Terça-feira, 28 de outubro de 2025 - 08h05

O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação
Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Núcleo de Combate aos
Crimes Ambientais (Nucam/Gaema), com apoio das Polícias Civil e Militar, da
Polícia Técnico-científica (Politec), Força Tarefa Integrada de Combate ao
Crime Organizado (Fitcco) e da Secretaria do Estado de Desenvolvimento
Ambiental (Sedam), , bem como dos GAECOs dos Ministérios Públicos dos Estados
do Paraná e Santa Catarina e da Polícia Civil do Estado do Mato Grosso,
deflagrou nesta terça-feira (28/10) a Operação Safe Green.
Ao todo, cerca de 150 (cento e cinquenta) policiais e agentes públicos
foram mobilizados para o cumprimento de medidas cautelares deferidas pela 1ª
Vara de Garantias de Porto Velho.
A ação tem como foco um suposto grupo criminoso responsável pela invasão
e loteamento ilegal da Estação Ecológica de Samuel, unidade de conservação que
abrange os municípios de Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste, em Rondônia.
Segundo o apurado, o grupo teria promovido ocupação irregular, comercialização
clandestina de lotes e exploração ilegal de madeira, com quase 4 mil hectares
de desmatamento documentado entre 2020 e 2022, configurando crimes de dano em
unidade de conservação, extração e comércio ilegal de madeira, impedimento de
regeneração de florestas, desmatamento e exploração econômica ilegal de
florestas públicas, invasão de terras públicas (“grilagem”), lavagem de
dinheiro e associação criminosa.
Conforme a investigação, duas associações teriam sido “instrumentos
deliberados” para conferir aparência de legalidade ao esquema de invasão e
exploração econômica de área pública ambientalmente protegida. Há registros de
divisão e venda ilegal de lotes, desmatamento, exploração ilegal de madeira,
cobrança de mensalidades e até atuação jurídica em favor da ocupação irregular.
A Justiça autorizou o cumprimento de medidas em diversos municípios de
Rondônia, além de cidades nos Estados do Mato Grosso, de Santa Catarina e do
Paraná. Entre os locais alvos das buscas estão Porto Velho, Ariquemes,
Ji-Paraná, São Miguel do Guaporé, Itapuã d’Oeste, São Francisco do Guaporé, São
Felipe d’Oeste, Candeias do Jamari e Nova Califórnia, em Rondônia. Também há
mandados em Colniza e Comodoro, no Mato Grosso, Pouso Redondo, em Santa
Catarina, e Colombo, no Paraná.
A decisão estabelece um amplo conjunto de medidas para aprofundar as
investigações e impedir a continuidade dos crimes ambientais, invasão e ocupação
ilegal, lavagem de dinheiro etc. Entre elas estão 28 (vinte e oito) buscas e
apreensões domiciliares, veiculares e pessoais; afastamento de sigilo de dados
telefônicos e telemáticos; quebra de sigilo bancário e fiscal; proibição de
contato entre investigados; proibição de acesso às áreas da Estação Ecológica
Samuel e às sedes das duas associações; bem como o monitoramento eletrônico
(tornozeleira) de 5 (cinco) integrantes da diretoria das associações. Ainda,
foi determinada a suspensão das atividades sociais, empresariais e econômicas
das associações investigadas. Eventual descumprimento das
cautelares poderá levar à decretação da prisão preventiva dos investigados.
O material apreendido será analisado pelo Gaeco e pelo Nucam/Gaema para
identificação de demais envolvidos, financiadores e fluxos de recursos
vinculados ao esquema ilegal, que teria potencial para movimentar mais de R$ 6
milhões, somente com a venda clandestina de lotes na área ambientalmente
protegida.
A Operação Safe Green representa um novo esforço
institucional para estancar a destruição da Estação Ecológica de Samuel e
garantir a responsabilização dos autores pelos graves danos ambientais e pelo
desrespeito reiterado a decisões judiciais proferidas em defesa daquela área de
especial proteção ambiental.
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