Porto Velho (RO) domingo, 29 de novembro de 2020
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Política - Nacional

Acidentes como o da Gol quase aconteceram em três outras ocasiões este ano


Agência O Globo RIO - Pelo menos três desastres aéreos como o do avião da Gol - que matou 154 pessoas no fim de setembro - quase aconteceram este ano, revela reportagem da revista "Época" desta semana. O repórter Walter Nunes teve acesso a relatórios confidenciais do comando da Aeronáutica, que o Fantástico divulgou neste domingo com exclusividade. Os documentos mostram que três incidentes graves ocorreram nos céus brasileiros nos últimos meses. São casos de quase-colisão, em que os aviões não se chocaram por pouco. O risco de acidente foi classificado como "crítico", que, segundo o manual da Aeronáutica, é quando o choque não ocorreu devido ao acaso ou à ação evasiva de algum dos pilotos. Segundo um controlador de vôo com mais de 20 anos de experiência, quase-colisões entre aeronaves são comuns no Brasil. - Esses incidentes podem ocorrer em qualquer local, em qualquer área terminal, em qualquer área de centro de controle, em qualquer proximidade com qualquer aeroporto. Caso 1: aviões da Varig e da TAM quase se chocam após manobra errada O primeiro caso aconteceu em 16 de janeiro, no sudoeste de Curitiba. Um boeing 737 da Varig tinha saído do aeroporto da capital paranaense com destino a Porto Alegre, enquanto um Fokker 100 da TAM viajava de Buenos Aires para Curitiba. No meio do caminho, o TCAS, radar das aeronaves, indicou a aproximação das duas aeronaves. O centro de controle percebeu o problema e instruiu as aeronaves, mas o avião da Varig efetuou uma manobra errada. - O comandante da Varig, em vez de fazer uma curva para a direita, para se distanciar ainda mais do Fokker 100, virou para a esquerda, indo justamente de encontro - disse o controlador de vôo. Os dois jatos passaram muito perto um do outro: menos de mil pés, ou cerca de 300 metros, a distância mínima recomendada no espaço aéreo. Caso 2: apenas 150 metros separou aeronaves no interior de SP O caso número 2 aconteceu em 19 de maio, na região de Boituva, interior de São Paulo. O comandante Costa pilotava um Cessna 180, carregando um grupo de paraquedistas. - Quando eu voltei, um colega da área falou que o centro de controle de Curitiba tinha recebido uma informação de uma aeronave que estava passando e me viu e falou que passou um pouco perto - contou o comandante Costa. A aeronave que estava passando era o vôo 1696 da Gol, que ia de Curitiba para o Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Só que o avião estava num rumo errado, ele passava perto demais do Aeroporto de Boituva. - Em virtude disso, ela acabou indo para cima dessa aeronave que estava efetuando o lançamento de paraquedista - completou o controlador de vôo. Segundo o relatório da Aeronáutica, os dois aviões não se chocaram por muito pouco. Passaram a apenas 150 metros um do outro. Caso 3: piloto descreve susto com o vulto de um avião O caso número 3 aconteceu em 30 de junho. O MD-11 da Varig, que ia para o Aeroporto de Cumbica, em São Paulo, levantou vôo de uma das pistas. Outro avião se preparava para pousar em outra pista. Por segurança, o controle de aproximação de Manaus pediu ao MD-11 que fizesse uma curva à direita após a decolagem. O avião seguiu a ordem. Logo depois, o comando mandou a aeronave regressar à rota original. Só que o controlador não percebeu que havia outro avião levantando vôo. O avião, que partia do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, era um Brasília da Força Aérea Brasileira. Os dois aviões quase bateram no ar. Um dos pilotos do MD-11 escreveu mais tarde um e-mail para o setor da Varig responsável por segurança aérea. O assunto do e-mail: risco de colisão. No documento, o piloto diz que foi "surpreendido por um vulto no pára-brisa dianteiro. Era um avião Embraer 120, o popular Brasília". O e-mail continua: "A aeronave passou, com toda a certeza, a menos de 50 metros da nossa. Conseqüência: um tremendo susto, risco enorme de colisão e um silêncio na freqüência". "Silêncio na freqüência" quer dizer que o piloto não foi alertado pelo rádio da torre de controle sobre o risco de colisão. - É um relato bastante preocupante, porque, numa situação como aquela, em que o piloto está muito preocupado com a parte dos instrumentos da aeronave, porque ele está iniciando um procedimento de decolagem, iniciando um procedimento de subida, é um momento em que ele não está com a atenção voltada para fora da cabine. E quando ele viu o vulto da aeronave passar à direita, ele ficou bastante assustado. Para nós, que somos controladores de tráfego aéreo, o susto ocorre também, embora nós não estejamos voando, estejamos aqui em terra - comentou o controlador de vôo.

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