Porto Velho (RO) quinta-feira, 16 de agosto de 2018
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Controle aéreo não tinha técnico para solucionar pane


Agência O GloboBRASÍLIA - O Brasil não tinha técnicos especializados em solucionar o problema que, na terça-feira, interrompeu todas as comunicações entre aviões e torres de controle do Cindacta 1, tornando inoperantes por três horas todos os aeroportos do Sudeste e do Centro-Oeste, causando a maior pane da aviação civil brasileira. Estas informações foram dadas pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, nesta quinta-feira, a deputados da comissão extraordinária criada para investigar as causas do caos do tráfego aéreo.- O ministro disse que este incidente é relativamente normal. O problema foi não ter um técnico especializado no momento do incidente - afirmou o deputado Alberto Fraga (PFL-DF).Segundo Fraga e os outros deputados que estiveram com o ministro - Alceu Collares (PDT-RS) e Carlos William (PMDB-MG) - Pires afirmou que o problema de comunicação só pôde ser verificado porque, por casualidade, um técnico francês que trabalha na empresa italiana que fabricou o rádio utilizado pela Aeronáutica, estava em Manaus e foi transferido às pressas para Brasília.- Será que este único técnico vai ficar aqui permanentemente? Teremos um com formação brasileira? E ele (o ministro) também não nos informou porque faltou este técnico. A qualquer momento o problema pode ocorrer de novo - disse Carlos William.O deputado Alberto Fraga afirmou ainda que que Pires nada conhece dos problemas técnicos e de pessoal, e está sendo enganado com a omissão de informações pela Aeronáutica. A Comissão extraordinária da Câmara dos Deputados foi criada para investigar o caos do transporte aéreo no país e está agendando encontros com outras autoridades aéreas a partir da próxima semana.- A Aeronáutica, esse sistema (de controle aéreo) é uma verdade caixa preta - afirmou William.Mais cedo, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, dissera que o governo estuda a criação de novos quatro centros de controle, que funcionariam como reservas aos atuais quatro Cindactas (Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo). Zuanazzi afirmou ainda que o governo já comprou equipamentos de reserva, iguais aos que falharam na terça-feira, e que eles devem estar completamente instalados até o fim da semana que vem. E, ainda segundo ele, o governo já está providenciando a compra de um novo sistema de rádio para ser instalado em São Paulo, como determinou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma reunião emergencial sobre a crise na terça-feira.Dilma diz não acreditar em sabotagemA ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, dissera pela manhã que o problema no sistema de comunicação de rádio é simples e que o governo agiu bem.- O governo agiu tentando preservar a questão da segurança, ou seja, colocou a segurança como a questão mais importante para ser encarada, mesmo que isso causasse alguns incômodos, ou grandes incômodos à população. A avaliação feita até agora é que o problema que ocorreu não é um problema sério. É um problema bastante simples de solução. Dilma disse ainda que não acredita em sabotagem, e sim numa falha humana ou de equipamentos.- Não acredito que pareça ser algo como uma ação indevida, acho que foi mais uma falha humana do que qualquer ato de sabotagem - afirmou.Ministro do TCU critica contingenciamentoO contingenciamento dos recursos destinados aos órgãos do setor aéreo deverá ser um dos problemas apontados no relatório preliminar da auditoria operacional do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o ministro Augusto Nardes, que está investigando os problemas que vêm ocorrendo nos aeroportos do país, os controladores de vôo estão comandando todo o processo do espaço aéreo e falta falta autonomia financeira para o órgão regulador do setor, a Agência Nacional de Aviação Comercial (Anac).Crise deixa Pires em situação delicadaA crise operacional ampliou a crise política no setor, deixando praticamente insustentável a permanência do ministro da Defesa, Waldir Pires, no governo. Há 60 dias, o governo federal tenta resolver os problemas da aviação civil, e a insatisfação entre os militares da Aeronáutica e o Ministério da Defesa, comandado por um civil, é crescente.O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, informou, por sua vez, que o governo não vai adotar medidas com pressa para resolver o problema e criticou as companhias aéreas que, segundo ele, não estão preparadas para atender os passageiros em momentos de crise.

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