Sábado, 9 de maio de 2026 - 08h10

O Ministério Público do Trabalho identificou que grandes
empresas movimentaram mais de R$ 48 bilhões em transações comerciais com
fornecedores flagrados por submeter trabalhadores a condições análogas à
escravidão no Brasil. Os dados fazem parte da primeira fase do projeto nacional
“Reação em Cadeia”, que busca responsabilizar empresas beneficiadas, direta ou
indiretamente, por essas violações.
As informações foram divulgadas em coletiva nacional do MPT
e repercutidas por veículos como Repórter Brasil e IstoÉ Dinheiro, que
destacaram o volume expressivo de transações e o alcance das investigações.
Como desdobramento dessa atuação, o MPT ajuizou ações civis
públicas e firmou acordos com diversas companhias em diferentes setores da
economia. No âmbito da Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª Região
(PRT-14), que abrange Rondônia e Acre, a Cargill Agrícola S.A. está entre as
empresas acionadas judicialmente.
As investigações apontam que, mesmo diante de mecanismos de
controle e programas de conformidade anunciados publicamente, muitas empresas
ainda mantêm relações comerciais com fornecedores envolvidos em práticas
ilegais, como jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e
trabalho forçado — elementos que caracterizam o trabalho escravo contemporâneo,
conforme o artigo 149 do Código Penal.
Segundo o procurador do Trabalho Ilan Fonseca de Souza, há
uma distância significativa entre o discurso empresarial e a prática. “Parte
dessas medidas de controle é meramente formal e não impede a ocorrência de
violações ao longo das cadeias produtivas”, destacou durante a apresentação dos
resultados.
O levantamento reuniu mais de 30 relatórios técnicos,
abrangendo setores estratégicos como agropecuária, soja, etanol, siderurgia,
indústria têxtil, construção civil e setor supermercadista. Em alguns casos,
empresas substituem fornecedores após flagrantes, mas mantêm vínculos indiretos
com os mesmos grupos econômicos — prática conhecida como “jogo dos CNPJs”.
Na região Norte, o Ministério Público do Trabalho em
Rondônia e Acre reforça que a atuação segue em curso, com medidas judiciais e
extrajudiciais voltadas à responsabilização de empresas e à prevenção de novas
violações.
Desde 1995, mais de 65 mil trabalhadores já foram resgatados
em condições análogas à escravidão no país. Para a vice-procuradora-geral do
Trabalho, Teresa Basteiro, o enfrentamento desse problema depende do
engajamento coletivo. “A conscientização da sociedade sobre as práticas
produtivas é fundamental para garantir a dignidade da pessoa humana e o valor
social do trabalho”, afirmou.
Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
MPRO denuncia acusado pela morte de enfermeira indígena em São Miguel do Guaporé
O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou denúncia contra um homem acusado de matar a enfermeira indígena Gleicia Arikapu, na Aldeia Arikapu

TRT-14 doa equipamentos de informática ao Hospital de Amor da Amazônia
Equipamentos que antes compunham a estrutura tecnológica da Justiça do Trabalho da 14ª Região ganharam uma nova missão: apoiar o atendimento de paci

Pagamentos de mais de R$ 536 milhões em precatórios incrementam economia rondoniense em 2026
De janeiro a maio de 2026, o Tribunal de Justiça de Rondônia, efetuou o pagamento de 536 milhões, 508 mil e 584 reais em precatórios, destinados a m

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE/RO) atendeu aos pedidos do Ministério Público (MP) Eleitoral e determinou a retirada imediata de outd
Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)