Porto Velho (RO) domingo, 1 de agosto de 2021
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Política - Nacional

A difícil missão de FHC



Para enfrentar Lula e Dilma, ex-presidente costura chapa tucana "puro-sangue" para 2010, com José Serra e Aécio Neves. Só falta decidir quem será o cabeça de chapa

SÉRGIO PARDELLAS E MINO PEDROSA

 Na ensolarada tarde do dia 12 de agosto, uma terça-feira, reuniuse na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na rua Rio de Janeiro, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, a cúpula dos dois principais partidos da oposição. Estavam presentes os presidentes do PSDB e DEM, senador Sérgio Guerra (PE) e o deputado Rodrigo Maia (RJ), o senador Marco Maciel (DEM-PE) e o ex-presidente nacional do PFL Jorge Bornhausen. Depois de fazerem uma avaliação minuciosa da atual conjuntura do País e concluírem que o presidente Lula e a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dominam e vão dominar a cena política se a oposição permanecer apática, os caciques do PSDB e DEM selaram dois acordos. O principal deles foi proposto pelo ex-presidente: o de lançar, no máximo no início do próximo ano, a pré-candidatura de uma chapa "purosangue" do PSDB à Presidência da República. A idéia é pôr a candidatura dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) na rua, sem definir, por enquanto, o cabeça de chapa. Dessa forma, FHC acredita que o PSDB conseguirá polarizar as atenções com Lula e Dilma, sem perder espaço no noticiário, ao mesmo tempo que iniciará um processo de unidade interna dos tucanos. "A chapa puro-sangue é um sonho de Fernando Henrique", confirma um amigo do ex-presidente.

Na conversa, o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM) aprovou a idéia, por considerar a união de Serra e Aécio a arma mais poderosa da oposição no momento. "Fizemos um diagnóstico da conjuntura política e decidimos que precisamos nos movimentar", admitiu Maia, concordando que é preciso reagir para evitar que Dilma e Lula continuem a reinar soberanos no noticiário. "Na reunião não definimos candidato, até porque a decisão não será tomada agora. Entre Serra e Aécio, o candidato será aquele que estiver mais bem colocado nas pesquisas. Se não houver alguém que se destaque mais, vamos optar pelas prévias", esclareceu Guerra. Um novo encontro foi marcado para novembro, depois das eleições municipais.

Pelo que propõe FHC, sacramentada a chapa pura, Aécio e Serra celebrariam um acordo prévio segundo o qual, vencendo as eleições de 2010, ambos se empenhariam em acabar com a reeleição. O fim da reeleição daria condições políticas para que um dos dois se consolidasse como candidato em 2014. Para os entusiastas da proposta, a chapa pura seria a única maneira de o PSDB acabar com a fogueira de vaidades interna e se unir até as eleições presidenciais.

O principal obstáculo à proposta de FHC é justamente convencer Serra ou Aécio de que um apoiará o outro quando for definido quem será cabeça de chapa. Lançá-los no início do ano que vem sem definir quem será o candidato a presidente, tudo bem. E mais adiante, quando o martelo for batido a favor de um dos dois? No PSDB, até os tucanos de gesso que adornam a sede do partido em São Paulo sabem que Serra não abrirá mão de ser o candidato por considerar que agora é a vez dele, possivelmente sua última chance. Aécio, por sua vez, ainda é jovem e terá outras oportunidades, argumentam os aliados de Serra. Da mesma forma, a expectativa alimentada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, é de que Aécio tenha papel de protagonista nas eleições de 2010, e não de coadjuvante. Na mesma conversa com FHC, há cerca de dois meses, Aécio ponderou que seria difícil justificar em Minas que não disputará a Presidência. Afinal, cumpre o segundo mandato de governador. Se Aécio conseguir atrair o chamado bloco de esquerda (PSB, PDT e PCdoB), dizem seus aliados, será difícil fazer com que o neto de Tancredo desista da cabeça de chapa.

Fonte: Revista IstoÉ

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