Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Justiça

MPF recomenda retomada de convênio para garantir atendimento diferenciado de saúde a indígenas em Guajará-Mirim (RO)

Medida visa restaurar o atendimento no Hospital Bom Pastor após interrupção que comprometeu direitos e gerou denúncias de discriminação


Foto: Divulgação - Gente de Opinião
Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Prefeitura de Guajará-Mirim (RO) que retome, de forma imediata, o convênio com o Hospital Bom Pastor (Associação Pró-Saúde), referência histórica no atendimento de saúde diferenciado às populações indígenas da região. 

A medida tem como base a apuração de que mais de seis mil indígenas foram diretamente afetados pela suspensão abrupta dos atendimentos, sem qualquer consulta prévia às comunidades envolvidas. De acordo com o MPF, a interrupção configura grave violação de direitos garantidos pela Constituição Federal e por tratados internacionais, como a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige que decisões administrativas com impacto direto sobre povos indígenas sejam discutidas de forma livre, prévia e informada.

O Hospital Bom Pastor, criado com apoio direto dos próprios povos indígenas, oferece um modelo de atendimento humanizado, culturalmente adequado e voltado às necessidades específicas das etnias locais. A unidade conta com redários, lavanderia, apoio religioso, uso de plantas medicinais tradicionais e intérpretes, fundamentais para indígenas que não falam português. Desde a suspensão, aumentaram os relatos de preconceito, piadas discriminatórias e dificuldades no acesso à saúde em outras unidades da cidade.

Atendimento culturalmente adaptado – O MPF também destacou que não há, atualmente, outra instituição no município com a mesma capacidade de oferecer um atendimento tão adaptado à realidade indígena. O convênio proposto pelo hospital mantém os mesmos valores anteriormente praticados, sem aumento de custos, com histórico positivo de prestação de contas e sem condicionar a celebração do novo acordo ao pagamento de débitos passados por parte da prefeitura.

A recomendação leva ainda em consideração os princípios da continuidade do serviço público e da vedação ao retrocesso social, que proíbem a supressão de direitos já conquistados. O órgão reforça que o modelo de atenção à saúde indígena deve seguir as diretrizes da Lei do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Decreto nº 3.156/1999, que reconhecem os costumes, línguas e tradições dos povos indígenas como parte central do atendimento.

Foram registradas oito reuniões entre o movimento indígena e a prefeitura, além de seis encontros promovidos pelo próprio MPF com os atores envolvidos. Mesmo com os esforços de diálogo, o impasse persiste.

O município tem prazo de cinco dias úteis para informar se acatará a recomendação. O não cumprimento poderá resultar em medidas administrativas e judiciais por parte do MPF.

Recomendação nº 8/2025

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

 Congresso: vítimas difusas, atingidas por discriminações estruturais, devem receber a atenção do MP para reparações históricas

Congresso: vítimas difusas, atingidas por discriminações estruturais, devem receber a atenção do MP para reparações históricas

Uma releitura da figura da vítima em processos judiciais foi proposta durante o painel “Garantia da Tutela dos Direitos das Vítimas”, apresentado ne

TJRO lança projeto Pomar da Justiça para fortalecer sustentabilidade e aproximação com a comunidade

TJRO lança projeto Pomar da Justiça para fortalecer sustentabilidade e aproximação com a comunidade

O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) lançou o projeto institucional “Pomar da Justiça – Frutíferas Nativas e Adaptadas nos Fóruns do TJRO e Fóru

Junho Ambiental: MPF pede reparação por danos causados por rompimento de estruturas ligadas à mineração em RO

Junho Ambiental: MPF pede reparação por danos causados por rompimento de estruturas ligadas à mineração em RO

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para responsabilizar a empresa Metalmig Mineração, a Cooperativa dos Garimpeiro

MP Eleitoral recomenda que prefeitura de Ouro Preto do Oeste (RO) não faça propaganda eleitoral antecipada

MP Eleitoral recomenda que prefeitura de Ouro Preto do Oeste (RO) não faça propaganda eleitoral antecipada

O Ministério Público (MP) Eleitoral recomendou à prefeitura de Ouro Preto do Oeste (RO) que não faça ou permita propaganda eleitoral antecipada dura

Gente de Opinião Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)