Porto Velho (RO) domingo, 31 de maio de 2020
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Política - Nacional

Justiça relaxa prisão de Procurador-geral licenciado do Amazonas


Ismael Machado - Agência O Globo BELÉM - O procurador-geral licenciado do Amazonas, Vicente Cruz, teve a prisão relaxada pelo desembargador Domingos Chalub e deve aguardar as investigações em sua residência. Cruz foi preso na terça-feira, suspeito de ter planejado a morte do também procurador Mauro Campbell, como indicam gravações telefônicas feitas pela Polícia Civil de Manaus. O motivo seria a disputa pela vaga de procurador-geral, com eleição marcada para 15 de fevereiro. Os dois disputariam o cargo. Desde segunda-feira, Vicente Cruz estava sob custódia. A prisão foi decretada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA), desembargador Francisco das Chagas Auzier. O relaxamento da prisão de Cruz levou o secretário de Segurança do Amazonas, Sá Cavalcante, a dizer que não acredita mais nas instituições. - Com todas as provas colhidas, não dá para entender essa decisão - lamentou. Nesta sexta, ele disse que nunca tramou a morte de ninguém e que, nas conversas gravadas, estava tratando do cancelamento de obras numa paróquia. Afirmou ainda que a fita com a gravação das conversas mantidas com Élson Moraes, o suposto agenciador, foi manipulada. - É uma armação política contra mim - disse. O relatório da Central de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, porém, indica forte suspeita de participação de Cruz no esquema que visava assassinar Campbell. Tanto a mulher de Élson Moraes, Maria José Dantas da Silva, presa terça-feira, quanto Franklin Barbosa, que seria contratado para executar o crime, teriam confirmado em depoimento que, desde o Natal do ano passado, havia uma trama para assassinar Campbell. O relatório da Secretaria de Segurança indica que a ordem para a execução partiu de Cruz. Procurador ameaçado de morte se diz refém em casa Depois de ter descoberto o esquema para assassiná-lo, em Manaus, o procurador Mauro Campbell Marques, de 43 anos, anda com colete à prova de balas e com quatro viaturas da polícia fazendo sua proteção pessoal. Vicente Cruz cumpriu a prisão domiciliar a que esteve sujeito no próprio gabinete, na sede do Ministério Público, na capital do Amazonas, numa sala vizinha ao gabinete de Campbell Marques. - Eu estou abalado. Nunca passei por uma situação dessas. Eu não posso trabalhar porque, ao lado, tem uma pessoa que pode ter planejado minha morte - disse Marques. - Minha preocupação permanece. Eu estou refém. O pistoleiro está na rua, o intermediário está solto. O que está por trás disso, eu não sei, porque custo a acreditar que tudo isso seja por causa de uma vaga de procurador-geral - afirma Campbell. O caso Vicente Cruz é acusado de ter contratado, por R$ 20 mil, os serviços de um pistoleiro para matar Mauro Campbell. O pistoleiro é um presidiário, conhecido apenas por Frank, que cumpre pena em regime de semi-liberdade. Ao ver a foto de quem teria de matar, o pistoleiro reconheceu o procurador. Assustado com a importância do cargo de Campbell, ele procurou um advogado, que encaminhou o caso ao Ministério Público. A partir daí, o Serviço de Inteligência da Polícia Civil, sob ordem judicial, quebrou o sigilo telefônico do pistoleiro e do intermediário Élson Moraes. Na gravação, Vicente Cruz apareceria negociando com o intermediário a suspensão do assassinato de Campbell. As escutas foram feitas desde a última sexta-feira, mas só na segunda-feira o nome de Cruz aparece como um dos envolvidos no esquema. A gravação telefônica com a voz de Vicente Cruz foi feita no final da manhã de segunda-feira. O procurador ligou para o intermediário, minutos depois de ter telefonado para Campbell, em sinal de solidariedade por conta das ameaças. Na gravação, cujos trechos foram mostrados por uma emissora de televisão de Manaus, o procurador licenciado teria pedido ao intermediário, Élson Moraes, que ele 'abortasse' a operação. Mas, segundo as investigações, quando tudo já estava combinado, Vicente Cruz teria mandado o agenciador, identificado com Elson, desfazer o acordo com os pistoleiros que realizariam o serviço. Vicente: "Olha... aborta, aborta. Tudo aquilo." Élson: "Abortar?" Vicente: "Aborta" Élson: "Pior que o pessoal tá na rua. Eu não sei se..." Vicente: "Não! Não! Aborta. Aborta!" Élson: "Tá bom?" Vicente: "Tá" Segundo a polícia, Vicente Cruz desistiu porque teria preferido usar um outro grupo de pistoleiros, que não chegou a ser contratado. Vicente: "Eu desisti, meu irmão, tá bom? E depois eu já estou chamando outras pessoas. Tá bom? Mas vai lá comigo" Além das gravações telefônicas, a Polícia Civil fotografou e filmou a ida de Elson à casa do procurador.

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