasília na quarta-feira para decidir qual será a posição em relação a eleição do novo presidente da Câmara. Segundo ele, um deputado de Santa Catarina já se colocou como candidato. - Não sabemos ainda (se o partido terá candidato). Vamos decidir isso na quarta-feira próxima ainda. Não estou me colocando como candidato. Hoje há muitos (nomes) no PMDB. Nem quero nomear. Houve um deputado que me comunicou, o Edinho Bez, de Santa Catarina, diz que gostaria de ser candidato - disse. Michel Temer não quis arriscar uma opinião sobre as chances do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ser reeleito com o apoio do presidente Lula. - Isso é difícil dizer. Tem o (Arlindo) Chinaglia que está saindo pelo PT, tem o Aldo. Acho que isso é uma coisa que se define às vezes no último dia. Fui presidente da Câmara duas vezes e me recordo que dois dias antes das eleições havia tantos embaraços políticos que poderiam até comprometer naquela época a minha eleição. Tem um mês e meio pela frente, é uma eternidade - disse. Segundo o presidente do PMDB, o partido já está atuando efetivamente na coalizão com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elaborando propostas, por exemplo, para a reforma tributária, enquanto aguarda a fase de execução do programa da aliança e a possibilidade de compor o ministério. - Veja que na aprovação que nós fizemos dos itens propostos para o país nós já designamos, por exemplo, o governador Germano Rigotto (RS) para cuidar da reforma tributária pelo PMDB, portanto para colaborar com o governo. Agora nesta última reunião do conselho político nós propusemos que em 45 dias os partidos políticos levem para debate no conselho e com o presidente da República os temas referentes à reforma política e às questões econômicas do país. Então, por enquanto a coalizão está se formando em torno de projetos, no que eu chamo de formulação, que é a primeira fase. A segunda fase é a fase da execução. Se no momento da execução o presidente da República entender que deve chamar pessoas do PMDB ele chamará - disse. Temer considerou que o nome do deputado Delfim Neto (PMDB-SP) tem "tradição" e é "respeitado" e, se for convocado por Lula para compor o ministério, será examinado. - Quando surgir o convite para qualquer membro do PMDB nós vamos examinar. É um nome respeitado. Creio que tem unidade. Não sei, acho que terá (unidade). O nome do deputado Delfim Neto é uma nome de tradição na área econômica, uma figura que tem dimensão nacional, de modo que se for chamado o PMDB vai examinar isso. É claro que as bancadas da Câmara e do Senado desejarão examinar os nomes apresentados e nós vamos democratizar a própria escolha, digamos assim, dos ministros.

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