Porto Velho (RO) quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
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Política - Nacional

CNBB: Bispos respondem a jornalistas sobre politica e corrupção



Na primeira coletiva da 46ª Assembléia da Conferência Nacional, nesta quarta-feira, 2, os jornalistas questionaram os bispos sobre temas de política, corrupção, ameaça que alguns bispos têm recebido no Norte do país e sobre a recente pesquisa que aponta a alta popularidade do presidente Lula. Participaram da coletiva o bispo auxiliar de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, dom Pedro Luiz Stringhini; o bispo de Roraima (RR), dom Roque Paloschi e o bispo de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo Bernardino.

Respondendo à pergunta sobre um possível terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o bispo de Blumenau, dom Angélico Sândalo Bernardino, disse que num regime democrático, não cabe terceiro mandato. “No regime democrático, o melhor é a renovação”, afirmou. Dom Angélico disse ainda que é necessária uma reforma política séria e cobrou reforma agrária e agrícola para o país. Disse que a Igreja “está pronta para colaborar com o Governo e outras instituições para que o povo tenha vida”.

O porta-voz oficial do encontro, que reúne mais de 300 bispos, dom Orani João Tempesta, arcebispo de Belém e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura, Educação e Comunicação Social, disse que nem o próprio presidente e nem sua base de apoio manifestaram o interesse de mudanças na Constituição para permitir uma segunda reeleição.

Pesquisas e PAC

Sobre as recentes pesquisas de opinião pública, que mostram o crescimento da popularidade do presidente Lula, dom Pedro Stringhini afirmou que “não é mau que o governante seja bem avaliado”, mas recomendou que o presidente aproveitasse sua alta aprovação popular para avançar nas questões éticas e no respeito ao meio ambiente. “Se o presidente Lula, com a popularidade que tem, fosse mais rígido nas questões éticas e na defesa do meio ambiente seria muito bom para o país”.

Dom Angélico elogiou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em execução pelo governo federal. “Bem-vindo seja o PAC, sim! Não acho que seja demagogia. Mas não tenho ilusões, porque sempre que se tenta fazer reformas profundas há resistência das classes dominantes. Eu vim de antes de 1964 e vi que as reformas de base foram impedidas pela coligação das elites, que desembocou no golpe de 64”, disse.

Corrupção e eleições

A respeito das eleições municipais de 2008, os bispos anunciaram que a assembléia geral deverá fazer recomendações aos fiéis para que votem conscientemente contra os candidatos corruptos. “A corrupção está arraigada no poder político e é praticada acintosamente por parte dos políticos. A Igreja vê como lamentável a corrupção e a sua impunidade. O estado democrático não conseguiu eliminar esse mal. A Igreja não recomenda que o descrédito na política leve à omissão do eleitor, para não deixar o poder político na mão dos corruptos”, afirmou dom Pedro Stringhini.

Dom Angélico disse ver com “alegria enorme o trabalho da Polícia Federal contra a corrupção, colocando muitos engravatados na cadeia”. Mas lembrou que é preciso apresentar provas, para que os culpados sejam punidos. “A impunidade no Brasil assusta”, completou dom Roque.

Quanto ao surgimento do dossiê supostamente elaborado por pessoas ligadas ao governo na questão dos cartões corporativos, dom Angélico disse que não cabe à CNBB avaliar essa questão: “Quem deve opinar sobre isso é a oposição”.

Ameaças a bispos

Os bispos também falaram sobre os colegas ameaçados de morte por causa do trabalho social e pastoral desenvolvido pela Igreja na defesa dos fracos e oprimidos. São cinco bispos, mas dom Roque Paloshi – ele próprio um dos ameaçados por causa da defesa dos índios de Roraima – lembrou que há também padres, irmãs, agentes de pastoral e a própria comunidade sob ameaças terríveis.

Dom Pedro Stringhini disse aos repórteres que as ameaças aos bispos não intimidam e não vão deter o trabalho da Igreja. “O povo não tem para onde correr e, por isso, os bispos também não correm. Vamos continuar nosso trabalho”, disse. Dom Angélico lembrou que a Igreja encara as perseguições ao seu trabalho como uma das bem-aventuranças de Jesus Cristo.

Dom Roque relatou as dificuldades que a Diocese de Roraima enfrenta por causa da questão indígena. “Todas as áreas indígenas continuam invadidas por fazendeiros e produtores rurais. O conflito é alimentado por um Estado anti-indígena. O grupo de produtores de arroz entrou na Reserva Raposa Serra do Sol quando a terra estava sendo demarcada e não aceita as indenizações do governo para se retirar. A posição da Igreja é de respeito à lei, pois a área foi homologada”, disse.

Dom Roque reclamou que os políticos e a grande imprensa também dão uma grande parcela de contribuição ao acirramento dos ânimos: “As ações políticas e as reportagens estão sempre ao lado dos produtores de arroz, que são os invasores da reserva Raposa Serra do Sol”, lamentou.

Celibato

Outro ponto levantado pelos jornalistas foi a questão do celibato que, segundo divulgou a imprensa, teria sido questionado pelos padres no 12º Encontro Nacional dos Presbíteros (ENP) realizado em Itaici no mês de fevereiro. “A questão do celibato não foi colocada no Encontro de Presbíteros”, afirmou dom Angélico. Segundo afirmou, houve equívoco na divulgação da informação. “Não quero culpar a imprensa. A linguagem não foi entendida”, explicou lembrando o caso dos “novos pecados capitais”, que se trata “apenas de exemplos de pecados da atualidade citados por um bispo, e não da nova lista de pecados oficiais divulgados pelo Vaticano como saiu na imprensa”.

De acordo com o bispo, “no 12º ENP não houve proposta de se escrever para o Vaticano a respeito do celibato”. Ele afirmou que a posição da Igreja sobre o celibato é muito clara e bem conhecida de toda a imprensa.

Fonte: CNBB

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