Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de abril de 2019
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Política - Nacional

Campanha não sofre abalo, dizem analistas


Allan Caldas e Lilian Sapucahy (Agência O Globo)RIO - Embora de conseqüências ainda imprevisíveis e vindo à tona na reta final da campanha eleitoral, a nova série de denúncias envolvendo o PT, o presidente Lula e o candidato ao governo de São Paulo, José Serra, do PSDB, não deve trazer qualquer alteração ao quadro de intenções de voto registrado pelas pesquisas. A avaliação é unânime entre os cientistas políticos ouvidos pelo Globo Online, que, no entanto, não desconsideram as conseqüências políticas de mais este capítulo. A comentarista de política Lúcia Hipólito não esconde sua perplexidade diante de mais uma denúncia.- Sinceramente, não dá para afirmar quem ganha ou quem perde com o novo quadro - diz.- A quase 10 dias da eleição, não faço idéia de que tipo de efeito isso tudo terá. Os próximos dias serão cruciais - afirma - O fator tempo neste caso é protagonista, não é coadjuvante.Para ela, a grande conseqüência da acusação de compra de provas não é eleitoral, mas sim política, com o presidente Lula entrando em um possível segundo mandato já com uma mancha em sua bagagem.Lúcia Hipólito amplia um pouco o foco da análise e vê risco para o trabalho já realizado pelas CPIs até aqui.- A situação é muito delicada porque foram as acusações feitas por Luiz Antônio Vedoin que levaram à CPI dos sanguessugas. Se o PT agora desmente suas acusações e diz que ele não é digno de crédito, desqualifica tudo - lembra a comentarista.Sobre as investigações, ela diz existirem duas perguntas que merecem resposta, uma de forma outra de conteúdo.- Primeiro, é preciso saber se há algum fundo de verdade nas acusações envolvendo o nome de José Serra. E, segundo, como esta denúncia se cohstruiu, ou seja, quem pagou, de onde veio o dinheiro. Lúcia considera que o assessor Freud Godoy pode ser o Gregório Fortunato do governo PT, comparando-o com o personagem do governo Getúlio Vargas que arcou com a responsabilidade do atentado contra Carlos Lacerda.- É o assessor fidelíssimo que tem uma idéia genial para ajudar o chefe, e que assume os erros.A mesma comparação fez o pesquisador Rogério Schimitt, da consultoria Tendências.- Se realmente for comprovado algum envolvimento do Planalto, o próprio governo ou o PT vai procurar minimizar os danos, personificando a culpa.Schmitt aposta neste escândalo e em seus desdobramentos como a principal pauta eleitoral para os próximos dias, até a realização do primeiro turno.- Que o fato é grave não há a menor dúvida. E provavelmente vai continuar sendo a principal pauta até o fim da semana. Ninguém pode saber até onde isso vai parar. O desfecho é imprevisível. Contudo, para ele, a menos que surjam, nos próximos dias, novos fatos ainda mais contundentes, a campanha presidencial não deve ser afetada. - As campanhas já foram claras, todos os escândalos já foram explorados. Isto está provando que o eleitorado está saturado de denúncias. As pessoas estão mais preocupadas com os resultados econônmicos do que com os escândalos.Para ele, a resposta a esta saturação é a manutenção dos índices de intenção votos atuais, e já seria uma grande reviravolta se as denúncias provocassem a realização de um segundo turno este ano.- Isso poderia ser provocado se aparecesse, até o 1º turno, uma prova incontestável contra o governo ou uma pessoa muito próxima do presidente - disse, lembrando ainda que dentro destes poucos dias que faltam para o dia da votação, apenas cinco programas eleitorais irão ao ar na TV.- Mesmo que aparecesse uma prova neste período, não haveria tempo para ser explorada pela oposição.O presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, Geraldo Tadeu Monteiro, chama o episódio de "ação desastrada de aprendizes de feiticeiros" do PT paulista e lembra que Lula teria que perder 437 mil votos por dia para que houvesse necessidade de um segundo turno, reforçando a idéia de que a campanha eleitoral será pouco afetada. - Se os escândalos anteriores, especialmente o do mensalão, não foram capazes de desestabilizar a campanha de Lula, não acho que este seja capaz. A base do eleitorado de Lula não vai se impressionar com isso, são pessoas que têm pouca informação. Na dúvida, vão preferir se agarrar às ações sociais.

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