Porto Velho (RO) segunda-feira, 13 de julho de 2020
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Política - Nacional

Aumento real do mínimo e mais empregos elevam consumo de famílias de baixa renda


Bruno Rosa - Agência O Globo RIO - O aumento do salário mínimo acima da inflação e a melhora no mercado de trabalho estão provocando uma elevação no padrão de consumo das famílias de classe E e, pela primeira vez desde o Plano Real, essa mudança se mantém com o passar do tempo. Segundo reportagem pubilcada pelo jornal O Globo nesta terça-feira, a conclusão é do estudo "Mais dinheiro no bolso dos brasileiros", feito pela consultoria Ipsos em 54 mil domicílios no fim de 2006. Nos últimos três anos, o consumo de 18 das 30 categorias de produtos e serviços pesquisadas pelo Ipsos só fez crescer entre o segmento menos favorecido da classificação usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em outras cinco categorias, a compra manteve-se estável. As famílias mais pobres estão enchendo a geladeira e a despensa com alimentos mais caros, comprando artigos considerados supérfluos e indo com maior freqüência a salões de beleza e farmácias. Elas também já estão experimentando os avanços tecnológicos no segmento de eletroeletrônicos: em 2006, 1% da população de baixa renda comprou pela primeira vez uma televisão de 29 polegadas. TV de 29 polegadas em 1% dos lares A coordenadora do estudo, Daina Ruttul, afirma que o orçamento dos menos favorecidos está apresentando uma folga. É de olho nas classes D e E, pondera ela, que as empresas vão expandir seus negócios. Segundo a especialista, os mais ricos e a classe C mantêm o padrão de consumo em patamar estável. - Com o aumento do salário mínimo acima da inflação, as famílias mais pobres obtiveram ganho real. Somente no primeiro semestre do ano passado, a classe E começou a usufruir os primeiros indícios de sobras do orçamento. Além disso, a estabilidade dos preços foi um importante fator para o aumento no consumo - disse Daina. Entre os alimentos pesquisados, a mistura para bolos e tortas está mais presente nas despensas da classe E: passou de 12% dos domicílios, em 2005, para 16%, em 2006. A pipoca para microondas estreou na cozinha dessas famílias no ano passado. Em 2006, o produto chegou a 1% dos lares da classe E. Frango, sorvete, iogurte, adoçante, chocolate em barra e bombom também aparecem com mais freqüência na lista de compras da população de baixa renda. Os mais pobres estão se perfumando mais e dando atenção maior à aparência, revelou o levantamento. A ida ao salão de beleza, por exemplo, já é realidade para 17% da classe E. Em 2004, o hábito era comum para apenas 12%. O mesmo aconteceu em relação às idas a farmácias e drogarias: citadas por 29% dos entrevistados, em 2004, e por 34%, no ano passado. Segundo o levantamento, o número de pessoas da classe E com TV de controle remoto passou de 26%, em 2004, para 33%, em 2006. - O avanço tecnológico está cada vez mais acessível. Com preços menores, devido à produção em larga escala, e oferta de crédito, as famílias de baixa renda estão mais integradas ao mundo moderno. Prova disso é o índice de consumo de celulares: passou de 13%, em 2004, para 30%, no ano passado - afirmou Daina. Marcio Pochmann, da Unicamp, credita o crescimento do consumo da classe E à estabilidade dos preços e à criação de novas vagas. Segundo o economista, os trabalhadores que ganham salário mínimo tiveram ganho real médio de 5% ao ano entre 1995 e 2006. Além disso, continua Pochmann, 60% das vagas abertas entre 1990 e 2005 foram de serviços ligados às classes mais baixas, como atividade doméstica, segurança, babás, além de autônomos. - Cerca de 70% da renda é destinada à alimentação, ao transporte e à moradia. O preço dos alimentos subiu menos em relação a outros segmentos. Além disso, o aumento no consumo foi influenciado pelo crédito, já que várias empresas do comércio passaram a atuar como bancos. O programa de renda do governo também beneficiou os 40% mais pobres da população - explicou Pochmann.

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