Porto Velho (RO) quarta-feira, 16 de outubro de 2019
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Política - Nacional

A lista fechada é 'um golpe contra o eleitor'


Luisa Valle - Agência O GloboRIO - Na opinião do professor Ricardo Ismael, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a proposta de lista fechada é um verdadeiro desastre para o eleitor. Segundo Ismael, adotar a lista fechada vai acabar afastando o eleitor da política, pois quem vai decidir quem serão os parlamentares que vão representar a legenda é o partido, não o eleitor.Não faz sentido ser o partido quem vai escolher o candidato- Eu acho um retrocesso gravíssimo, um golpe contra o eleitor. Isso vai tirar a chance do eleitor de definir quem será seu representante. Não faz sentido ser o partido quem vai escolher o candidato. Na prática, o eleitor não vota mais no nome - disse.O professor da PUC-Rio chamou atenção ainda sobre a impossibilidade de a medida ser aplicada na atual conjuntura do Congresso. Para ele, o eleitor deixou de confiar nos partidos após as crises políticas que envolveram parlamentares de várias legendas:- Imagina a cabeça do eleitor, pensando que quem vai escolher os candidatos que farão parte de lista dos partidos será o Roberto Jefferson, ou qualquer outro mensaleiro. O eleitor não confia nos partidos e já está querendo votar nulo. Nessa conjuntura atual é um desastre as listas fechadas, vai causar um desencanto ainda maior.Ismael acredita que ao invés de adotar as listas fechadas, existem outras medidas mais importantes e eficazes que podem ser adotadas em uma reforma política como a fidelidade partidária e o voto distrital.- No ponto de vista teórico cabe qualquer coisa. No ponto de vista teórico os partidos vão precisar ter mais critérios, mas a gente precisa ver a realidade, o que realmente vai acontecer. Quem defende a lista fechada são as pessoas que tem medo de uma revolução do eleitor, da renovação - disse.O professor falou ainda sobre a possibilidade de na hora de montar uma lista, um estado pode acabar com maior representação do que outro:- Isso acontece porque muitas um partidos às vezes é mais forte do que outro em algum estado específico. Algum estado pode acabar menos representado na lista da legenda - disse, lembrando, porém que isso poderia ser facilmente consertado com uma emenda no texto da legislação eleitoral.

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