Porto Velho (RO) quarta-feira, 24 de abril de 2019
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Política - Nacional

Cristovam Buarque: Fui demitido porque faltou habilidade política


Agência O GloboRIO - O candidato do PDT a presidente da República, senador Cristovam Buarque, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista ao "Jornal Nacional", que foi demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando era ministro da Educação, porque faltou habilidade política de sua parte.- Eu fui demitido porque incomodei o presidente. No Executivo eu fiz tudo perfeitamente, faltou habilidade política. Eu não tive habilidade para entrar naquele meio do PT. Mas eu não queria ter habilidade política em um governo que não dá prioridade para a educação - disse.O ex-governador do Distrito Federal, que admitiu ter errado politicamente também quando disputou a reeleição ao governo com o peemedebista Joaquim Roriz, em 1998, disse que não pediu o afastamento do governo na época, para não ser demitido, porque seu sonho era entrar na história do país como o ministro que erradicou o analfabetismo. Na entrevista, o senador falou ainda sobre sua posição nas últimas pesquisas eleitorais, seus planos para o governo e suas prioridades nesta campanha. Confira abaixo os trechos mais importantes da entrevista:CREDENCIAIS - "Nos dois cargos (governador do Distrito Federal e ministro da Educação) cumpri tudo o que prometi. Criei o Bolsa Escola, que surgiu em 1986, quando era reitor (da Universidade Federal de Brasília) e publiquei um livro. No primeiro dia do governo lancei o Bolsa Escola. Dando a bolsa e investindo na educação, só eu fiz. Não foi só isso. Aumentamos em 64% o salário do professor, criamos o poupança escola, onde toda criança do Bolsa Escola recebia, se passasse de ano, um dinheiro na caderneta de poupança."HABILIDADE POLÍTICA: "Perdi (a eleição) porque errei do ponto de vista político, mas acertei do ponto de vista moral. Me neguei a dizer que daria aumento de 28% aos funcionários. Meu opositor disse que daria e não deu. Isso levou 15 mil a mudar de lado. No Executivo (Ministério da Educação) fiz tudo. faltou habilidade politica e eu não queria ter habilidade politica dentro de um governo que não dava prioridade à educação. Habilidade política é importante como presidente. (No governo) eu vou nomear o ministro, não vou ser demitido pelo presidente".SAÍDA DO GOVERNO: "Quando peguei o programa de governo do Lula disse que era para valer e comecei a executar. Certificação federal do professor, erradicação do anafalbetinsmo em quatro anos, programa de escola ideal. Incomodei demais o presidente. Queria ficar na História como o ministro que erradicou o analfabetismo. Isso era um sonho. Comecei tudo e os projetos estão nas gavetas da Casa Civil".FEDERALIZAÇÃO DO ENSINO: "Mantém-se a descentralização. Deve-se criar três padrões mínimos para todos os municipios: o padrão de salário e de formação, o padrão de conteúdo e o padrão de edificações e equipamentos. Toda criança tem que aprender a ler antes dos sete, oito anos em qualquer cidade. Tem que ter uma lei de responsabilidade educacional. O prefeito que não cumprir metas federais fica inelegível".PESQUISA: "Educação não é unanimidade, senão não estava com 1%. Por incrível que pareça, é uma novidade um presidente que diga que educação é prioridade. Nenhum disse. O Alckmin fala em gestão, economia, não fala em educação".OUTRAS PRIORIDADES: "Todas as outras. Tem que cuidar da economia, da saúde, da escola, das estradas. Agora só a educação vai revolucionar o Brasil".

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