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Silvano Rabelo: Policiais não consegue combater o tráfico de drogas no Acre



Nesta segunda-feira, 09, o policial militar Edvânio da Silva Figueira, 33, que fazia segurança em um estabelecimento comercial foi morto ao trocar tiros com assaltantes. Este não foi o único crime do ano envolvendo militares e cidadãos. Hoje um dos delegados de policia civil mais atuantes, e respeitado entre os colegas, decidiu falar sobre criminalidade e violência que assusta a população da capital. Em entrevista exclusiva ao ac24horas, Silvano Rabelo diz que não tem medo de bandidos e de fazer seu trabalho policial, afirma que seu único temor são os "Os castigos de Deus". 

Para Silvano, a miséria é um dos fatores que influenciam na crescente violência nas capitais. Mas faz ressalvas. "Eu nasci de uma família pobre no seringal Iquirí na Vila Porto Acre. Vivíamos, eu meus pais basicamente da agricultura de subsistência. Vim para cidade aos quinze anos de idade sem conhecer nada. Eu era analfabeto e fui ser estivador para não morrer de fome. Eu tinha e hoje tenho mais dignidade pelo que sou, e pelo que eu era. Mas venci. Não foi preciso roubar nem matar. Com meu esforço, respeito ao próximo e a Deus cheguei até onde estou. A miséria é um fator sim para a violência, mas não um dogma que não possa ser quebrado", esclarece. Rabelo, diz que uma das suas maiores preocupações é o tráfico de drogas. 

De acordo com o delegado falta maior fiscalização no combate ao tráfico de drogas, a legislação brasileira é branda, enquanto isso as quadrilhas vão se especializando para vencer as barreiras policiais de investigação.


Leia a entrevista:

 Ac24horas - A que o senhor atribui essa entrada de entorpecentes em nosso estado?

Silvano Rabelo
- É simples. O Acre faz fronteira com dos países considerado os maiores produtores de drogas do mundo. A Bolívia e o Peru. Temos uma malha viária imensa e quase sem nenhuma fiscalização. Eu poderia dizer sem medo de errar que a fiscalização não coíbe nem um terço de toda droga que entra pelo Acre. 
Ac24horas - Por onde entra então essa droga? O senhor quer dizer que existem rotas alternativas que não seja as rodovias federais e estaduais?

Silvano Rabelo
- O tráfico de drogas efetivo não passa apenas pelas rodovias estaduais e federais. Mas sim por rotas alternativas. A droga entra no Acre por ramais, estradas de barro, trilhas de caçadores, por igarapés, rios, corredores de catadores de castanha, as estradas de seringas e também pela mata fechada. Hoje os traficantes estão tão sofisticados que chegam a usar GPS para se localizar no meio da floresta, e trazer a droga ao seu destino final sem ser importunados pelas barreiras da polícia.

Ac24horas - O senhor não acredita que essas investidas dos criminosos e traficantes deve-se ao fato das leis serem brandas demais em nosso país?

Silvano Rabelo -
Não só traficantes. Eu não tenho dúvida. Hoje por mais hediondo que seja o crime, se o bandido for preso e condenado, ele cumpre um 2/5 da pena e já pode ser beneficiado no regime semi-aberto. Esse bandido fora, jamais vai voltar para o presídio. Ele simplesmente vai volta a matar novamente, roubar ou traficar novamente. Eu posso citar esse caso do assassinato desse sargento da PM, morto covardemente por um dos assaltantes do banco de Feijó. Ele cumprindo a pena de 2/5, seja qual pena a for mesmo, ele já vai estar de volta às ruas em um regime de liberdade. É simples. 
Ac24horas - Para encerrar nossa entrevista, numa só frase. Como o senhor descreveria hoje a nossa legislação penal?

Silvano Rabelo
-
A nossa legislação é excessivamente benevolente e é o que facilita a prosperidade do crime e a impunidade dos criminosos. 
Salomão Matos - da redação ac24horas

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