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Política - Nacional

DEBATE: candidatos falam de corrupção e segurança pública


Agência O Globo RIO - O debate do SBT com os presidenciáveis teve, logo em seu primeiro bloco, temas incômodos para os dois candidatos: o tucano Geraldo Alckmin voltou a cobrar do presidente Lula explicações sobre a tentativa de compra do dossiê contra o PSDB; e Lula fez críticas à política de segurança pública de São Paulo na administração Alckmin, lembrando os ataques de uma facção criminosa à capital. Ao contrário do encontro realizado na TV Bandeirantes, dessa vez os candidatos começaram o debate com outra postura: o tucano deixou de lado o tom agressivo e o petista foi mais irônico em suas declarações. O primeiro tema sorteado foi agricultura. O presidente admitiu que o Brasil teve problemas no setor nos últimos dois anos, mas defendeu-se citando os investimentos agrícolas que seu governo fez. Alckmin acusou seu adversário de ter sido omisso na questão agrária gerando o que chamou de 'maior crise dos últimos 40 anos' na área. Lula reconheceu que, por falta de recursos, não pôde fazer tudo para resolver os problemas da agricultura mas argumentou que, com a criação do seguro agrícola, o país está pronto para superar novas crises. A corrupção foi o segundo tema sorteado. Geraldo Alckmin citou os escândalos ocorridos no governo Lula, como os casos Waldomiro Diniz, Mensalão, Valerioduto, Getec, Visanet, Secom e a tentativa de compra do dossiê contra tucanos. - O que nós vimos no atual governo em termos de corrupção não foram fatos isolados, o que já seria grave, e sim uma questão endêmica. (...) E culminamos com a questão do dossiê, R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, apreendido, e agora o presidente da CPI (dos Sanguessugas) diz que foi dinheiro do crime. A sociedade merece explicações - afirmou Alckmin. Lula replicou dizendo que a 'campanha vai terminar sendo de uma nota só' e argumentou que seu governo está apurando as denúncias: - No meu governo, a diferença é que quando existe uma denúncia qualquer, nós tomamos a decisão de afastar as pessoas envolvidas e garantir que as investigações sejam feitas da forma mais transparente possível - observou. Saúde foi o terceiro tema do debate. O presidente Lula voltou a citar números de investimentos feitos pelo governo no setor e defendeu que a oftalmologia seja considerada uma questão de saúde pública. O tucano Geraldo Alckmin acusou o governo de não ter investido em saúde, gerando segundo ele problemas em áreas como medicamentos genéricos, tratamento contra Aids e atendimento nos hospitais públicos. Na tréplica, Lula admitiu que a saúde pública ainda está longe do desejado, mas argumentou que seu governo fez muito pelo setor e prometeu fazer mais num eventual segundo mandato. O último tema do primeiro bloco - segurança pública - voltou a esquentar o debate. O candidato tucano acusou a administração petista de não cuidar do policiamento da fronteira para coibir o contrabando. Alckmin também disse que o governo Lula cortou verbas do fundo penitenciário e prometeu não se omitir no combate ao tráfico de drogas e armas. - O que o governo atual fez foi cortar todas as verbas, reduziu pela metade o fundo de segurança e penitenciario. Se esse é um problema do Brasil todo, então é um problema do presidente. Não vou me omitir, vou criar o ministério da Segurança Pública, chamar os 27 governadores para trabalhar de forma integrada - declarou Alckmin. Lula, por sua vez, foi irônico ao comentar as promessas do adversário, lembrando os ataques de uma facção criminosa à cidade de São Paulo. - Pelo amor de Deus, que o povo de São Paulo não ouça, porque vão achar que vai ter um PCC no Brasil inteiro - afirmou o presidente. Alckmin declarou que seu governo pôs na cadeia os principais líderes da facção criminosa e acusou o governo federal de fazer política de segurança pública de forma partidária. O tucano lembrou que o traficante Fernandinho Beira-Mar ficou confinado num presídio de segurança máxima de São Paulo por mais tempo do que o estipulado inicialmente.

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