Porto Velho (RO) sexta-feira, 17 de agosto de 2018
×
Gente de Opinião

Política - Nacional

Governo diz que pesquisas mostram que Bolsa Família não cria dependência


Carolina Brígido - Agência O Globo

- Os dados que a gente tem não apontam esse tipo de dependência. Se os benefícios fossem extintos, praticamente dobraria o número de indigentes. Segundo o Ipea, 70% dos beneficiários têm trabalho. Desses 70%, apenas 15% têm carteira assinada. Os demais ocupam trabalho precário e de baixa remuneração. Pesquisas do ministério têm apontado que programas de transferência de renda acrescentam na renda da família entre 25% e 30%. Isso significa que elas têm atividade produtiva - disse.

Lúcia Modesto admitiu que o ministério tem identificado casos em que as mães preferem ficar em casa cuidando dos filhos porque o salário que ganhariam no trabalho é muito baixo. Segundo ela, no entanto, isso só acontece em regiões em que o trabalho é extremamente precário.

- Alguns casos temos acompanhado. Mãe com 4 filhos e recebe R$ 95 do Bolsa Família. Muitas vezes ela prefere ficar em casa cuidando dos filhos do que sair para ganhar R$ 3 por dia para trabalhar. Isso acontece em locais em que o trabalho é mais precário. Ou seja, não haveria risco de "viciar" os beneficiários, como disse o religioso.

Lúcia Modesto disse ainda que o ministro Patrus Ananias tem contato constante com a Igreja e que, se existe crítica, ela deve ser encaminhada à pasta. Lúcia frisou ainda que o programa não se resume a transferir renda.

- Opiniões são sempre bem-vindas para melhorar o programa. O Bolsa Família não é só transferência de renda. Tem também o acompanhamento de saúde e educação das crianças e inclusão produtiva das famílias. Para isso, essas famílias precisam ter um mínimo de capital para serem inseridas no mercado de trabalho. Condições mínimas de educação. O programa não é só dar dinheiro para a família e achar que está tudo resolvido.

Críticas falam em 'acomodação' e 'empanzinamento'

Em entrevista coletiva organizada pela CNBB, Dom Aldo fez duras críticas ao programa Bolsa Família. Para o religioso, da forma como está sendo administrado pelo governo, o programa é assistencialista e acaba levando o beneficiário a se acomodar.

- Não estamos muito satisfeitos com o programa como está. No Nordeste existem pessoas que não querem trabalhar porque se contentam com o mínimo. As pessoas precisam ser inseridas no mundo do trabalho. A capacitação não pode ser só pelas universidades, mas é preciso investir em educação profissionalizante para os trabalhos. Do modo como está sendo levado, (o Bolsa Família) é um programa assistencialista que vicia. É só uma ajuda pessoal familiar. O povo tem que se organizar. Do jeito como está, levou à acomodação e ao empanzinamento - criticou Dom Aldo Pagotto.

Perguntado se a posição de Dom Aldo Pagotto era a mesma da CNBB, o presidente da entidade, dom Geraldo Magela, afirmou que o bispo também falava pela conferência.

Na entrevista, a CNBB anunciou ainda que pretende propor a realização de um plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce. Dom Geraldo elogiou a atuação de Lula da campanha eleitoral, quando o petista incluiu na campanha a discussão sobre as privatizações. O bispo acrescentou que esse assunto não pode ficar restrito à campanha. Tem que voltar a ser debatido em 2007.

Leia também: CNBB diz que Bolsa Família é 'assistencialista' e 'vicia'

Mais Sobre Política - Nacional

 Moro age como se fosse autoridade superior, diz Favreto no CNJ

Moro age como se fosse autoridade superior, diz Favreto no CNJ

O desembargador do TRF-4 Rogério Fraveto, que em 8 de julho determinou a soltura do ex-presidente Lula, decisão que não foi cumprida, disse, em sua de

Grupo Abril pede recuperação judicial

Grupo Abril pede recuperação judicial

O grupo Abril entrou com um pedido recuperação judicial nesta quarta-feira (15); plano de recuperação judicial será mostrado aos credores em até 60 di

Sonegação de R$ 26 bi do Itaú vai a julgamento. É a maior da história

Sonegação de R$ 26 bi do Itaú vai a julgamento. É a maior da história

Está revogada a decisão do Carf que havia livrado o banco de pagamento de multa de R$ 26 bilhões por sonegação de impostos; é a maior da história...

Bancários se manifestam em Brasília em defesa de bancos públicos

Bancários se manifestam em Brasília em defesa de bancos públicos

Bancários protestam contra as resoluções da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da Uni