Porto Velho (RO) sábado, 18 de agosto de 2018
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Política - Nacional

Megaoperação desbaratou quadrilhas perigosas que atuavam em São Paulo


Wagner Gomes - Jailton Carvalho e Adauri Antunes - Agência O GloboBRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO - Durante a megaoperação realizada pelas policias civis de todo o país encerrada nesta sexta-feira foram desmanteladas quadrilhas perigosas que agiam no estado de São Paulo. Foram presos membros de quadrilhas de seqüestradores, de ladrões de contêineres e de celulares. Membros de uma gangue acusados de espancar homossexuais também foram detidos. Até bombas caseiras feitas com extintores e com forte poder de destruição foram apreendidas com traficantes.Numa ação conjunta inédita, iniciada na segunda-feira e divulgada na sexta, policiais civis prenderam pelo menos 2.280 pessoas em 13 estados e no Distrito Federal ( conheça os números da operação). Só em São Paulo foram 1.675 presos num único dia. Entre eles, estavam 219 menores. Desse total, 773 foram autuados e liberados após prestarem depoimento nas delegacias. Eles são acusados de crimes de menor gravidade e responderão inquérito em liberdade. No balanço da ação realizada no estado feito pelo delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, Mario Jordão Leme, que também é presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia e coordenou a operação, houve três mortes de bandidos em confronto com a polícia. Foram apreendidos 321,95 quilos de entorpecentes e 257 armas apreendias, entre elas duas metralhadoras. O balanço total da operação só será divulgado na segunda-feira.O delegado Mario Jordão disse que em todo o país o foco da operação foi agir contra quadrilhas, mas o presidente da Federação dos Policiais Civis do Centro-Oeste e Norte, Divinato Ferreira, criticou duramente a ação coordenada. Segundo Ferreira, a megaoperação uma tentativa de aumentar o poder da categoria frente ao Ministério da Justiça. O delegado Celso Ferro, diretor do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil, em Brasília (DF), também afirmou que a ação tinha como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre a atuação da Polícia Civil, mas o coordenador da operação negou que a iniciativa fosse um protesto.- Não foi um protesto, mas uma ação para mostrar à população que a Polícia Civil está combate à criminalidade, utilizando articulação e inteligência - afirmou Mario Jordão.O delegado do DF, porém, dissera que os policiais querem ser ouvidos na definição das políticas de segurança, na elaboração de leis e na decisão sobre investimentos para o combate à criminalidade. Segundo Celso Ferro, os policiais civis não estão sendo ouvidos nem mesmo pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, Senasp, chefiada pelo delegado de Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.O delegado aproveitou para criticar o projeto que incluiu o crime organizado no Código Penal, aprovado esta semana na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.- Agora mesmo, a CCJ do Senado aprovou projeto sobre o crime organizado que não traz nenhum instrumento novo e nós não fomos ouvidos - disse.A decisão de lançar a ofensiva foi tomada na última reunião do do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil, em fevereiro, em São Paulo ( clique aqui e leia a reportagem no Globo Digital). Os representantes dos órgãos policiais de todo o país decidiram priorizar o cumprimento dos mandados de prisão relacionados ao homicídio pela gravidade desse tipo de ocorrência e pelo impacto que causa na sociedade.Centenas de prisões e apreensõesMilhares de agentes saíram às ruas em todo o país para cumprir centenas de mandados de prisão temporária, administrativa e preventiva. Os policiais buscaram foragidos, prenderam criminosos em flagrante e ocuparam áreas consideradas de risco. No Espírito Santo, 60 pessoas foram presas desde o início da operação, na segunda-feira. Por falta de espaço nas cadeias, os presos foram colocados em micro-ônibus nas delegacias.No Rio, pelo menos 12 mil homens fizeram operações em vários pontos do estado.Os policiais estiveram em várias favelas. Em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, a Delegacia de Defesa do Consumidor fechou um estabelecimento que vendia seis toneladas de carne de porco fora da validade e sem condições sanitárias. Em outra frente, policiais da Delegacia de Repressão a Crimes contra Saúde Pública estouraram um depósito de cigarros clandestino.No Distrito Federal, 222 policiais foram mobilizados para cumprir 451 mandados de prisão. O esforço resultou em 43 presos.No Mato Grosso, foram presas 131 pessoas até o início da tarde. Cerca de 150 investigadores e policiais militares, além de 25 delegados, participaram da ação. Foram 39 presos no Mato Grosso do Sul, 29 na capital Campo Grande.O Paraná registrou ao menos 29 presos, entre eles Dirceu Jacobi, de 29 anos, que estava foragido. Jacobi era procurado pela polícia depois que foi descoberto, no dia 16 deste mês, o cativeiro onde ele mantinha a ex-mulher em cárcere privado há nove meses.Em Porto Alegre, cerca de 80 agentes se concentraram nas áreas em que ocorreram 80% dos 90 homicídios registrados na capital gaúcha neste ano. Cinco suspeitos de homicídios, sendo dois adolescentes, foram detidos. Drogas, armas e munição foram apreendidas, incluindo balas para fuzil.Em Pernambuco, 264 policiais participaram da operação, prendendo 33 pessoas. Do total, foram 13 prisões em flagrante e outras 20 pessoas compareceram às delegacias para prestar depoimento. Catorze mandados de prisão foram cumpridos pela polícia, que apreendeu ainda cerca de quatro quilos de crack e outros quatro quilos de maconha. Vinte e dois veículos foram apreendidos e outros 1.339 foram vistoriados em todo o estado.No Ceará, como parte da megaoperação nacional, ações de combate ao tráfico de drogas e à exploração sexual de crianças e adolescentes resultaram neste sábado na prisão de três adolescentes, em Fortaleza.No Tocantins, 55 pessoas foram presas em Palmas. A ação durou cinco horas e só terminou na madrugada deste sábado. Foram feitos 30 flagrantes e cumpridos 25 mandados de prisão. Cerca de 600 policiais civis participaram da operação. A 290 quilômetros de Palmas, foi descoberta uma plantação de dois hectares de maconha. Os donos da fazenda fugiram.Em Santa Catarina, o feriado na capital Florianópolis enfraqueceu a ação e apenas uma pessoa foi presa. No Piauí, a greve da Polícia Civil impediu a realização da megaoperação.A polícia de Minas Gerais não participou da operação. Não houve mobilização especial e as atividades da polícia seguiram a rotina com prisões e apreensões, mas sem vínculo com as ações da operação nacional. A chefia da polícia mineira não informou os motivos da ausência, mas garantiu que existe uma troca permanente de informações entre a Polícia Civil de Minas Gerais e o Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil.

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