Segunda-feira, 19 de outubro de 2015 - 16h27
Já são mais de vinte horas de tensão desde o início da rebelião no final da tarde de domingo (18.10) na Casa de Detenção Dr. José Mario Alves da Silva, o Urso Branco, quando cerca de 70 presos se recusaram a liberar 38 familiares que estavam em visita nas celas, resultando numa rebelião sem a possibilidade de controle por parte dos servidores penitenciários.
Havia apenas onze agentes de plantão quando iniciou o motim, e a vulnerabilidade na segurança facilitou a ação dos presos. O Urso Branco possui atualmente cerca de 650 reclusos, e, além do baixo efetivo de servidores para tentar manter a ordem entre muros, em caso de rebelião eles não têm condições de proteger, pelo menos, a própria vida – já que não há armas e equipamentos em número suficiente para esse tipo de situação.
“Os presos sabiam que não tínhamos condições de conter a rebelião, e com isso avançaram e foram dominando o presídio”, disse um agente se referindo à falta de equipamentos de segurança como munições antimotim, coletes balísticos e escudo de proteção. E ainda, a maioria dos aparatos disponível está em más condições de uso: sucateados ou com prazo de validade vencida.
O representante dos agentes penitenciários, Anderson Pereira, juntamente com os advogados sindicais Cristiano Polla e Gabriel Tomasete, acompanha a rebelião desde os primeiros momentos. Ele revelou os servidores tiveram uma experiência tensa hoje pela manhã. “Além de não poder contar com a mínima estrutura, os servidores ainda ficaram sem qualquer informação sobre reforços”, relatou Pereira. A ação dos PMs só veio acontecer após quase vinte horas de rebelião.
Anderson também esteve com presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RO, Rodolfo Jacarandá, quando ressaltou que o SINGEPERON (Sindicato dos Agentes) vem cobrando há tempo soluções urgentes para se evitar desfechos como esse no Urso Branco. “O número reduzido de servidores, a falta de armas, de munições e de equipamentos de segurança vem sendo objeto de cobrança do Singeperon há anos”, protestou o representante.
Os agentes penitenciários programaram um movimento por soluções no sistema penitenciário de Rondônia previsto para acontecer entre os próximos dias 22 a 26. A categoria pede o aumento do efetivo de servidores e condições de trabalho nas unidades prisionais do Estado. De acordo com a diretoria do Singeperon, os servidores estão sendo obrigados a trabalhar de forma contrária à lei, e colocando as suas vidas em risco diariamente.
Fonte: Lucas Tatuí Libarino
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